Após conversa com executivo-chefe de investimentos (CIO) da Itaú USA Asset Management e chefe global de América Latina, Scott Piper, o Itaú BBA destacou algumas considerações sobre as perspectivas em relação aos mercados de ações da América Latina e do Brasil. As discussões incluíram: a perspectiva do mercado da América Latina em meio às incertezas globais, preferências por países, teses e gatilhos, e os principais temas a serem explorados na região.Os estrategistas do Itaú BBA ressaltam que a América Latina é uma oportunidade estrutural e veem a região como uma vencedora relativa entre os emergentes, apontando Brasil e Argentina como as preferidas. Na mesma linha, o JPMorgan ressaltou em relatório recente o forte fluxo para o Brasil. Para o banco, dentro dos mercados emergentes, a América Latina é um porto seguro e, dentro da América Latina, o Brasil está na melhor posição. Neste ambiente, a equipe de estratégia do BBA chegou a quatro principais conclusões:1) A América Latina é uma oportunidade estrutural?Na visão de Scott Piper, sim, destacando três tópicos para sustentar sua visão positiva da região: cenário macro, avaliação e posicionamento.No front macroeconômico, Piper avalia que a região está em melhor forma do que no ciclo anterior, com inflação sob controle e juros reais ainda elevados — sobretudo no Brasil — o que garante um carry (carregamento) atrativo para o investidor. Ele destaca as mudanças em curso na Argentina e no Chile como potenciais catalisadores de uma melhora estrutural das economias, enquanto Peru, Colômbia e Brasil atravessam 2024 sem o ruído adicional de eleições.Leia tambémCom “fluxo extraordinário”, JPMorgan vê Brasil como porto seguro na América LatinaPara as estrategistas, a questão crucial é se, uma vez estabilizadas as condições, as entradas de capital em mercados emergentes retornarão à tendência observada em janeiro e fevereiroDo lado do valuation, a América Latina segue sendo uma exceção em um mundo “caro”: ainda negocia com desconto em relação ao próprio histórico, mesmo após a reprecificação do ano passado. Piper ressalta que a combinação de qualidade e preço é particularmente evidente em grandes empresas da região.Por fim, o posicionamento é descrito como “muito leve”. Investidores locais, após anos de juros altos, mantêm alocações em ações em mínimas históricas, enquanto estrangeiros também têm baixa exposição. Nesse contexto, pequenos ajustes na diversificação global já se mostraram suficientes para gerar fluxos relevantes para a região, como visto em janeiro e fevereiro.2) América Latina: vencedora relativa em um mundo volátilO BBA aponta que a América Latina é uma vencedora relativa em um mundo volátil. Ao discutir os impactos do cenário global, Scott observou que, embora os conflitos geopolíticos globais tenham trazido volatilidade aos mercados, se os riscos globais diminuírem gradualmente, sem um impacto recessivo, ele acredita que a narrativa da diversificação global para fora dos EUA e do dólar mais fraco pode retornar, e os fluxos de entrada para a região podem continuar. Ainda sobre o conflito, ele destacou que a região tem baixa exposição relativa em comparação com outros mercados emergentes, devido à distância geográfica e ao fato de alguns países serem exportadores líquidos de petróleo, mas reforçou que a cesta de inflação da região é fortemente afetada pelos preços de energia e alimentos. 3) Alocação nos paísesDentro da região, Scott destacou o Brasil e a Argentina como posições com sobreponderação (overweight, exposição acima da média na América Latina). O Brasil combina um ciclo de flexibilização favorável, potencial mudança no ciclo macroeconômico e um mercado expressivo, com empresas de qualidade.Já a Argentina está mostrando uma dinâmica de melhoria com entradas de divisas, exportações de energia e impulso de reformas, mas a posição técnica tem sido desfavorável (fora do índice). Sobre o Chile, Scott destacou o cenário com políticas favoráveis ao mercado, apesar do impacto de curto prazo da queda do cobre e dos altos preços do petróleo, mas acredita que as avaliações são muito exigentes, mesmo ajustadas para o crescimento, o que justifica seu posicionamento de sobreponderação.Leia mais:Gringo entra forte no Brasil e local pode perder a próxima alta, dizem gestoresVisões paralelas? “Gringos” compram e locais vendem ações na B3; BBI vê oportunidade Sobre o México, ele acredita que a perspectiva para o USMCA (Acordo Estados Unidos-México-Canadá) melhorou no curto prazo, o que direciona sua alocação para empresas financeiras e imobiliárias, mas também está sob posição de sobrepeso no país devido às altas avaliações. Na Colômbia, ele acredita que os mercados não estão refletindo os desafios macroeconômicos futuros, que podem se evidenciar à medida que a alta do petróleo e das eleições se dissipa. Sobre o Peru, ele vê um cenário mais simples e prefere exposição ao setor financeiro (BAP) em vez do cobre. 4) As preferidas no BrasilScott compartilhou sua visão positiva sobre o Brasil, destacando a reavaliação como uma fonte chave de retornos, juntamente com um bom carry trade. Sua posição overweight está focada em negócios de alta qualidade, geradores de fluxo de caixa, que se beneficiam do ciclo de flexibilização monetária. Em termos setoriais, os ativos de serviços públicos e concessões (utilities) são essenciais, oferecendo forte visibilidade e retornos reais atraentes em comparação com títulos do governo, bem como imóveis (shoppings e construtoras) e bancos tradicionais. Em contraste, há cautela em relação aos serviços financeiros – apesar do otimismo do mercado – juntamente com commodities, bens de consumo básico e small caps, estas últimas refletindo um histórico fraco no Brasil. 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