Marina Silva diz que Senado age na contramão dos esforços globais contra o clima

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Durante a abertura da COP30, em Belém, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou que o Senado “segue na contramão dos esforços globais” para conter as mudanças climáticas ao aprovar, às vésperas da conferência, novos incentivos fiscais para usinas termelétricas movidas a carvão.“Foi um sinal na contramão dos esforços que precisam ser feitos. É um absurdo que algo com essa complexidade seja votado em seis minutos, às vésperas do maior evento para o enfrentamento da mudança do clima”, disse Marina em entrevista ao O Globo.Leia tambémEntre governos, ambientalistas e empresas, COP30 reúne 60 mil pessoas em BelémRealizada pela primeira vez no Brasil, conferência tem previsão de agendas até o dia 21; saiba como funciona o encontroCOP30: Energia limpa cresce, mas alguns setores continuam parados, diz relatórioOs desafios mais fáceis estão sendo resolvidos, mas muitos dos mais difíceis, como descarbonização de processos industriais pesados, não estãoA ministra avaliou que, apesar de o Brasil ter apresentado avanços ambientais nos últimos anos, o desafio da transição energética envolve contradições que atingem até os países mais desenvolvidos.“Você dificilmente vai encontrar um país que não esteja vivendo desafios e contradições na transição energética”, afirmou. “É preciso usar parte do lucro do petróleo para investir na transição, em hidrogênio verde, energia solar e eólica. O Brasil está disposto a fazer isso pela justiça climática.”Exploração de petróleo Questionada sobre o aval do governo à exploração da Petrobras na Margem Equatorial, Marina minimizou o embate entre exploração e sustentabilidade, dizendo que a transição “precisa ser planejada para evitar um colapso energético global”.“Não é possível abandonar combustíveis fósseis por decreto, porque haveria um colapso energético. O Brasil tem vantagem comparativa, porque já tem matriz elétrica 90% limpa. O presidente tem dito que a Petrobras precisa deixar de ser uma empresa de exploração e se tornar uma empresa de energia.”A fala reforça a estratégia do governo Lula de usar a exploração de petróleo como instrumento para financiar a transição energética, e não como contradição a ela, um ponto que tem gerado críticas de ambientalistas às vésperas da COP.Flexibilização ambientalAinda na entrevista ao O Globo, Marina também criticou mudanças nas regras de licenciamento ambiental, incluídas em uma medida provisória recente. Segundo ela, as novas normas retiram do Conselho de Governo o poder de avaliação sobre projetos estratégicos, o que pode facilitar grandes obras com impacto ambiental.“O que foi proposto tem endereço: o hidrograma de Belo Monte, as grandes barragens de rejeitos em Minas Gerais. São interesses que vão na contramão da sociedade e que põem vidas em risco.”Para a ministra, o cenário evidencia uma disputa entre interesses econômicos e ambientais, inclusive durante a COP30.“Quem coloca o interesse público e a defesa da vida em primeiro lugar não pode trabalhar na lógica do lobby. Precisamos resolver um dos principais problemas da humanidade: o risco de destruir as condições que permitem a vida.”Papel do Brasil na COP30Marina destacou que o Brasil chega à conferência “com resultados concretos”, como a redução de 50% nos incêndios florestais e o terceiro ano consecutivo de queda no desmatamento.Ela também ressaltou o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), que já soma US$ 6 bilhões em compromissos e deve financiar áreas protegidas e comunidades tradicionais.“Estamos trocando a lógica da doação pela do investimento. O fundo já está operacional e vai financiar o pagamento por área de floresta protegida e pelos serviços ecossistêmicos prestados por essas áreas.”Fim dos combustíveis fósseisSobre as metas da COP30, Marina disse que o sucesso da conferência dependerá da construção de um consenso global para eliminar o uso de combustíveis fósseis e garantir financiamento climático aos países mais vulneráveis.“Serão 198 países juntos para decidir, por consenso, como acelerar os esforços para que o aquecimento global não ultrapasse 1,5ºC. Precisamos criar um mapa para chegar ao fim do desmatamento e do uso de combustíveis fósseis.”Ela também voltou a criticar o boicote dos Estados Unidos, que não enviaram representantes de alto escalão à conferência.“Os EUA são o país mais rico do mundo e o segundo maior emissor. Isso não é justo, mas aumenta nossa responsabilidade. O mapa do caminho é importante para continuarmos navegando em mares revoltos.”The post Marina Silva diz que Senado age na contramão dos esforços globais contra o clima appeared first on InfoMoney.

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