Mesmo com guerra, Brasil lidera Latam e atrai gringos para bancos e commodities

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Quando o conflito no Irã explodiu, quase todos os grandes fundos multimercados brasileiros estavam posicionados na mesma direção — e pagaram caro por isso. A análise do posicionamento de casas como Absolut, Ace, Capstone, Ibiúna, JGP, Kinea, Verde, Vinland e XP revela que praticamente todas apontavam para o mesmo trade antes do choque: mercados emergentes em alta. Quando a guerra veio, não havia para onde correr.“Pode acontecer de o mercado inteiro estar posicionado e, quando acontece um evento de estresse imprevisível, um choque que ninguém previa, todo mundo desmonta ao mesmo tempo”, disse o host Davi Fontenele ao contribuir com a análise de Alexandre Aagesen, gestor de portfólio da XP Advisory. A análise foi feita no programa Stock Pickers – Carteiros do Condado, apresentado por Lucas Collazo e Davi Fontenele, com Aagesen como convidado. Collazo chegava de uma rodada de reuniões em Nova York e Boston com alguns dos maiores hedge funds do mundo — e trouxe um termômetro revelador sobre como o Brasil é visto lá fora.Veja mais: Gringo entra forte no Brasil e local pode perder a próxima alta, dizem gestoresE também: Aftermarket: Com Hormuz fechado e caos global, um Trump sem saída assusta mercadosO único ativo que funcionou como proteção durante o caos foi justamente aquele contra o qual o mercado estava posicionado. “A única moeda que se beneficiou nessa brincadeira toda foi o dólar, que estava todo mundo apostando contra”, disse Fontenele. O contrapé foi completo: quem estava vendido em dólar foi duplamente penalizado.EUA discutem cessar-fogo de 1 mês com Irã e acordo nuclear duro, diz mídia israelenseEUA enviam ao Irã plano em 15 pontos para encerrar guerra, diz fonteGringo quer Brasil — e não quer saber de eleiçãoDe volta ao Brasil, Collazo relatou um cenário que contrasta com o pessimismo interno: apetite real dos estrangeiros pelo país, mesmo em meio à turbulência. “A turma está muito interessada de A a Z no Brasil”, contou. “Me perguntaram que setores comprar, o que vende na frente, se vai ter follow-on, se vai ter IPO.”O consenso nas mesas estrangeiras é que a tendência estrutural pré-guerra — rotação de capital dos Estados Unidos para emergentes — vai se reafirmar assim que o conflito se dissipar. Collazo disse ter ouvido até um slogan cunhado por um dos maiores hedge funds do mundo: “MENGA — Make Emerging Markets Great Again.” O Brasil é tratado como o principal representante da América Latina, por ser o maior peso nos índices e o mercado mais líquido da região. Os setores de maior interesse são bancos, infraestrutura e commodities.Há ressalvas, porém, no campo institucional. Grandes fundos estrangeiros disseram a Collazo que só topam investir em crédito estruturado brasileiro se houver algum tipo de garantia soberana. Casos como o do Banco Master foram mencionados como fatores de cautela. Fundos especializados em situações de estresse também estão monitorando de perto casos como o da CSN (CSNA3) e Raízen (RAIZ4).O que não está na lista de preocupações dos estrangeiros, curiosamente, é a eleição. O tema surgiu apenas como conversa informal depois das reuniões. “Não justifica o prêmio”, disseram a Collazo — referindo-se ao desconto excessivo nos ativos brasileiros frente aos fundamentos do país: juros reais elevados, câmbio comportado e Brasil na posição de exportador de petróleo, beneficiado pelo próprio choque que assustou o mundo. Mesmo durante a turbulência de março, o fluxo estrangeiro na bolsa brasileira seguiu positivo, tanto em caixa quanto em derivativos.Leia também“Latam proxy”: por que o Brasil virou porta de entrada dos gringos em emergentesO Brasil está sendo chamado de Latam proxy lá foraNa crise, proteger a carteira ficou caro demais — e gestores preferiram andar leveMetade da bolsa brasileira está nas mãos de investidores estrangeirosA dúvida que ninguém consegue responderA grande incógnita que paira sobre gestores no Brasil e no exterior é a mesma: quanto tempo vai durar o conflito. Se a guerra terminar rapidamente e o fluxo pelo Estreito de Ormuz — por onde passa 20% do petróleo mundial — for restabelecido sem maiores danos à infraestrutura, a recuperação dos mercados pode ser rápida, como foi em março de 2020 e no Joesley Day, em 2017.Mas há um complicador. Diferentemente de um bloqueio temporário de passagem, ataques à infraestrutura energética exigem reconstrução — e isso leva meses. “Tudo vai depender da duração do conflito e da intensidade, e como isso se traduz na recuperação do mercado de petróleo”, disse Aagesen. “Ninguém vai saber.”The post Mesmo com guerra, Brasil lidera Latam e atrai gringos para bancos e commodities appeared first on InfoMoney.

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