Como foi o ouro em 2025?

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Em um ambiente global marcado por incertezas econômicas, conflitos geopolíticos persistentes e mudanças relevantes na política monetária das principais economias, o ouro consolidou seu papel como ativo de proteção em 2025 e entregou um desempenho muito acima dos principais índices de ações globais.Segundo Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD, a forte valorização do ouro ao longo do ano foi impulsionada por fatores estruturais e bem definidos. “O ano de 2025 foi emblemático para o ouro, marcado por uma sequência de recordes históricos impulsionados por fatores bastante claros e combinados”, afirma. Leia tambémDólar: após baixa em 2025, o que esperar para a moeda americana em 2026?Divisa cai cerca de 10% em relação ao real, mas apresentou recuperação recente – analistas veem cenário externo e eleições como fatores que podem afetar moedaPara ele, o principal vetor desse movimento foi a atuação dos bancos centrais, que intensificaram as compras do metal como forma de diversificar reservas e reduzir a dependência do dólar, em um cenário de crescente fragmentação geopolítica.Além disso, a demanda física permaneceu robusta, especialmente na Ásia, enquanto o ambiente macroeconômico global reforçou o papel do ouro como reserva de valor. “O início do ciclo de cortes de juros nas principais economias reduziu o custo de carrego do metal e aumentou a atratividade dos ativos reais em relação à renda fixa”, explica Spyer.A combinação desses fatores levou o ouro a ser negociado próximo de US$ 4.220 por onça troy, cerca de 60% acima do nível observado no início de 2025. “Esse movimento reforçou o ouro como um dos ativos mais relevantes do ano no cenário internacional”, destaca o conselheiro da ANCORD.Leia também:Como foi o dólar em 2025?O que fez o Ibovespa subir 30% em reais e 50% em dólares no ano de 2025?No mercado doméstico, o desempenho também foi expressivo. De acordo com Caio Mitsuo, especialista em investimentos e MBA em Finanças pela FBNF, a valorização do ouro no Brasil se aproximou de 65% até meados de dezembro. “Assim como em 2024, o ouro foi destaque em performance aqui dentro do mercado doméstico, além de figurar entre os melhores desempenhos globais dos últimos 30 anos”, afirma.Mitsuo explica que, no primeiro trimestre, mesmo com o Federal Reserve mantendo os juros entre 4,25% e 4,50%, as expectativas de cortes e a redução dos juros reais favoreceram o metal. No segundo trimestre, o cenário geopolítico ganhou protagonismo. “Tivemos uma escalada relevante de conflitos, como Rússia e Ucrânia, Índia e Paquistão e Israel e Irã, o que pressionou o petróleo e aumentou o receio com a inflação global”, observa.Já no terceiro trimestre, a alta ganhou força com a compra massiva de ouro pelos bancos centrais e o primeiro corte de juros pelo Fed. No último trimestre, ainda em andamento, a preocupação passou a ser fiscal. “Alguns países já têm dívidas consideradas praticamente impagáveis, e a inflação volta a ser o principal risco. O ouro, historicamente, é uma proteção contra esse cenário”, afirma Mitsuo, lembrando que o metal chegou a operar próximo de US$ 4.300.Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain, ressalta que o ciclo de valorização do ouro começou antes de 2025. “Esse movimento teve início ainda em 2022, coincidentemente ou não com o começo da guerra entre Rússia e Ucrânia”, afirma. Desde então, segundo ele, o mercado passou a adotar um posicionamento fortemente comprador, reforçado pelos conflitos no Oriente Médio e, mais recentemente, pelo avanço dos cortes de juros nos Estados Unidos, que enfraqueceram o dólar.Perspectivas para 2026Para 2026, a avaliação dos especialistas segue majoritariamente positiva, embora com espaço para ajustes no curto prazo. Spyer acredita na continuidade do movimento. “O conjunto de incertezas globais, riscos fiscais elevados e atuação dos bancos centrais ainda sustenta a busca por ouro como preservação de capital”, afirma.Mitsuo destaca que o comportamento dos juros americanos será decisivo. “Ainda vemos espaço para mais cortes de juros em 2026, mas a dificuldade do Fed em controlar a inflação pode manter os juros em patamares mais elevados”, avalia. Segundo ele, esse cenário pode favorecer tanto o dólar quanto o ouro, dois dos principais ativos de proteção do mercado global. “Casas como o JPMorgan já falam em ouro a US$ 5.000, e eu concordo com esse patamar”, diz.Leonardo Santana, por sua vez, pondera que correções são naturais após uma valorização tão intensa. “Correções saudáveis devem acontecer, mas o ouro nunca decepcionou como commodity de proteção”, afirma. Ele ressalta ainda o papel da China. “Os dados mostram compras consistentes de ouro pelo governo chinês, mês após mês, o que dá sustentação à tendência para 2026”.The post Como foi o ouro em 2025? appeared first on InfoMoney.

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