ONCO3: JPMorgan mantém cautela em relação à Oncoclínicas apesar de parceria

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A proposta de criação de uma nova empresa de oncologia (NewCo) em parceria com a Porto Seguro (PSSA3) e o Fleury (FLRY3) trouxe fôlego momentâneo para as ações da Oncoclínicas (ONCO3), mas não foi suficiente para alterar a visão dos analistas do JPMorgan.Em relatório publicado nesta quarta-feira (25), o banco reiterou sua recomendação de venda das ações (underweight, exposição abaixo da média do mercado), afirmando que mesmo com a segregação de ativos e a entrada de capital estratégico, o valor intrínseco da companhia pode ser inferior aos patamares atuais de mercado.A movimentação ocorre após um início de semana de extrema volatilidade para o papel: na última segunda-feira (23), as ações saltaram 57% com o anúncio dos estudos da parceria, seguidas por uma queda de 20% no pregão de ontem, refletindo a digestão dos termos do negócio pelos investidores. Às 10h37 (horário de Brasília) desta quarta, os papéis da Oncoclínicas subiam 5,61%, a R$ 2,07.Lógica da transaçãoNa visão dos analistas do mercado financeiro, a estratégia de realizar um carve-out – ou seja, a segregação de ativos – da plataforma de clínicas é clara e positiva do ponto de vista operacional. Leia mais: Fleury se une com Porto Seguro e Oncoclínicas para potencial criação de nova empresaNeste caso, segundo o relatório do JPMorgan, a transação permitiria a movimentação de até R$ 2,5 bilhões em passivos para a nova estrutura, aliviando o balanço da Oncoclínicas. “A transação segregaria a plataforma de clínicas, traria capital novo de parceiros estratégicos e simplificaria a história do balanço patrimonial ao mover uma parcela relevante dos passivos para a nova estrutura”, diz o documento.Com a nova configuração, as ações da Oncoclínicas deixam de representar a propriedade direta da estrutura consolidada para se tornarem uma participação indireta na NewCo, somada ao valor residual de ativos hospitalares não essenciais e recebíveis que permanecerão na empresa listada.Potencial de quedaDe acordo com os cálculos do JPMorgan, mesmo com possível melhora teórica na estrutura de capital, o valor de mercado implícito da Oncoclínicas após o negócio pode decepcionar.O banco realizou uma análise de sensibilidade utilizando um múltiplo de 4 a 8 vezes o Valor empresarial/Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) para a nova operação.Os principais pontos da análise incluem:Ebitda da NewCo: Estimado em R$ 891 milhões.Dívida líquida: R$ 2 bilhões alocados na nova estrutura e R$ 700 milhões residuais na Oncoclínicas listada.Ativos residuais: Avaliados de forma conservadora em R$ 300 milhões.“Nosso cálculo rápido implica que há um potencial de queda em relação aos preços atuais, mesmo sob premissas mais construtivas para a ONCO3 e a NewCo em uma base pós-negócio”, afirma o texto. A faixa de valor de mercado implícito calculada pelo banco varia de R$ 692 milhões a R$ 3,2 bilhões, dependendo do múltiplo aplicado, o que, na visão dos analistas, sustenta a visão de que o papel segue caro nos níveis atuais.Além do desafio do valuation, os analistas ressaltam que a visibilidade sobre o caixa e equivalentes da Oncoclínicas permanece limitada devido à situação envolvendo o Banco Master, o que adiciona uma camada de risco à tese. A análise feita pelo JPMorgan é considerada conservadora, pois não incorpora potenciais ganhos com ativos fiscais ou uma recuperação de recebíveis mais favorável do que o previsto, mas também não aplica um “desconto de holding” que geralmente incide sobre empresas que detêm participações em outras operações.The post ONCO3: JPMorgan mantém cautela em relação à Oncoclínicas apesar de parceria appeared first on InfoMoney.

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