Com guerra, choque do petróleo isolado pode virar política monetária de ponta-cabeça

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A escalada do conflito entre Irã e Estados Unidos e o risco de desabastecimento de petróleo pelo Estreito de Ormuz voltaram a dominar o debate macroeconômico global — e os gestores brasileiros já fazem as contas. Para Bruno Mauad, sócio da Kapitalo, o mercado está exagerando ao equiparar o cenário atual com o choque inflacionário de 2022, quando gargalos simultâneos em cadeias produtivas, logística e demanda pressionaram preços ao redor do mundo.“A chance de ter um descolamento forte do preço do petróleo é muito maior do que você ter descarrilamento da economia global”, afirmou. Na avaliação dele, a economia mundial demonstrou uma capacidade de absorção de choques superior ao esperado nos últimos anos — e isso inclui a alta de juros pós-pandemia, a disrupção tarifária do governo Trump e o rearranjo das cadeias globais de produção. “Essa ideia de que é igual a 2022 é uma ideia que não faz muito sentido, principalmente quando você tem um choque centrado no petróleo”, completou.Veja mais:“Não invista em crédito, mas em renda fixa eficiente”, diz CEO de gestora de R$ 22 biE também: IA impulsiona investimentos, mas preocupa empresas de software e programadoresO argumento central de Mauad é que, diferentemente de 2022, um eventual choque de petróleo isolado — sem os demais gargalos que caracterizaram aquele período — pode ter efeito oposto sobre a política monetária. “Se de fato começar a morder na atividade para o outro lado, aí o negócio vira em uma velocidade grande. Daí você vai ter a política monetária para o outro lado”, disse. O Estreito de Ormuz, rota estratégica para gás natural e petróleo, permanece no centro das atenções, com questionamentos sobre a viabilidade de seguros para navios que ousem cruzar a região em meio ao conflito.O debate ocorreu no programa Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo, que recebeu Carlos Woelz e Mauad, sócios da Kapitalo, para uma conversa sobre geopolítica, commodities, inteligência artificial e o momento da indústria de fundos multimercado no Brasil.Os dois gestores integram as duas mesas de renda variável Brasil da casa, ao lado de mais nove analistas dedicados exclusivamente à bolsa local.IA pode estar criando empregos em vez de destruí-los por enquanto, diz blog do BCEJensen Huang, da Nvidia, descarta investimento de US$ 100 bilhões na OpenAIO petróleo e os limites do prognósticoMauad ampliou o debate geopolítico para além do conflito iraniano, conectando o rearranjo global — da guerra na Ucrânia ao avanço da inteligência artificial — a um cenário estruturalmente favorável para commodities metálicas. Na sua leitura, a combinação de dólar mais fraco, demanda aquecida por data centers e dificuldades crescentes para expansão de oferta cria um pano de fundo positivo para exportadores de matérias-primas, incluindo o Brasil. “Esse contexto pode levar as commodities, ou pelo menos uma parte grande delas, a continuar subindo”, disse.O gestor lembrou que o ambiente regulatório e social tornou o aumento de oferta de commodities significativamente mais difícil do que no ciclo anterior. “Na época do pré-sal, ninguém discutia perfurar o pré-sal. Hoje em dia, o negócio da margem equatorial é uma dificuldade imensa”, observou, sem tomar partido sobre o mérito da questão. As empresas, segundo ele, estão mais cautelosas em expandir capacidade, o que torna a velocidade de reação da oferta mais lenta diante de choques de demanda.Leia tambémPetrobras (PETR4) reverte prejuízo e tem lucro de R$ 15,6 bilhões no 4º triA petroleira divulgou seu resultado nesta quinta-feira (5) Conselho da Petrobras (PETR4) aprova pagamento de R$ 8,1 bilhões em proventosOs proventos serão pagos em duas parcelas nos meses de maio e junho de 2026Woelz acrescentou: “A demanda por petróleo é extremamente inelástica. No momento que de fato ficar fechado e faltar, vai para o preço que for.”A ressalva, porém, não implica catastrofismo: o gestor avalia que o nível de preço daqui a um ano pode ser muito diferente do pico de um eventual choque de curto prazo — como já ocorreu em outros episódios de tensão geopolítica.A discussão sobre drones baratos e a assimetria de custos entre ataque e defesa de infraestrutura no Golfo Pérsico também entrou na conversa. “Você tem capacidades de ataque que são desproporcionais em relação ao custo e à efetividade, como microssubmarinos e drones baratos, que permitem manter um conflito durante muito tempo a partir de um custo muito baixo para o Irã”, avaliou Woelz.The post Com guerra, choque do petróleo isolado pode virar política monetária de ponta-cabeça appeared first on InfoMoney.

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