Varejo tem 4º tri desafiador com pressão no consumo e balanços fracos; veja destaques

Blog

A desaceleração no consumo foi a grande protagonista do setor de varejo nos resultados do último trimestre de 2025. O ritmo, que já vinha caindo desde o terceiro trimestre, persistiu até o final do ano. Para o BTG Pactual, a combinação de altas taxas de juros, endividamento das famílias e a inflação acumulada viraram fatores-chave para os resultados do período.De acordo com os analistas, desde o 3T, as pressões têm sido mais fortes sobre categorias com maior exposição ao crédito e aos consumidores de média e baixa renda. Para o banco Morgan Stanley, o início de um ciclo de corte de juros traz sinais iniciais positivos para 2026, mas o impacto defasado dos juros elevados ainda devem pressionar o consumo.Leia tambémMiran ainda acredita que o Fed deve reduzir a taxa de juros“Minha perspectiva anterior era de cortes graduais na ‌taxa de juros’, disse em entrevistaOs analistas do BTG explicam que a alta sensibilidade à trajetória dos juros e à disponibilidade de crédito serão fatores determinantes para a recuperação do consumo daqui para frente.Mesmo com o consumo sufocado, os resultados estiveram dentro do esperado. Ao final do ano, a receita líquida consolidada teve alta de 7% na comparação ao ano. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) do setor cresceu 12% ao ano e a margem Ebitda subiu 50 bps (pontos-base) a/a (na comparação anual). Conforme os analistas, empresas bem posicionadas ainda podem representar resultados sólidos, em especial, empresas defensivas e orientadas para a execução.Os analistas acreditam que, ao longo do ano, as perspectivas de queda das taxas de juros reais e a sustentabilidade dos lucros estejam no radar dos investidores do setor.Destaques positivosOs principais destaques, na visão do BTG, foram a RD Saúde (RADL3) e as Lojas Renner (LREN3). Conforme os analistas, a Raia Drogasil se destacou como a melhor empresa de logística e carregamento do setor, com crescimento de 16% em vendas nas mesmas lojas (SSS), acima da inflação. O crescimento na receita bruta também surpreendeu, com alta de 20% e expansão de cerca de 100 bps na margem Ebitda.Leia mais: Confira o calendário de resultados do 4º trimestre de 2025 da Bolsa brasileiraTemporada de balanços do 4T25 em destaque: veja ações e setores para ficar de olhoA Renner, por sua vez, teve um desempenho satisfatório, de acordo com o relatório. Com uma gestão disciplinada de estoques, a expansão chegou a +70bps na margem bruta e margens EBITDA +110 bps a/a. O crescimento da receita líquida ficou em +4% na comparação com o ano anterior.Companhias com histórias de crescimento estrutural também entregaram resultados bons, de acordo com o BTG. A SmartFit (SMFT3) e a Track&Field (TFCO4) se destacaram como os melhores casos. Enquanto a SmartFit reportou um crescimento de receita de 26% na comparação ao ano, a Track&Field teve uma expansão de dois dígitos na receita.Desempenho nos segmentosO varejo de vestuário, de maneira geral, teve desempenho fraco, mas com melhor execução. De acordo com o BTG, a execução se tornou o principal impulsionador da diferenciação de lucros no setor de vestuário. As Lojas Renner registraram vendas comparáveis (vendas em mesmas lojas, SSS) de +3%, e C&A, -0,3%.Conforme o BTG, o desempenho da Renner se beneficiou da estratégia de menor intensidade de descontos, melhor planejamento de sortimento e alocação de estoque mais eficiente entre os canais. Ao mesmo tempo, a C&A teve um SSS negativo, refletindo um ambiente mais promocional e pressão sobre ascategorias de menor valor.O varejo de alimentos segue como um dos mais impactados pelo sufocamento do consumo e tendências macro, como a deflação de algumas categorias básicas. Para o banco, o desempenho do segmento deverá continuar dependente da normalização da inflação dos alimentos e melhorias no poder de compra do consumidor.O Assaí (ASAI3) apresentou receita líquida sem força, com crescimento de vendas nas mesmas lojas de 0,9%, graças às mudanças promocionais. O Grupo Mateus (GMAT3) também teve resultados fracos, refletindo uma dinâmica de demanda fraca e pressão sobre as margens devido a despesas de SG&A mais elevadas. O GPA Brasil (PCAR3) desacelerou cerca de 1,5 pp no trimestre contra trimestre, para 2,6%. Conforme a gestão, o resultado também sofreu pressão do consumo e inflação de alimentos.Em bens duráveis, Casas Bahia (BHIA3) registrou um aumento de 3% em vendas nas mesmas lojas, e Magazine Luiza +8%, com crescimento das lojas físicas. Segundo o Morgan, esse crescimento ajudou a compensar a queda do GMV (valor total vendido na plataforma) online.The post Varejo tem 4º tri desafiador com pressão no consumo e balanços fracos; veja destaques appeared first on InfoMoney.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *