Vender na crise é armadilha: o alerta do CIO da XP sobre o cérebro primitivo

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Sob estresse extremo, o cérebro humano toma o controle — e quase sempre toma a decisão errada. É o que a neurociência e a economia comportamental vêm mostrando há décadas, e é o que o CIO da XP Inc, Artur Wichmann, quis deixar claro no momento em que o petróleo disparava e os mercados despencavam. No meio de uma análise sobre guerra e preços de commodities, ele freou e fez um alerta que pouco tem a ver com números.O recado veio da obra do psicólogo Daniel Kahneman: sob pressão, o ser humano regride ao chamado Sistema 1 — rápido, emocional, incapaz de raciocínio complexo. Ele foca no negativo, imita quem está ao redor e perde acesso à memória de crises passadas. É exatamente o perfil do investidor que vende tudo no pior momento possível.O tema foi debatido na live mensal da XP Asset, com a participação do economista Thales Maion e do gestor de indexados Danilo Gabriel. O conflito entre Estados Unidos e Irã e seus efeitos sobre a economia global deram o tom do encontro — mas foi o alerta comportamental que trouxe o recado mais imediato para quem investe.Veja mais: XPID11: Dividendos em alta, mas desafio com usinas de Roraima persisteE também: XP Asset mira Pátio Higienópolis e lança 14ª oferta do XPML11“O nosso cérebro processa um prédio pegando fogo e uma incerteza vindo do Oriente Médio da mesma forma”, disse Wichmann. A diferença, segundo ele, é que prédio pegando fogo exige ação imediata e irrefletida — sair correndo é a resposta certa. Incerteza financeira, não. “Essa cadeia de raciocínio de pensamento extremo levando a movimentos extremos de portfólio tende a não ser uma boa combinação”, afirmou.FIIs sob tensão: XP Asset vê petróleo e inflação como risco à Selic; entendaTrump afirma que guerra contra o Irã está “praticamente concluída”, diz CBS NewsA memória que o estresse apagaO que o cérebro bloqueado pelo medo não consegue acessar é justamente o dado mais útil: o mundo já passou por outras guerras no Oriente Médio, outros choques de petróleo, outras crises — e continuou girando. Quem vendeu tudo nas crises anteriores, em geral, se arrependeu. Quem esperou, em geral, não.É nesse contexto que Danilo Gabriel apresentou a família de fundos “single B” da XP Asset como alternativa para quem quer proteger o portfólio sem precisar adivinhar o futuro. Os produtos são indexados a vértices específicos das NTN-Bs, com vencimentos escalonados entre 2030 e 2060, e permitem ao investidor montar uma posição calibrada ao seu prazo. A recomendação do time de alocação da XP, segundo Gabriel, é uma duration alvo em torno de seis anos — alcançável com dois ou três fundos combinados.Num cenário em que o petróleo sobe e a inflação de serviços não cede, títulos IPCA+ voltam ao centro do debate. A lógica é simples: independentemente de o choque inflacionário se materializar ou não, esses papéis entregam um excesso de retorno acima da inflação dentro do prazo contratado. O risco de errar a mão na previsão diminui quando o próprio instrumento já embute a proteção.O pano de fundo doméstico reforça o argumento. O Banco Central brasileiro está na iminência de cortar juros, mas o mercado de trabalho opera no menor desemprego da história — 5,3% —, com massa salarial crescendo 6,4% ao ano e salários em alta. A inflação de serviços já estava teimosa antes do petróleo subir. Um barril mais caro não ajuda.Confira a live da XP Asset na íntegraThe post Vender na crise é armadilha: o alerta do CIO da XP sobre o cérebro primitivo appeared first on InfoMoney.

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