Pregabalina e sertralina: entenda o efeito dos medicamentos usados por Bolsonaro

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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou em audiência de custódia no Supremo Tribunal Federal (STF) que a “alucinação” de que haveria uma escuta em sua tornozeleira eletrônica e uma “certa paranoia” motivaram a tentativa de romper o equipamento entre a noite de sexta-feira e a madrugada de sábado. Em sua fala, o ex-presidente atribuiu sua atitude a remédios que está tomando: pregabalina, um anticonvulsivo usado para tratar ansiedade; e sertralina, um antidepressivo.Leia tambémDefesa pede ao STF autorização para Flávio, Carlos e Jair Renan visitarem BolsonaroMais cedo, o ministro autorizou que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro visitasse o marido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde está preso preventivamenteBolsonaro recebe visita de médico e advogado antes de audiência de custódiaO ex-presidente conta com atendimento médico em tempo integral por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de MoraesA pregabalina é um anticonvulsivante que age regulando a transmissão de mensagens excitatórias entre as células nervosas, de acordo com informações da bula. De acordo com a psiquiatra Natalia Travenisk Hoff, ele é mais utilizado como tratamento para quadros ansiosos e de dor crônica, pois tem baixa potência para controlar convulsões.Já a sertralina é um inibidor seletivo da recaptação de serotonina, usado para quadros depressivos e ansiosos. Segundo Hoff, os dois medicamentos podem ser utilizados conjuntamente. No entanto, é preciso estar atento ao aumento do risco de alguns distúrbios.“O principal é o risco de hiponatremia (que é a baixa de sódio no sangue) e um efeito colateral possível com todos os inibidores seletivos da recaptação de serotonina. Porém quando associado a pregabalina, esse risco aumenta e é ainda maior em certos grupos como idosos, ou pessoas que tenham perda de líquido com vômitos ou diarréia por exemplo. A hiponatremia pode causar náuseas, vômitos, dor de cabeça, dificuldade de concentração, confusão mental, sonolência e alucinações em casos mais graves”, explica Hoff. “É algo que pode ser corrigido após exames de sangue e é totalmente reversível.”Os efeitos colaterais mais comuns da sertralina, de acordo com a bula do medicamento, são náusea, diarreia, indigestão, perda de apetite, aumento da sudorese, tremores e disfunção sexual, comportamento hiperativo e agitação. E os da pregabalina são tontura, sonolência, ganho de peso, visão turva ou dupla, inchaço, boca seca, dificuldade de concentração e atenção, também segundo informações da bula.Mas Hoff acrescenta que, independente da alteração do sódio, a sertralina pode causar alucinações e agitação em menos de 2% dos pacientes.“É um efeito que vai acontecer com maior frequência no início do tratamento (nas primeiras semanas) ou quando há ajustes abruptos de dose” explica.A pregabalina também pode causar desorientação em menos de 2% dos pacientes e confusão em menos de 7% deles.“Todos esses efeitos tem maior risco de acontecer (dentro dessas porcentagens) no início do tratamento ou em quadros de saúde agudo, principalmente nos extremos de idade, como idosos e crianças. Por isso, pacientes em uso dessas medicações devem comunicar seus psiquiatras quando tiverem quadros agudos para orientação”, pontua.The post Pregabalina e sertralina: entenda o efeito dos medicamentos usados por Bolsonaro appeared first on InfoMoney.

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