1º grande evento, mas não último: o que esperar para Bolsa após “Efeito Flávio 2026”?

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O fim da semana passada foi de fortes emoções para o mercado brasileiro. Conforme destaca a Genial Investimentos, depois de meses em que a expectativa de queda nos juros dominou o mercado, o cenário político voltou a ser o principal fator a mexer com os preços. O Ibovespa começou a semana batendo recordes atrás de recordes, passando dos 164 mil pontos e batendo os 165 mil pontos na sexta, impulsionado por sinais claros de que a economia está desacelerando e fortalecendo a aposta de que o Banco Central começaria a cortar juros já em janeiro. Contudo, a trajetória positiva foi brutalmente interrompida na própria sexta-feira, quando a confirmação de Flávio Bolsonaro como candidato da família para 2026 provocou a maior queda do índice desde fevereiro de 2021. Já o dólar disparou mais de 2% em poucas horas, os juros futuros explodiram cinquenta pontos e apenas quatro ações conseguiram fechar no positivo. Enquanto isso, o cenário internacional seguia favorável, com as bolsas americanas renovando máximas históricas depois que dados fracos de emprego elevaram a probabilidade de corte de juros pelo Federal Reserve para acima de noventa por cento. A combinação de crescimento global resiliente com bancos centrais dispostos a afrouxar a política monetária continuou dando suporte aos ativos de risco mundo afora, com dólar enfraquecido e commodities em recuperação beneficiando especialmente emergentes.“O mercado entendeu o movimento como um sinal de que as chances de reeleição de Lula aumentaram significativamente, já que a alta rejeição dos Bolsonaro entre eleitores moderados enfraquece a oposição”, ressalta a casa de análise. O JPMorgan ressalta que, embora possa levar algum tempo para o cenário político ficar mais claro, espera que o mercado recupere parte das perdas de sexta-feira à medida que os desdobramentos ocorrerem. “Este é o primeiro grande evento de volatilidade do ciclo eleitoral, e é improvável que seja o último”, avalia a equipe de análise.Além disso, na manhã de domingo, o senador Flávio Bolsonaro declarou: “Existe a possibilidade de eu não ir até o fim, e eu tenho um preço para isso — eu vou negociar.”Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Confira o que movimenta Bolsa, Dólar e Juros nesta segundaÍndices futuros dos EUA avançam juntosMais tarde naquela noite, ele esclareceu em uma entrevista na TV que sua condição para desistir da disputa é que seu pai seja libertado e autorizado a concorrer (entrevista completa aqui). Isso exigiria que o Congresso aprovasse uma anistia para todos os envolvidos nos ataques de janeiro de 2023 em Brasília, que resultaram na sentença de 27 anos do presidente Bolsonaro. No entanto, embora a anistia pudesse remover ou reduzir a pena, não necessariamente apagaria o crime em si. Para que Bolsonaro recupere a elegibilidade, o Tribunal Eleitoral precisaria reverter sua decisão de 2023 que o impede de concorrer.Na visão da Genial, os próximos dias serão determinantes para definir se o mercado brasileiro conseguirá estabilizar depois do choque político ou se entrará em uma fase de correção mais profunda. A super quarta-feira que se aproxima reunirá a decisão do Federal Reserve, a reunião do Copom e divulgações importantes de inflação tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, conjunto de eventos que poderia normalmente oferecer catalisadores para recuperação caso os dados confirmem a narrativa de cortes de juros sincronizados globalmente, avalia. “Entretanto, a experiência desta semana demonstrou que o tema eleitoral ganhou poder de veto sobre qualquer narrativa puramente macroeconômica, transformando o noticiário político em variável determinante para a formação de preços no curto prazo”, aponta.Isso porque a possibilidade de que a candidatura de Flávio Bolsonaro inviabilize a competitividade da centro-direita em 2026 passou a ser precificada como aumento estrutural de risco, reduzindo o apetite por posições direcionais até que haja maior clareza sobre a configuração do cenário eleitoral ou que eventos no campo fiscal e monetário sejam suficientemente fortes para ofuscar temporariamente as preocupações políticas. Christian Iarussi, economista e sócio da The Hill Capital, ressaltou que o choque político da última sexta-feira altera o equilíbrio do mercado e introduz uma variável nova.“A reação foi forte o suficiente para mostrar que o mercado está extremamente sensível a qualquer sinal de deterioração institucional futura. Ainda assim, a Super Quarta com as decisões do Federal Reserve e do Copom permanece como o divisor de águas da semana que vem”, aponta o analista.Para o analista, se o Fed confirmar o corte e sinalizar continuidade em 2026, e se o BC brasileiro mantiver o discurso de que a Selic pode cair já no início do próximo ano, o mercado pode reencontrar algum apoio.Dito isso, considerar 170 mil pontos ainda em 2025 passa a exigir um conjunto mais robusto de notícias positivas e uma acomodação rápida do risco político recém-criado, avalia. O Ibovespa a novos recordes ainda este ano passa a se tornar uma tarefa cada vez mais árdua, enquanto parecia inevitável até a manhã desta sexta.The post 1º grande evento, mas não último: o que esperar para Bolsa após “Efeito Flávio 2026”? appeared first on InfoMoney.

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