Eternit fatura R$ 1,4 bi e aposta para além das telhas: construções industrializadas

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Popularizada no Brasil pela fabricação de telhas, a Eternit (ETER3) está procurando um caminho mais seguro. Com uma receita bruta de R$ 1,4 bilhão em 2025, construções industrializadas, segmento em ascensão como alternativa à alvenaria tradicional, ganham importância nos resultados da companhia.No ano, o lucro líquido da companhia foi de R$ 49 milhões, um crescimento de 26,2% em comparação a 2024. Já o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), importante indicador de resultado operacional, subiu 20,6%, para R$ 112 milhões.“O lucro foi muito positivo. É um ano de transformação onde de fato confirmamos a estratégia para o futuro”, afirma a CFO da Eternit, Carisa Portela. Em um braço de negócio, de produtos de fibrocimento, a empresa é consolidada na produção de telhas, com cerca de 30% de participação de mercado. Também é nessa linha que está a construção industrializada, aposta de crescimento para os próximos anos. Trata-se do desenvolvimento de placas cimentícias customizadas para empreendimentos residenciais e corporativos, insumos usados no modelo de construção de steel frame. Em 2025, a receita líquida deste braço de negócio aumentou 27,4%, para R$ 51,8 milhões. “Isso faz com que melhore o nosso mix de produtos e nossa margem no negócio de fibrocimento”, aponta Portela.Crescimento do mercado de construção industrializadaDesde a pandemia, explica o CEO da empresa, Rodrigo Inácio, esse tipo de construção ganhou tração no Brasil. Em um primeiro momento, a necessidade de erguer estruturas como hospitais com urgência criou uma demanda pelo modelo industrial em que placas são montadas quase como peças de Lego para chegar à estrutura final das edificações.“Também teve outro efeito: a mão de obra. Havia muita dificuldade de contratação e quando traz a construção para dentro da indústria, um ambiente controlado, com produção em série, a necessidade por mão de obra no canteiro diminui”, afirma Inácio.Leia também: Com nova fábrica no Ceará, Eternit projeta crescer com fontes renováveis e construções modularesLeia também: Com aço leve e placas, construtech leva R$ 230 milhões no semestreJustamente por estar em crescimento, o mercado de construção industrializada é menos sensível ao ciclo da vertical de telhas, normalmente impulsionado por períodos de crédito habitacional mais baixo. Além do mais, as placas de concreto têm maior valor agregado, o que adiciona ganhos de margem à companhia.No segmento de fibrocimento, a margem bruta foi de 12,3% em 2025, pouco mais que os 11,9% de 2024. A empresa atribui o resultado ao aumento da participação do segmento de construção industrializada no mix. Quando se olha para a margem bruta total, no entanto, houve queda.De 2024, quando o número foi de 19,8%, para 2025, quando chegou a 17,4%, a redução foi de 3 pontos percentuais. O resultado foi pressionado pelo segundo braço de negócios da companhia, a extração do mineral crisotila, que anotou uma queda de margem de 8 pontos percentuais.Mineração de crisotilaInteiramente dedicado à exportação, o minério existe em duas formas: de fibra longa, com maior valor agregado, e fibras curtas, de menor valor. No último ano, os veios do mineral encontrados pela empresa eram do segundo tipo, levando a um resultado mais apertado. Há também um impacto da variação cambial. Com a desvalorização do dólar frente ao real, a empresa faturou menos na conversão.Agora, a Eternit está de olho em formação de caixa, algo novo quando se tem em vista o histórico da companhia. Por ser exportadora, a companhia consegue captar recursos via antecipação de contratos de câmbio, os instrumentos chamados ACC e ACE, com taxas incentivadas de 7% e 8,5%.Com o custo médio da dívida a 11,38%, a empresa consegue aplicar recursos, por exemplo, em CDBs (que pagam valores próximos à taxa básica de juros, hoje em 14,75%) e ganhar com a diferença entre a captação e a aplicação. “O mercado está instável e não apenas para nós. Com temas fiscais sendo discutidos a todo momento, reforma tributária, guerras ao redor do mundo, barreiras tarifárias. Temos que estar preparados sempre para qualquer eventualidade”, afirma Portela.A Eternit saiu, em 2024, de uma recuperação judicial causada principalmente pela crise no mercado de amianto durante os anos 2000. O material, antes usado para a fabricação de telhas, foi proibido no Brasil devido aos seus riscos comprovados à saúde. A mina de crisotila mantida pela Eternit, responsável por cerca de 30% do faturamento da empresa, é um dos legados desse período por se tratar da matéria-prima para a produção das telhas e, por isso, hoje só existe para fins de exportação.Mudança de sedeComo uma das mudanças da sua nova fase, a Eternit está mudando o seu escritório da Faria Lima para Hortolândia, onde está uma de suas plantas fabris. O movimento é uma sinalização para o mercado: a companhia está em busca de eficiência operacional e proximidade com o core business. O processo deve terminar em 2026.“Estamos levando a sede administrativa para lá com um objetivo muito forte de aproximar o administrativo do operacional, da fábrica. Criar essa sinergia, busca de economia de escala”, conta Inácio.The post Eternit fatura R$ 1,4 bi e aposta para além das telhas: construções industrializadas appeared first on InfoMoney.

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