Mapa de Risco: investigações podem virar trunfo contra Lula, avalia cientista

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A prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e a decisão da CPMI do INSS de quebrar os sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ampliaram a pressão política sobre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dois episódios passaram a dominar o debate em Brasília e já são explorados por governo e oposição na disputa de narrativa sobre corrupção e responsabilidade política.No Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, desta sexta-feira (6), o cientista político e sócio da Tendências Consultoria, Rafael Corteza avaluou que investigações desse tipo tendem a se transformar rapidamente em instrumentos do debate público. O cenário muda quando diferentes fatos passam a dominar o debate público ao mesmo tempo, e alimentam a disputa política entre governo e oposição.“Isso certamente vai servir de instrumento para o debate público, para governo e oposição se posicionarem junto ao eleitorado”, afirmou Cortez durante o programa.Leia tambémSTF tem maioria para manter Bolsonaro na Papudinha e negar domiciliarFlávio Dino e Cristiano Zanin acompanharam a avaliação do relator, Alexandre de Moraes, sobre a “total adequação” da Papudinha às necessidades médicas do ex-presidenteSegundo a leitura de Cortez, o peso político dessas investigações depende principalmente da forma como cada lado constrói sua narrativa sobre os acontecimentos.Do ponto de vista do governo, a estratégia tende a enfatizar a atuação das instituições de controle. “Do lado do governo, qual que é o grande jogo? Ele dizia: olha, a Polícia Federal foi lá, achou e está fazendo toda a operação”, afirmou o cientista político.Essa abordagem busca transmitir a ideia de que eventuais irregularidades estão sendo apuradas pelas próprias instituições do Estado. A oposição, por sua vez, tende a explorar o tema com outra interpretação.“A oposição é o contrário, vai dar uma ideia de que vai juntar isso e dizer: olha como o governo, inclusive do ponto de vista da corrupção, nada fez”, disse Cortez.Potencial de desgasteNa avaliação apresentada no programa, investigações e crises políticas frequentemente se tornam insumos para o debate público e para a disputa eleitoral. “Isso talvez apareça e dê um recheio a esse tipo de argumento”, afirmou o cientista ao comentar como novos episódios podem ser utilizados politicamente.Ainda assim, Cortez ponderou que é cedo para prever efeitos diretos sobre o cenário eleitoral. “Imaginar que a magnitude vai ser a ponto de agora a oposição ganha ou o governo ganha é uma ilusão, vai precisar de trabalho político”, afirmou.Outro fator destacado é a distância em relação ao calendário eleitoral. “Sem contar que a gente está há muitos meses da eleição”, disse.Apesar disso, o ambiente político pode se alterar rapidamente caso surjam fatos novos de maior impacto. “Se tiver uma delação premiada de algum nome importante, esse fenômeno vai ser maior”, afirmou.A avaliação, no entanto, é de que o impacto político das investigações dependerá menos da existência dos casos e mais da capacidade de governo e oposição de transformar esses episódios em narrativa pública nos próximos meses.O Mapa de Risco, novo programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 5h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.The post Mapa de Risco: investigações podem virar trunfo contra Lula, avalia cientista appeared first on InfoMoney.

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