Startups: J-curve ainda incomoda as famílias, dizem family offices no South Summit

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Os fundos de venture capital vêm tentando mostrar para os investidores que o capital de risco não compete – ou não deveria competir – com a renda fixa. Mas com a taxa básica de juros a 14,75% ao ano, essa não tem sido tarefa fácil. Mal comparando, seria como explicar que laranjas não são bananas, e que dá para cultivar as duas. Só que as laranjeiras estão dando frutos numerosos hoje. E as bananeiras só darão frutos daqui a 10 anos.No venture capital brasileiro, a maior parte dos Limited Partners (LPs), os investidores desses fundos, são family offices, que fazem a gestão patrimonial de famílias, normalmente com negócios ligados a setores tradicionais da indústria. Quando a taxa de juros sobe, atraindo esses investidores para aplicações atreladas ao CDI, o capital disponível para o venture capital tende a se retrair.O painel The Capital Allocators: How Multi Family Offices Decide, que aconteceu nesta quarta-feira (25) no South Summit em Porto Alegre buscou entender quais são os fatores que levam as famílias a buscar o capital de risco mesmo em meio a esse cenário. A discussão contou com moderação de Sung Lim, CIO da Grão VC, e participação de Fernando Donnay, portfolio manager na G5 Partners, e Andrew Hancock, CEO e founder da INC Capital Family Office.Para Fernando, existe uma tensão permanente entre os gestores dos family offices e seus clientes. “Qualquer classe que demanda uma alocação de risco com juros mais altos acaba sendo mais difícil de convencer as famílias, ainda que a gente tente de alguma maneira ter os portfólios já alinhados do quanto vai ter de participação, por exemplo, de venture capital”, aponta. O mesmo vale para o cenário oposto: “quando o juro está baixo, as famílias querem adicionar mais risco do que a gente acha que deveria. Então a gente também tem trabalho de fazer o convencimento ao contrário.”Andrew aponta uma divisão clara entre perfis de investidores. “Quando você fala de famílias maiores, mais estruturadas, mais técnicas, elas entendem. Mas quando você vai para um universo menos sofisticado, é mais difícil. E, naturalmente, tem a j-curve ali, fazendo com que as famílias, mesmo as mais sofisticadas, fiquem incomodadas, principalmente quando a gente tem um corredor que é o CDI”, diz.A expectativa é que, com uma retomada da trajetória de queda nas taxas de juros, o cenário melhore para os ativos de maior risco. No entanto, os investidores falam em uma Selic na casa dos 10% para que isso aconteça, o que ainda está longe da realidade. O mercado espera que a taxa básica encerre o ano de 2026 no patamar de 12,5%, segundo o último boletim Focus, divulgado pelo Banco Central. Para os anos seguintes, o mercado projeta taxa de 10,50% em 2027 e 10% apenas em 2028.Leia tambémStartups: Para o SoftBank, o momento, no Brasil, é de observar, acompanhar e esperarEm entrevista ao Startups, Alex Szapiro afirma que país vive um momento de “entressafra”, e nova onda deve surgir impulsionada pela IACom a Selic nas alturas, Fernando reconhece a dificuldade do momento. “Nesse patamar de juros, uma das melhores coisas é alocar em títulos públicos”, admite ele, ponderando que a tese de que a renda fixa não basta segue viva. “A gente enxerga que você tem que ter algum tipo de alocação também para ativos que tenham uma potência maior”.Para ele, o convencimento é mais fácil para clientes mais antigos, que já obtiveram resultados positivos no passado. “A gente já conseguiu demonstrar isso na prática com vários casos de sucesso, isso acaba sendo mais tangível. Mas dos clientes que estão iniciando, demanda mais trabalho de confiança”, afirma Fernando.O argumento central do painel converge para um ponto: venture capital não é produto para quem pensa em resgate. “É negócio que vai retornar dinheiro em 12, 14, 15 anos. Por mais que a taxa de juros hoje esteja em 14,75%, você não sabe se vai cair a 5% daqui a 10 anos. Não é negócio de curto prazo, de fazer trade, investir agora e no ano que vem resgatar”, observa Andrew.Mas a queda na taxa de juros não é a única esperança para o mercado de venture capital. Os gestores apontam para uma nova janela de oportunidades aberta pela chegada das novas gerações ao controle do patrimônio das famílias. Essa também é uma geração mais antenada a novas tecnologias, como a própria inteligência artificial, e os impactos dessas inovações nos negócios da família.“Nos próximos 10 anos vamos passar pela maior transmissão de patrimônio da história. A segunda geração vai assumir esse patrimônio, e normalmente ela é muito mais empolgada com as histórias por trás dos investimentos do que a primeira”, ressalta Andrew.Conteúdo produzido por Startups.The post Startups: J-curve ainda incomoda as famílias, dizem family offices no South Summit appeared first on InfoMoney.

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