O ouro avançou em direção a um recorde nesta quarta-feira (17), enquanto investidores aguardam dados de inflação dos Estados Unidos e monitoram a escalada das tensões na Venezuela. A prata atingiu um novo pico, e a platina saltou para o maior nível desde 2008.O metal precioso era negociado perto de US$ 4.330 por onça, recuperando-se de uma leve queda na sessão anterior, que interrompeu uma sequência de cinco altas consecutivas. Os números de inflação, que serão divulgados na quinta-feira, serão acompanhados de perto em busca de sinais sobre como o apetite do Federal Reserve por novos cortes de juros pode ser afetado. Antes da divulgação, vários dirigentes do Fed devem falar publicamente.O ouro também foi impulsionado pelos eventos na Venezuela, após o presidente Donald Trump ordenar o bloqueio de todos os navios-tanque de petróleo sancionados. O líder americano também pressiona o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em meio a um reforço militar na região e à ameaça de ataques terrestres.“As tensões parecem estar aumentando gradualmente”, disse David Wilson, estrategista sênior de commodities do BNP Paribas. Segundo ele, todos os fatores que sustentam o ouro — de pressões inflacionárias ao desempenho das ações nos EUA e à desaceleração do crescimento global — parecem ocorrer ao mesmo tempo, o que pode levar o metal a atingir US$ 5.000 em algum momento do próximo ano.Leia tambémO petróleo da Venezuela é foco da campanha de Trump contra MaduroO país detém cerca de 17% das reservas conhecidas de petróleo do mundo, ou mais de 300 bilhões de barris, quase quatro vezes o volume dos Estados Unidos. E nenhum país tem uma presença maior na indústria petrolífera venezuelana do que a ChinaO ouro está relativamente próximo do recorde histórico acima de US$ 4.381 por onça, estabelecido em outubro. O metal acumula alta de cerca de dois terços no ano e caminha para seu melhor desempenho anual desde 1979. A forte valorização tem sido impulsionada por compras elevadas de bancos centrais, além de um movimento mais amplo de redução da exposição de investidores a títulos da dívida pública e às principais moedas. Tensões geopolíticas também reforçaram seu apelo como ativo de proteção.Investidores acompanham atentamente qualquer sinal de mais afrouxamento monetário, depois que o banco central dos EUA promoveu, na semana passada, seu terceiro corte consecutivo de juros — um fator favorável para metais preciosos, que não pagam rendimento. Por ora, os traders atribuem uma probabilidade próxima de 25% a um corte em janeiro.O ouro deve ter preço médio de US$ 4.500 por onça em 2026, segundo Nicky Shiels, chefe de pesquisa da refinadora de metais preciosos MKS Pamp SA, somando-se a uma série de projeções de alta. No curto prazo, o metal tende a passar por uma fase de consolidação “antes de estabelecer uma trajetória de alta mais moderada e sustentável” após o “salto parabólico” deste ano, afirmou Shiels em nota divulgada na terça-feira.A platina, por sua vez, disparou até 4,6%, atingindo o maior nível desde 2008, após uma proposta da União Europeia para flexibilizar regras de emissões para novos carros e descartar uma proibição efetiva de motores a combustão. Platina e paládio são usados em catalisadores que reduzem a poluição nos motores. Houve algum interesse de compra por parte de montadoras ao longo da última semana, disse Wilson.O ouro subiu 0,5%, para US$ 4.323,89, às 15h30 em Cingapura. A prata avançou 3,3%, depois de tocar uma máxima de 66,5284 mais cedo. A platina ganhou 3,7% e o paládio subiu 1%. O índice Bloomberg Dollar Spot Index avançou 0,3%.© 2025 Bloomberg L.P.The post Ouro volta a se aproximar de recorde com dados dos EUA e tensão na Venezuela appeared first on InfoMoney.
