A virada na forma de liderar a Termolar, fabricante gaúcha de garrafas e outras soluções térmicas, começou fora da sala de reuniões. Durante anos, a CEO, Natalie Ardrizzo praticou esportes de combate, como jiu-jitsu, em uma lógica de resistência, confronto e superação constante – inclusive física. Essa mesma postura, segundo ela, se repetia na forma de comandar a empresa nos momentos mais críticos. Com o tempo, porém, o custo dessa lógica se tornou alto demais no esporte e nos negócios e poderia afetar a empresa que exporta garrafas térmicas para mais de 30 países, conta com cerca de 700 funcionários e faturou cerca de R$ 350 milhões em 2025. Natalie falou sobre isso em entrevista ao podcast Do Zero ao Topo, que conta as histórias dos homens e mulheres por trás das grandes empresas do Brasil. Leia mais: Como a Termolar atravessou crises, pandemia e dívidas para se reinventar depois de 60 anosMenos combate, mais escuta“Eu vinha de uma mentalidade muito combativa, de aguentar tudo, de ir para o embate. Meu corpo começou a mostrar que esse modelo não era sustentável”, afirma.Após sucessivas lesões, a executiva decidiu interromper a prática de lutas e migrou para a dança, especialmente ritmos latinos. A mudança, segundo ela, foi simbólica. “Na dança, eu sou guiada. Eu escuto, eu sinto, eu fluo. Isso diz muito sobre a líder que eu me tornei.”A virada também se refletiu na gestão. “Passei de uma liderança agressiva, muito racional, para uma liderança mais intuitiva, mais feminina e mais humana. Foi quando comecei a tomar decisões melhores”, diz.Para Natalie, o aprendizado mais profundo veio da consciência dos limites. “Minha mente sempre quis continuar, mas meu corpo não aguentava mais. Aprender a parar também é uma forma de inteligência”, afirma. “Hoje eu continuo em movimento, só que de outro jeito.”Movimento que se repete (mais uma vez) nos negócios. O próximo passo da Termolar prevê diversificação de portfólio, fortalecimento internacional e reposicionamento da marca para novas gerações. Tudo isso mirando os 70 anos da companhia, que serão completados em 2028.“Não queremos mais apenas resistir. Queremos construir uma Termolar preparada para o futuro”, afirma Natalie.Leia mais: Do “não” ao Google à Magnopus: as escolhas que definiram Marcelo Lacerda e a internetLiderança em transformaçãoNatalie também passou por uma mudança pessoal profunda no processo. No início, adotou um estilo mais duro, inspirado na liderança tradicional que conhecia. Com o tempo, percebeu que esse modelo não sustentaria a próxima fase da empresa.“Eu precisei sair de uma liderança extremamente racional para uma liderança mais humana e intuitiva. Foi quando os resultados começaram a aparecer”, afirma.Hoje, ela se define como uma CEO focada em comunicação, produto, cultura e inspiração das equipes complementando o perfil mais técnico da irmã, que atua no conselho.Para saber mais detalhes da trajetória da Termolar e as mudanças que ajudaram a manter vivo um negócio de anos, veja o episódio completo no Do Zero ao Topo. O programa está disponível em vídeo no YouTube e em sua versão de podcast nas principais plataformas de streaming como ApplePodcasts, Spotify, Deezer, Spreaker, Castbox e Amazon Music.Sobre o Do Zero ao TopoO podcast Do Zero ao Topo é uma produção do InfoMoney e traz, a cada semana, a história de mulheres e homens de destaque no mercado brasileiro para contar a sua história, compartilhando os maiores desafios enfrentados ao longo do caminho e as principais estratégias usadas na construção do negócio.The post Como o jiu jitsu ajudou esta CEO a se tornar uma líder melhor appeared first on InfoMoney.
