Empresas brasileiras têm sentimentos mistos sobre a economia e os negócios. Há otimismo em relação à atividade econômica e expectativa de redução da inflação, enquanto a expectativa é moderada quando o assunto são os planos de contratação e de preocupação quanto à lucratividade.São dados registrados na pesquisa “S&P Global Brazil Business Outlook”, da agência de rating S&P Global, que ouve 12 mil empresas dos setores da indústria e de serviços sobre seus pensamentos quanto ao futuro das condições de negócios.“As expectativas de inflação diminuíram para todas as três categorias de preços monitoradas pela pesquisa, mas a guerra no Oriente Médio traz novos desafios para o banco central”, comenta a diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence, Pollyanna De Lima.Leia também: PIB 2025 mostra consumo empacado e recuo da construção sob aperto dos jurosLeia também: PIB de 2025 deve fechar com alta de 2,3% sob freio do juro alto, projetam XP e ItaúEm fevereiro, o índice registrou um aumento de 30% no saldo líquido da atividade empresarial, um leve aumento aos 29% observados em outubro de 2025, o que indica melhora nas projeções de crescimento para o ano. Os dados foram capturados entre 4 e 24 de fevereiro e não capturam, portanto, o início da guerra no Oriente Médio.“As expectativas de inflação diminuíram para todas as três categorias de preços monitoradas pela pesquisa, mas a guerra no Oriente Médio traz novos desafios para o banco central”, aponta De Lima.Ela afirma que, apesar da capacidade doméstica de produção de energia proteger o país de altas de preços em relação aos importadores de petróleo, há risco de inflação decorrente da interrupção de cadeias globais de suprimentos. O cenário deve impactar o ritmo e a duração das potenciais reduções nas taxas de juros e até atrasar o primeiro corte.Os planos de fixação de preços foram revisados para baixo, com o saldo líquido agregado de custos sobre a produção no Brasil reduzindo para o menor patamar em cinco anos, de cerca de 30%. O saldo líquido de empresas que preveem lucros maiores caiu de um número próximo a 8% para 7%, o menor desde o início da pandemia de Covid-19 e abaixo da média global de 12%.Entre os 12 países para os quais há dados comparáveis da pesquisa, os níveis mais altos de otimismo foram registrados em Índia, Irlanda, Reino Unido e Estados Unidos. Segundo o relatório, previsões otimistas entre empresas brasileiras derivariam de parcerias internacionais e lançamentos de novos produtos, além da Copa do Mundo e da implementação gradual da reforma tributária. Essas companhias também esperam taxas de juros mais baixas e uma demanda subjacente melhor, além de preverem ganhos de produtividade com investimentos em inteligência artificial.Planos de contratação, no entanto, foram revisados para baixo pela terceira pesquisa consecutiva. Na casa de 5%, o saldo líquido de empregos atingiu o menor patamar desde junho de 2020. Evidências colhidas pela S&P indicam que essa moderação pode decorrer de pressões de custo elevadas na comparação histórica, incertezas sobre políticas públicas provocadas pelas eleições de 2026 e escassez de mão de obra qualificada.The post Empresas estão otimistas com atividade, mas expectativa de contratação é moderada appeared first on InfoMoney.
