‘Não funciona entrar na favela atirando’, diz diretor da HRW no Brasil

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O Brasil precisa rever sua estratégia de combate às organizações criminosas e à infiltração de facções nas instituições públicas. A recomendação é da organização Human Rights Watch, que lançou ontem seu Relatório Mundial 2026. Em coletiva ontem, César Muñoz, diretor da HRW no Brasil, disse que a política de segurança baseada no uso irrestrito da força letal pela polícia tem falhado.— (Pedimos) propostas que realmente desmantelem grupos criminosos, que atuem com base em inteligência, na investigação independente para identificar essas ligações ou vínculos entre grupos criminosos e agentes do Estado e a infiltração na economia legal. O que não funciona é entrar na favela atirando. Isso não desmantela grupos criminosos. Isso só cria mais insegurança e coloca os próprios policiais em risco — disse César Muñoz.Na 36ª edição do documento, o órgão fez uma análise da situação dos direitos humanos em mais de cem países. Para o Brasil, a organização propõe que as autoridades façam investigações independentes, promovam reformas na polícia e se baseiem em evidências científicas para propor novas políticas de segurança pública.Leia tambémNinguém falou comigo sobre assumir o Ministério do Planejamento, diz Esther DweckPasta ocupada por Simone Tebet deve ser desocupada até abril para que a ministra dispute as eleições em São PauloInteligência e coordenação entre os órgãosEssas mudanças, segundo a organização, têm o potencial de melhorar a coordenação entre órgãos federais e estaduais para enfrentar o tráfico de armas, a lavagem de dinheiro e as fontes de renda das organizações criminosas.Investigações recentes mostraram como o PCC se infiltrou em setores da economia formal para aumentar seus lucros e lavar dinheiro. A Carbono Oculto, operação de maior impacto, revelou conexões do crime organizado com o sistema financeiro e o controle completo da cadeia de combustíveis. Já a Fim de Linha expôs os tentáculos do PCC em empresas de transporte contratadas pela Prefeitura de São Paulo.O relatório da HWR destaca a preocupação crescente dos brasileiros com a segurança pública, como mostram pesquisas recentes. E a necessidade de que o tema seja tratado de forma prioritária na campanha eleitoral para presidente, governadores e legisladores, em outubro.O relatório ressalta que, no último ano, as polícias mataram 6.519 pessoas no Brasil. A violência policial é maior entre os negros, que têm 3,5 vezes mais chances de se tornarem vítimas do que os brancos.Ainda de acordo com o documento, os abusos policiais e a corrupção dessas corporações criam um clima de desconfiança do brasileiro em relação às forças de segurança e dificultam a colaboração da população com as investigações.The post ‘Não funciona entrar na favela atirando’, diz diretor da HRW no Brasil appeared first on InfoMoney.

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