A principal autoridade sanitária dos Estados Unidos reformulou a área de seu site dedicada à segurança de vacinas e passou a sustentar que não há elementos suficientes para descartar uma relação entre imunização infantil e autismo. A mudança representa um rompimento com o histórico posicionamento do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), que há décadas reafirma a ausência de vínculo entre os dois temas.A revisão foi publicada dias após Robert F. Kennedy Jr. assumir o comando do Departamento de Saúde e Serviços Humanos no governo Donald Trump. Kennedy, um dos nomes mais influentes do movimento antivacina no país, defende que imunizantes podem estar associados ao desenvolvimento do transtorno do espectro autista, tese rejeitada por pesquisas científicas e por instituições médicas do mundo inteiro.Leia tambémPreços globais do café despencam após Trump remover tarifas sobre BrasilAntes do recuo, os preços de varejo do café nos EUA chegaram a marcar uma alta anual de 40%Por que Trump decidiu retirar tarifa de 40% sobre produtos do Brasil?Casa Branca afirma que parte dos produtos agrícolas brasileiros deixará de pagar a alíquota adicional de 40% após revisão da ordem executiva que instaurou a emergência comercialO novo texto do CDC afirma que a frase “vacinas não causam autismo” não seria sustentada por “evidências disponíveis”, além de acusar autoridades sanitárias de ignorarem estudos que, na visão da agência, apontariam para uma possível relação. Até então, a página informava de forma categórica que ensaios clínicos, pesquisas epidemiológicas e análises independentes haviam afastado qualquer nexo entre vacinação e autismo.A alteração gerou reações imediatas no meio científico. A Organização Mundial da Saúde e outras agências internacionais reiteraram nesta quinta-feira (20) que a literatura médica é ampla, consistente e conclusiva: vacinas não provocam autismo. Apesar da reformulação do site, especialistas destacam que nenhum dado novo surgiu que justifique a mudança de orientação. Para pesquisadores e entidades médicas, o episódio pode estimular dúvidas sobre imunização infantil e comprometer campanhas de vacinação em um momento de aumento de surtos de sarampo, coqueluche e outras doenças já controladas no passado.O CDC não explicou quais critérios técnicos motivaram a revisão do conteúdo.The post Agência de saúde dos EUA sugere possível relação entre vacinas e autismo appeared first on InfoMoney.
