Será que o investidor brasileiro ainda trata a alocação global como um “extra” na carteira? Se depender das discussões que abriram os painéis da XP Global Conference 2025 essa visão está com os dias contados.Afinal de contas, de acordo com o head da BU de Fundos, José Tibães, investir lá fora não é mais oportunismo, mas um pilar estratégico de longo prazo. “A alocação internacional é algo estrutural na carteira dos clientes”, afirmou, reforçando que o tema deve ganhar ainda mais peso na agenda de produtos e no relacionamento com assessores e investidores.Segundo Tibães, a construção dessa tese começou há cerca de uma década, com a operação do private de Miami, e acelerou a partir de 2019, quando a XP passou a investir massivamente na oferta de fundos internacionais via feeders.O movimento expandiu o acesso local a gestoras globais e levou a custódia internacional da plataforma a níveis inéditos. “Criamos uma história de bastante sucesso, desenvolvendo a franquia e conectando o investidor brasileiro às melhores casas do mundo”, resumiu.A origem da virada internacional da XPEm seguida, o head de seleção de fundos, Fabiano Cintra, relembrou que a estratégia de internacionalização começou ainda em 2018, em uma conversa com Guilherme Benchimol (fundador e presidente executivo do Conselho de Administração da XP Inc.), às vésperas do IPO da XP nos EUA. “Naquela ocasião, o Guilherme dizia ter orgulho de levar o que o Brasil tinha de melhor para o mundo. Mas, quando voltou do roadshow, ele nos disse: ‘Eu também quero trazer o que há de melhor do mundo para o Brasil’”, contou.Segundo Cintra, esse foi o gatilho para a XP iniciar a jornada de democratizar o acesso a fundos globais. O primeiro passo veio em 2019, com a criação dos feeders, que permitiram ao investidor brasileiro acessar veículos de gestoras internacionais de forma simples e regulada.“Em pouco mais de um ano, trouxemos mais de 100 estratégias e mais de 30 gestoras globais ao Brasil”— Fabiano Cintra, head de seleção de fundosNa época, a plataforma chegou a reunir quase R$ 30 bilhões nesses produtos. Cintra destaca também o avanço estratégico após 2022, quando a XP decidiu “dobrar a aposta” nos EUA, priorizando a conta digital dolarizada.Para ele, o papel da XP é claro: ser o grande hub do brasileiro no exterior, conectando clientes às “gestoras que são a ‘Champions League’ do mundo”, oferecendo experiência estável, processos padronizados e exposição saudável ao câmbio. “Não tem cavalo de pau do dólar. É construção de câmbio médio, de forma ponderada”, reforçou.Da estrutura ao acesso: XP reforça time global e aposta em escalaEntre 2022 e 2024, a XP intensificou a digitalização da plataforma offshore: clientes passaram a abrir conta, fazer remessas e acessar mais de 100 produtos globais diretamente pelo app. Isso incluiu ativos de renda fixa internacional a ETFs, multimercados, alternativos e produtos exclusivos. Já no fim de 2024, a companhia deu um novo salto ao criar uma estrutura 100% dedicada ao internacional, com time focado em Miami e integração com os dois principais canais: a plataforma digital e o private.“O que estamos construindo é uma experiência completa para o cliente: produto, serviço, curadoria e execução”— José Tibães, head da BU de fundosO objetivo é gerar escala, padronização e qualidade superior dentro da chamada “terceira onda” da XP, que combina modelo de servir, planejamento financeiro e portfólios globais mais diversificados.Leia também: XP Private Bank reforça estrutura internacional e amplia presença nos EUA E mais: XP quer redefinir atendimento ao cliente com nova geração de planejadoresInternacionalização como propósitoDurante o painel “O Futuro da Conta Global XP“, o head da XP Internacional, Diego Corrêa, disse que a internacionalização não é apenas uma oportunidade, mas parte do próprio propósito da XP. “Não tem como ajudar as pessoas a investirem melhor sem falar de internacionalização e diversificação geográfica”, afirmou.Corrêa lembra que investir fora, por muito tempo, era restrito a clientes com mais de US$ 500 mil, o que criava uma barreira histórica. Segundo ele, reconstruir essa ponte foi essencial para transformar a experiência do investidor comum. Parcerias globais, ajustes regulatórios e simplificação operacional fizeram a estratégia avançar com velocidade.Aumento de 50% após seis mesesVale saber, inclusive, que a XP já ultrapassou 500 mil contas internacionais habilitadas e US$ 15 bilhões sob custódia. O ritmo de crescimento segue acima de três dígitos ano a ano.“Seis meses após o primeiro aporte internacional, o cliente aumenta em 50% sua exposição média ao offshore”— Diego Corrêa, head da XP InternacionalPara ele, isso mostra que a diversificação global deixa de ser tática e passa a ser estrutural no portfólio. E o cenário doméstico também impulsiona o movimento: ano pré-eleitoral, incertezas fiscais e episódios de risco de crédito reforçam a busca por alternativas no exterior.“Hoje, quem não investe nada fora do Brasil é que é diferente”, afirmou Cintra. De acordo com o executivo, a XP vai continuar puxando esse movimento para corrigir a distorção histórica de alocação dos portfólios brasileiros. “É algo estrutural, veio para ficar e vai transformar a forma como o brasileiro investe”, explicou.The post Investir no exterior não é mais oportunismo, mas pilar estratégico de longo prazo appeared first on InfoMoney.
