O Exército dos Estados Unidos aumentou oficialmente a idade máxima para alistamento de 35 para 42 anos e flexibilizou as restrições para pessoas com condenações relacionadas à maconha. A medida vem depois de anos em que a força teve dificuldade para bater as metas de recrutamento e em um momento em que o país está em guerra com o Irã.As novas regras, divulgadas na semana passada, aproximam o Exército de outros ramos das Forças Armadas. A Força Aérea aumentou em 2023 a idade máxima de 39 para 42 anos, e a Marinha elevou o limite de 39 para 41 anos em 2022.Leia tambémMorgan Stanley espera um grande salto na IA em 2026, e o mundo não está preparadoAvanço deve chegar já no primeiro semestre de 2026, com níveis inéditos de capacidade computacional, mas falta infraestruturaIniciativa de Buffett e Gates para bilionários doarem metade da fortuna se esvaziaO Giving Pledge virou símbolo de uma era que exaltava a filantropia, mas hoje enfrenta rejeição crescentePelas mudanças, que entram em vigor em 20 de abril, candidatos com uma única condenação anterior por porte de maconha ou de itens relacionados ao consumo de drogas não precisam mais pedir uma autorização especial (waiver) ao Exército para se alistar. Antes, quem tinha esse tipo de condenação geralmente precisava esperar de dois a três anos e ainda passar em um teste de drogas para conseguir a liberação.A diretriz dessa política foi emitida em 2023, mas o Exército só a incorporou oficialmente em regulamento na semana passada — um documento normativo obrigatório, segundo a força informou em nota.Katherine Kuzminski, diretora de estudos do Center for a New American Security e especialista em recrutamento militar, diz que o Exército provavelmente subiu o limite de idade para se alinhar aos demais ramos e ampliar o acesso a um grupo maior de pessoas com habilidades específicas, como especialistas em cibersegurança, logística e transporte.Ela foi coautora de um relatório de 2022 da Rand Corp. que analisou o desempenho de recrutas mais velhos no Exército. O estudo mostrou que eles têm mais chance de não concluir o treinamento básico, mas, quando passam por essa etapa, costumam ser promovidos mais rápido e se reenlistam em taxas maiores do que recrutas com menos de 20 anos.Segundo Kuzminski, soldados mais maduros, mesmo no início da carreira militar, “podem ser um ganho real para quem está com eles no alojamento e agregar muito valor ao Exército, especialmente em funções mais técnicas”.As mudanças nas regras sobre maconha, diz ela, provavelmente buscam acelerar o processo de concessão de waivers, que pode levar meses — tempo suficiente para o candidato desistir. Ela lembra ainda que as Forças Armadas precisam acompanhar a sociedade: quase metade dos estados americanos já legalizou o uso recreativo de maconha.Mesmo assim, militares continuam proibidos de usar drogas ilegais. Em comunicado, o Exército afirmou que não “aprova nem autoriza o uso de substâncias ilegais em nossas fileiras”.O problema de recrutamento vem de alguns anos.Em 2022, o Exército enfrentou uma crise e ficou cerca de 15 mil recrutas abaixo da meta de 60 mil novos soldados. Em 2023, voltou a errar a meta em aproximadamente 15 mil. Em 2024, reduziu o objetivo para 55 mil recrutas — número que só atingiu por pouco.No ano passado, porém, as Forças Armadas registraram o melhor resultado em anos: mais de 62 mil novos recrutas, superando a meta de 61 mil, segundo o Pentágono. Em nota, o Exército disse estar no caminho para cumprir as metas deste ano. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, atribuiu o bom desempenho ao apoio ao presidente Donald Trump.Já oficiais do Exército apontaram outras razões: o desemprego mais alto entre jovens de 16 a 24 anos e um programa de preparação criado três anos atrás, para ajudar candidatos a atingir os requisitos mínimos de desempenho escolar e de índice de gordura corporal. Depois de 2022, as Forças Armadas também passaram a investir bilhões de dólares em campanhas de recrutamento para tentar reverter a crise.Os Estados Unidos estão na quarta semana de guerra com o Irã, e o Pentágono ordenou o envio de cerca de 2.000 soldados da 82ª Divisão Aerotransportada para o Oriente Médio, segundo autoridades do Departamento de Defesa.Kuzminski, porém, avalia que as novas regras têm pouco a ver diretamente com o conflito com o Irã. Para ela, trata-se muito mais de uma resposta às dificuldades de recrutamento dos últimos anos, somadas ao envelhecimento da população americana.Ela destaca que apenas 23% dos jovens dos EUA cumprem os requisitos para servir nas Forças Armadas sem precisar de waiver — e que só cerca de 10% dos jovens veem a carreira militar como uma opção viável.“Isso é muito mais uma resposta ao cenário desafiador de recrutamento dos últimos quatro anos do que a um conflito específico”, afirma. “Buscar o maior número possível de candidatos — o que inclui não só jovens de 18 anos, mas também pessoas de 42 anos que podem atender a necessidades bem específicas — tende a ser cada vez mais importante.”c.2026 The New York Times CompanyThe post Exército dos EUA eleva idade máxima de alistamento para 42 anos appeared first on InfoMoney.
