O debate sobre o preço dos combustíveis já ultrapassa as medidas emergenciais adotadas pelo governo e começa a avançar sobre o desenho estrutural do setor em um eventual novo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No centro dessa discussão está a criação de uma nova empresa estatal de distribuição, vista por aliados como instrumento para ampliar a capacidade de intervenção nos preços ao consumidor.A proposta surge em meio à avaliação, dentro do governo, de que a venda de ativos da Petrobras nos últimos anos reduziu o alcance do Estado na regulação do mercado. A privatização da BR Distribuidora, concluída no governo Jair Bolsonaro (PL), é apontada como um dos principais fatores dessa perda de influência, ao retirar da estatal a atuação direta no varejo.Leia tambémAlckmin descarta greve e governo aposta em pacote para conter dieselVice cita subsídios e corte de tributos enquanto caminhoneiros articulam paralisaçãoAnálise: Diesel mais caro e ameaça de greve de caminhoneiros acendem alerta para LulaCom pressão de caminhoneiros, impacto em fretes e alimentos e cenário de polarização, gestão de Lula volta a ter nos combustíveis um ponto sensível na disputa eleitoralAtualmente, a Petrobras está impedida de retomar a distribuição de combustíveis antes de 2029, por conta de cláusulas firmadas no processo de desestatização. Diante dessa limitação, aliados de Lula defendem a criação de uma nova companhia pública como forma de contornar o impedimento contratual.A ideia já aparece no plano de governo do presidente para um eventual quarto mandato e vem sendo discutida por integrantes do PT e da base aliada, especialmente em um momento de pressão sobre os preços do diesel.Combustíveis como tema eleitoralO avanço da proposta ocorre em um contexto de alta do petróleo no mercado internacional, que tem pressionado os preços no Brasil e reacendido o debate sobre a política de combustíveis. Para o governo, a falta de instrumentos diretos de atuação dificulta a contenção de repasses ao consumidor, especialmente em momentos de choque externo.Nesse cenário, a distribuição passa a ser vista como uma peça-chave para ampliar o controle sobre a formação de preços e reduzir a volatilidade percebida na bomba.Parlamentares governistas já se movimentam para dar sustentação política à proposta. A base articula a criação de uma frente parlamentar voltada à reestatização da antiga BR Distribuidora, hoje chamada Vibra Energia.A iniciativa busca reforçar o argumento de que o abastecimento de combustíveis deve ser tratado como questão estratégica, com maior participação do Estado, e não apenas como atividade sujeita às dinâmicas de mercado.Resistência e desafios jurídicosA proposta enfrenta resistência no setor privado, que vê a medida como intervenção excessiva e com potencial de distorcer o ambiente concorrencial. Além disso, a criação de uma nova estatal demandaria aprovação legislativa e definição de modelo de atuação, o que tende a ampliar o debate político em torno do tema.A discussão estrutural ganha força em meio a pressões imediatas, como o risco de paralisação de caminhoneiros e a dificuldade de garantir que reduções de custo cheguem ao consumidor final. O governo tem defendido que parte do problema está na cadeia de distribuição, onde cortes de preço nem sempre são repassados integralmente.Com isso, a proposta de uma nova estatal passa a integrar não apenas o plano de longo prazo, mas também a estratégia política para lidar com um dos temas mais sensíveis da economia e com impacto direto sobre a popularidade do governo.The post Os planos de Lula sobre nova estatal para distribuição de combustíveis appeared first on InfoMoney.
