O fundador do Nubank, David Vélez, voltou a defender publicamente o papel das fintechs na modernização do sistema financeiro brasileiro e criticou o que chamou de “falsas narrativas” difundidas por concorrentes tradicionais. Segundo ele, parte do setor bancário “não está tolerando muito bem a competição”, apesar dos benefícios gerados pela maior disputa no mercado.Em uma publicação no Linkedin, Vélez rebateu críticas sobre a carga tributária paga pelas fintechs e afirmou que o Nubank já é, em 2025, o maior pagador de imposto de renda entre as instituições financeiras brasileiras, considerando valores brutos e alíquota efetiva.Segundo dados citados pelo executivo, o banco teve alíquota efetiva de 31% este ano — acima dos números de concorrentes como Santander (9,6%), Itaú (14,2%), Banco do Brasil (-40,7%) e Bradesco (8,4%). No total, o Nubank teria recolhido R$ 8,22 bilhões em IR e CSLL, superando todas as instituições tradicionais.Vélez ainda afirma que clientes economizaram R$ 111 bilhões em tarifas desde a criação do Nubank — valores que, segundo ele, “teriam ficado nos bolsos dos grandes bancos” sem a entrada das fintechs.A concorrência também teria ajudado a reduzir a concentração bancária: segundo o executivo, a participação dos cinco maiores bancos no total de ativos caiu de 81% para 71% em oito anos, movimento que contribuiu para a queda de 2,9 pontos percentuais nas taxas médias de juros de empréstimos, de acordo com estudo do FMI. Além disso, segundo Vélez, 28 milhões de brasileiros abriram sua primeira conta corrente desde a fundação do Nubank e 29 milhões tiveram seu primeiro cartão de crédito pelo banco digital — números que reforçam, para o executivo, o salto de inclusão financeira no país.“Robin Hood às avessas”As discussões sobre competição no setor financeiro, convergem com outro debate que ganhou força nas últimas semanas: o futuro da poupança. Em evento em São Paulo, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, classificou a caderneta como um produto “apoiado na desinformação” e que opera como um “Robin Hood às avessas”.Para o chefe do BC, os brasileiros que têm menos acesso a informação — justamente aqueles com menos recursos — são os que mais utilizam a poupança, apesar de serem “sub-remunerados” em comparação a alternativas simples de investimento. “A pessoa que não tem informação é a que mais perde”, afirmou.Segundo Galípolo, o modelo atual também distorce o sistema de crédito ao manter linhas baratas às custas da baixa remuneração aos poupadores. O BC trabalha em um projeto de transição para um novo mecanismo de financiamento imobiliário, com maior captação a mercado e passivos de duração mais adequada, o que poderia inclusive aumentar a potência da política monetária.O presidente do BC afirmou que a disseminação de informação e a digitalização ampliaram o acesso dos brasileiros a alternativas antes restritas. “Hoje é mais fácil ter acesso a outros produtos, e isso muda estruturalmente o mercado”, disse.The post Fundador do Nubank critica “falsas narrativas” criadas pelos concorrentes appeared first on InfoMoney.
