O debate sobre a possível mudança da jornada de trabalho no Brasil — incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas — ganhou força em Brasília e é monitorada entre empresas e investidores. Segundo análise da XP Investimentos, caso a proposta avance, o impacto financeiro para o setor varejista pode ser significativo, especialmente para companhias com margens mais apertadas.O tema, tratado como prioridade pelo governo antes das eleições presidenciais, gira em torno de três eixos: i) encerramento da escala 6×1, com migração direta para o modelo 5×2; ii) redução da jornada semanal para 40 horas, possivelmente com período de transição e iii) manutenção dos salários atuais, sem compensações automáticas para empregadores.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Confira o que movimenta Bolsa, Dólar e Juros nesta quintaÍndices futuros dos EUA recuam A proposta pode ser levada ao Congresso até maio, o que permitiria ao governo vinculá-la ao Dia do Trabalhador. Ainda não está definido se o trâmite ocorrerá por projeto de lei ou por emenda constitucional (PEC). O Congresso tende a defender a PEC, por permitir maior tempo de discussão, enquanto setores do governo temem falta de votos e uma janela curta para aprovação.Embora parte do varejo tenha começado a testar a escala 5×2 – caso de RD Saúde (RADL3), Panvel (PNVL3) e GPA (PCAR3) – a redução para 40 horas semanais demandaria a contratação de mais funcionários ou pagamento de horas extras, elevando custos em um setor conhecido por operar com grande volume de mão de obra.Mesmo que um período de transição venha a ser incorporado ao texto final, Danniela Eiger, Pedro Caravina e Laryssa Sumer, analistas que assinam o relatório, apontam que o repasse integral desses custos ao consumidor seria difícil em um ambiente de alta competição e demanda ainda pressionada.Impactos diferentes entre as empresasAs estimativas da XP são de que, caso os varejistas enfrentem um aumento de 10% nos custos trabalhistas e não consigam repassar esses valores aos preços, o efeito médio seria: de queda de 8% no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), e redução de até 18% no lucro líquido.O impacto varia bastante entre as empresas. Grupos com forte presença internacional — como Smart Fit (SMFT3) e Mercado Livre (BDR: MELI34) — ou com margens operacionais mais robustas, caso de Vivara (VIVA3), Track&Field (TFCO4), Vulcabras (VULC3) e Lojas Renner (LREN3), devem sofrer menos.Por outro lado, varejistas de setores como alimentação e farmacêutico, que operam com margens historicamente mais baixas e dependem intensamente de mão de obra, podem enfrentar pressão mais intensa, especialmente aquelas com maior nível de alavancagem.Paralelamente, parte do Congresso tem defendido a renovação da desoneração da folha de pagamentos para atenuar o impacto da nova regra. Mas, segundo fontes consultadas pela XP, o governo não demonstra apoio à medida — o que amplia a incerteza sobre o custo final para as empresas.The post Como possível fim da escala 6X1 afetaria as varejistas da Bolsa? XP traça projeções appeared first on InfoMoney.
