A prisão de Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, na manhã desta quinta-feira, em Cabo Frio, é um desdobramento direto da Operação Libertatis II, deflagrada pela Polícia Federal para desmontar uma das maiores estruturas criminosas ligadas ao comércio ilegal de cigarros no Rio de Janeiro. A ação é conduzida no âmbito da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado, força-tarefa que reúne a PF e a Polícia Civil do Rio, com atuação integrada no enfrentamento a organizações criminosas no estado.Leia também‘Gratificação Faroeste’: Alerj diz ao STF que polícia tem ‘dever legal’ de matarMinistro Alexandre de Moraes cobrou explicações após PSOL ajuizar ação na Suprema Corte sobre o temaOrigem da investigaçãoAs investigações que deram origem à Operação Libertatis começaram em fevereiro de 2023, após a descoberta de três fábricas clandestinas de cigarros falsificados. Nessas unidades, a Polícia Federal encontrou trabalhadores paraguaios submetidos a condições análogas à escravidão, o que ampliou o foco da apuração para crimes como tráfico internacional de pessoas e redução à condição análoga à de escravo.A partir dessas descobertas, a PF identificou uma organização criminosa armada e transnacional que dominava territórios, impunha violência e medo a comerciantes e obrigava a compra e revenda dos cigarros falsificados produzidos pelo grupo.Segundo a Polícia Federal, o grupo criminoso operava de forma estruturada, com divisão clara de funções. Havia núcleos responsáveis pela produção dos cigarros, pelo fornecimento de insumos e pela exploração da mão de obra estrangeira, além de um braço logístico encarregado do transporte da mercadoria.A organização também mantinha células de segurança, com participação de agentes públicos, incluindo policiais militares, bombeiros, um policial federal e um policial rodoviário federal, que atuavam para proteger a operação criminosa e facilitar o deslocamento dos produtos ilegais.Os lucros obtidos com o comércio clandestino eram posteriormente lavados e enviados de forma irregular ao exterior, caracterizando crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.A Operação Libertatis IIA fase ostensiva da Operação Libertatis II foi deflagrada em março de 2025. Na ocasião, a Polícia Federal cumpriu 21 mandados de prisão preventiva, 26 mandados de busca e apreensão e 12 medidas cautelares diversas da prisão, incluindo a suspensão das funções de um policial rodoviário federal.Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio, sequestro e apreensão de bens avaliados em cerca de R$ 350 milhões. Entre os ativos apreendidos estão imóveis, veículos de luxo, criptomoedas, dinheiro em espécie e valores depositados em contas bancárias. Em uma das residências investigadas, em Duque de Caxias, foram encontrados R$ 48 mil em dinheiro.As ações ocorreram em diversos pontos do Rio e em outros estados, como Espírito Santo, evidenciando o alcance interestadual da organização.O papel de AdilsinhoDe acordo com a PF, Adilsinho é apontado como integrante da cúpula do jogo do bicho no Rio e considerado o maior produtor e distribuidor de cigarros falsificados do estado. Ele estava foragido desde a deflagração da Operação Libertatis II, com mandado de prisão expedido pela Justiça Federal, e também é procurado pela Justiça Estadual por suspeita de envolvimento como mandante de homicídios.A prisão desta quinta-feira ocorreu em Cabo Frio, com apoio do Serviço Aeropolicial. Após ser detido, ele foi levado à Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio e, em seguida, encaminhado ao sistema prisional.Os alvos da Operação Libertatis II podem responder por uma série de crimes, entre eles: organização criminosa, redução à condição análoga à de escravo, tráfico de pessoas, crimes contra a saúde pública, fraude no comércio, sonegação fiscal, crimes contra a relação de consumo, falsificação e uso de documento falso, violação de direito autoral, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. The post Operação Libertatis II leva à prisão de Adilsinho, suposto chefe da máfia do cigarro appeared first on InfoMoney.
