Caso Suzane retoma debate no Congresso sobre veto à herança por crimes familiares

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A nomeação de Suzane von Richthofen como inventariante da herança milionária do tio em São Paulo funcionou como gatilho para um debate que vai além do caso concreto e chegou ao Congresso Nacional. As informações são do jornal O Globo.A decisão judicial evidenciou uma brecha na legislação brasileira de sucessões e acelerou a discussão sobre mudanças nas regras de indignidade hereditária previstas no Código Civil.Hoje, a lei impede que alguém seja beneficiário de herança quando o crime é cometido contra o próprio autor da herança ou contra parentes diretos, como pais, filhos ou cônjuge. Não há, porém, vedação automática para o recebimento de bens de outros familiares, ainda que o condenado tenha cometido homicídio dentro do mesmo núcleo familiar. Leia tambémDamares denuncia Freixo por patrocínio da Embratur à escola de samba pró-LulaSenadora afirma que repasse feito à agremiação por meio da Liesa configura uso de recursos públicos para favorecimento pessoal; deputado diz que fez investimento na promoção da imagem do Brasil no exteriorFoi justamente esse ponto que permitiu a Suzane, já considerada indigna em relação à herança dos pais, assumir a administração do espólio do tio Miguel Abdalla Netto, avaliado em cerca de R$ 5 milhões.A repercussão do caso levou à apresentação de um projeto de lei na Câmara dos Deputados que busca ampliar o alcance da indignidade sucessória. A proposta, segundo levantamento do jornal, pretende permitir que condenações por crimes graves contra familiares impeçam o acesso a heranças mesmo quando o autor do patrimônio seja um parente colateral, como tios ou irmãos. Para os defensores da mudança ouvidos pelo O Globo, a regra atual cria situações que chocam a opinião pública e fragilizam a ideia de responsabilidade jurídica associada a crimes dolosos contra a vida.Do ponto de vista técnico, a discussão envolve conceitos centrais do Direito Civil. Hoje, a exclusão da herança é tratada como sanção e, por isso, interpretada de forma restritiva pelos tribunais. Alterar esse desenho exigiria uma revisão legislativa explícita, já que a jurisprudência tende a evitar ampliações por analogia. Ainda assim, o tema ganhou densidade política suficiente para avançar no debate parlamentar, especialmente diante da forte comoção social gerada pelo episódio.A decisão judicial que colocou Suzane como inventariante também explicitou outro problema recorrente no planejamento patrimonial no Brasil. Sem testamento, Miguel Abdalla Netto deixou a sucessão submetida integralmente às regras legais, abrindo espaço para disputas e para um desfecho juridicamente válido, mas socialmente controverso. Especialistas apontam que, por se tratar de herdeira não necessária, ela poderia ter sido afastada da sucessão por simples disposição testamentária.Enquanto o projeto tramita no Congresso, o inventário segue sob controle da Justiça paulista, com poderes limitados à conservação dos bens. The post Caso Suzane retoma debate no Congresso sobre veto à herança por crimes familiares appeared first on InfoMoney.

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