O Grupo Fleury (FLRY3) divulgou nesta quinta-feira (5), após o fechamento do mercado, lucro líquido de R$ 96,3 milhões no 4º trimestre de 2025 (4T25), uma alta de 14,7% na comparação anual. Analistas do mercado financeiro apontam que a companhia encerrou o trimestre com um desempenho operacional sólido, consolidando uma trajetória de crescimento mesmo com um cenário macroeconômico desafiador para o setor de medicina diagnóstica. A leitura geral é de que a empresa conseguiu equilibrar a expansão de volume com um controle rigoroso de gastos, o que garantiu a manutenção da rentabilidade. Além disso, um dos pontos em comum entre as análises é que o resultado foi impulsionado pelo segmento de alta renda e pela capacidade da companhia em expandir sua presença em praças estratégicas.“O crescimento de 8,6% anual nessa categoria mantém o forte momento e corrobora nossa visão de que a performance sólida do terceiro trimestre de 2025 foi mais característicos do que explicado apenas por um maior número de dias úteis”, defende o Goldman Sachs, justificando por que elevou a confiança no papel.Leia mais: Confira o calendário de resultados do 4º trimestre de 2025 da Bolsa brasileiraTemporada de balanços do 4T25 em destaque: veja ações e setores para ficar de olhoApesar dos avanços, o mercado mantém um olhar atento à sustentabilidade dessa performance para 2026. Analistas do Morgan Stanley ressalta que apesar da onda mais positiva para o Fleury, os fatores externos ainda pesam sobre as ações da companhia, o que pode limitar o potencial de alta. Já o Itaú BBA destaca a força do balanço ao notar que a “forte geração de caixa continua sendo um aspecto sólido dos resultados, com um Fluxo de Caixa Livre para o Acionista (FCLA) de R$ 160 milhões neste trimestre”, o que mantém o Fleury como um ativo defensivo e estratégico no setor.LucroO lucro líquido de R$ 96 milhões superou as expectativas do mercado, mas os analistas alertam para o peso de fatores não operacionais na composição deste número.“A taxa de imposto foi anormalmente baixa (4,3% contra 18% das estimativas) pelo maior uso de benefícios fiscais da Lei do Bem”, aponta o relatório do Goldman Sachs. Essa eficiência tributária foi um dos principais responsáveis pela última linha do balanço vir acima do esperado pelo consenso.O Itaú BBA pondera que, apesar do lucro ter sido beneficiado, a estrutura de capital da companhia permanece como um diferencial competitivo. Para o banco, a empresa demonstra uma capacidade ímpar de manter o balanço saudável, o que permite a continuidade da distribuição de proventos. Uma visão mais equilibrada do Morgan Stanley sobre Fleury parte do princípio que a “superação do lucro líquido no quarto trimestre de 2025 foi impulsionada por menores pagamentos de impostos e um ganho inesperado em Novos Elos”, o que pode não se repetir nos próximos trimestres.Expansão geográficaA receita líquida consolidada atingiu R$ 2,061 bilhões, registrando uma alta de 12% na comparação anual. Regionalmente, a execução no Rio de Janeiro foi o destaque de recuperação após períodos de estagnação. “O crescimento no Centros de Atendimento ao Paciente (PSC) foi impulsionado por volume (+13,6% em exames), enquanto o ticket médio ficou estável”, detalha o Goldman Sachs sobre a dinâmica que permitiu o ganho de participação de mercado na praça fluminense.Em outras regiões, a expansão seguiu ritmos distintos:Minas Gerais: avanço de 21,3%, com o Itaú BBA reforçando o crescimento orgânico de 14%;Novos Elos: salto de 24,4% no faturamento, impulsionado por tratamentos de alto custo, mas “as receitas subiram devido a tratamentos de alto custo, embora os volumes permaneçam inerentemente instáveis”, segundo documento do Morgan Stanley;Business-to-Business (B2B): Crescimento de 4,1%, ainda impactado pelo encerramento de contrato hospitalar ocorrido em novembro de 2024.MargensO Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 456 milhões, com margem estável em 22,1%. Analistas do Itaú BBA avaliam positivamente o fato de a empresa ter mantido a rentabilidade “mesmo com o crescimento acelerado de marcas regionais, que tradicionalmente possuem margens ligeiramente inferiores à marca Fleury em São Paulo”. O relatório do Goldman Sachs ressalta que as Despesas de Vendas, Gerais e Administrativas (DVGA) foram “reduzidas drasticamente por iniciativas de controle de custos recorrentes, principal motor da melhora de 0,4 ponto percentual nas despesas operacionais”.Por outro lado, o relatório do Morgan Stanley analisa que o Fleury possui um mix de produtos pouco favorável, que na opinião do banco, parece estar compensando os benefícios da diluição de despesas, limitando a expansão da margem.InstituiçãoRecomendaçãoPreço-AlvoGoldman SachsCompraR$ 18,00Morgan StanleyNeutraR$ 18,60Itaú BBANeutraR$ 18,50The post Fleury tem desempenho sólido no 4º trimestre, mas cenário atual pode limitar ganhos appeared first on InfoMoney.
