Disputa no Ceará une oposição e leva ministro a deixar Brasília para ajudar aliado 

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O ministro da Educação, Camilo Santana (PT), anunciou na segunda-feira que deve deixar a pasta para se dedicar à campanha à reeleição do governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o pleito de outubro. Camilo destacou que tem até março para tomar a decisão, mas argumentou que o cargo o deixa distante do estado que governou por dois mandatos e do qual foi eleito senador em 2022. A movimentação ocorre após o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) se lançar ao governo do Ceará e aparecer à frente nas pesquisas.Leia tambémBalanço da Netflix, Davos, emprego nos EUA e mais destaques desta terça-feiraInfoMoney reúne as principais informações que devem movimentar os mercados nesta terça-feira (20)Com Ciro candidato, Camilo Santana diz que deve deixar o MEC para campanha no CearáMinistro afirma que pode participar da campanha à reeleição de Elmano de Freitas (PT); aliados consideram que ele poderá assumir dianteira da chapa caso chance de vitória petista esteja ameaçada “Poderei voltar (ao cargo de senador) para me dedicar, porque vocês sabem que o papel de ministro é no Brasil inteiro, muitas vezes fica ausente no nosso estado. Vou me dedicar muito para que não haja retrocesso no Brasil e no Ceará”, disse em conversas com jornalistas no Ministério da Educação (MEC).Na segunda-feira, Camilo enfatizou seu apoio à candidatura de Elmano. O ministro, no entanto, também é considerado um nome que pode assumir a dianteira da chapa caso a candidatura de Ciro Gomes ameace a reeleição do atual governador.“Temos até março para tomar a decisão. Quero dizer aqui claramente que meu candidato é Elmano Freitas. Vou trabalhar pra ele e o presidente Lula serem reeleitos”, disse na segunda-feira Camilo. “Temos uma grande equipe do MEC. O ministério está rodando bem. Não tenho dúvida que minha saída ou não jamais vai afetar o encaminhamento das ações do MEC.”Desafios na largadaUma pesquisa Ipsos-Ipec feita entre 13 e 16 de dezembro reforçou as dificuldades de Elmano no estado ao mostrar o tucano na liderança da corrida estadual, com 44% das intenções de voto. O governador apareceu em seguida, com 34%. Ainda segundo o instituto, em um eventual segundo turno, Ciro, que já governou o Ceará entre 1991 e 1994, venceria o petista por uma diferença de dez pontos percentuais (49% a 39%).Para o PT e o entorno de Lula, é considerado imprescindível não perder o governo para o antigo aliado do presidente. O PT está à frente do Ceará desde 2015. Reduto eleitoral de Lula, o estado é terceiro maior colégio eleitoral do Nordeste.Já Camilo é considerado um cabo eleitoral estratégico por sua atuação na eleição municipal de 2024. Durante o pleito, o ministro da Educação tirou duas semanas de férias para se dedicar à campanha de Evandro Leitão (PT) para a prefeitura de Fortaleza — único petista eleito para comandar uma capital na eleição passada.Leitão começou a campanha atrás de Capitão Wagner (União) e André Fernandes (PL) nas pesquisas. No segundo turno, o aliado de Lula superou o candidato do PL, que tinha apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro.Ciro deixou o PDT, que é da base de Elmano, e se filiou ao PSDB no ano passado. A aproximação do PDT com o PT, tanto na esfera estadual quanto na nacional, foi citada como motivo de insatisfação dentro da sigla. Ciro também demonstrou descontentamento com o processo de “fritura” enfrentado pelo presidente nacional da legenda, Carlos Lupi, provocado pela crise do INSS, que levou à queda do comando do Ministério da Previdência.Ciro tem buscado articular uma chapa unificada com os principais nomes de oposição ao governador petista, inclusive do campo bolsonarista, para disputar as eleições. O ex-ministro fez acenos ao deputado federal André Fernandes, uma das lideranças bolsonaristas no estado. Este movimento, porém, esbarrou em críticas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que se opôs a uma aliança com Ciro.Segundo Ciro, a composição para cargos majoritários de sua chapa terá ele próprio, o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (União) e o ex-deputado Capitão Wagner, que já foi seu adversário no estado. Uma decisão final sobre as vagas que cada nome disputará ainda não foi tomada. Além disso, a segunda vaga para o Senado ainda está em aberto e é alvo de negociação.The post Disputa no Ceará une oposição e leva ministro a deixar Brasília para ajudar aliado  appeared first on InfoMoney.

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