Sua cerveja artesanal da happy hour pode ajudar a combater mudanças climáticas

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ALAMEDA, Califórnia — Os frequentadores que tomavam um chope ao ar livre no último fim de semana, enquanto uma onda de calor pairava sobre Alameda, na Califórnia, talvez não estivessem pensando em mudanças climáticas. Mas quem produziu as IPAs e as lagers certamente estava.Isso porque as bolhas vieram de dióxido de carbono capturado no estacionamento da cervejaria.Leia também: Heineken cortará até 6.000 empregos devido à queda na demanda por cerveja“Estamos literalmente retirando carbono do ambiente”, disse Damian Fagan, diretor da Almanac Beer Co. “É algo bem surreal e incrível.”A tecnologia que tornou possível essa carbonatação do ar para a cerveja — uma máquina que lembra uma unidade de ar-condicionado industrial com uma chaminé no topo — estava nos fundos do brewpub. Ela realiza captura direta de ar no local, e outro sistema, instalado em um contêiner ao lado, liquefaz o dióxido de carbono capturado e o transforma em um produto puro, adequado para bebidas.Para conter o aquecimento global, o dióxido de carbono terá de ser gerenciado como qualquer outro fluxo de resíduos, e a captura direta de ar provavelmente desempenhará um papel nisso, disse Matthew Realff, engenheiro químico do Instituto de Tecnologia da Geórgia que não está envolvido com a cervejaria. “A captura direta de ar cria a possibilidade de não apenas lidar com as emissões atuais e futuras”, afirmou, “mas também com o acúmulo histórico de CO2 na atmosfera.”Embora máquinas de captura de ar em alguns bares não resolvam o aquecimento global, os dispositivos, fabricados pela Aircapture, empresa sediada na vizinha Berkeley, podem ser “extremamente úteis para o clima”, disse Realff, se ajudarem a tornar a captura de carbono mais barata e amplamente disponível. A tecnologia avançou significativamente nos últimos 15 anos, mas ampliar sua escala e reduzir custos continuam sendo grandes desafios.Nos Estados Unidos, projetos de captura direta de ar tendem a ser grandes e focados em remover pelo menos 1 milhão de toneladas de dióxido de carbono por ano em um local fixo. Após anos de apoio federal, grandes projetos foram recentemente adiados ou cancelados, porém, por causa de cortes de financiamento pelo governo Trump. “Se antes havia um forte vento a favor, agora há vento contra”, disse Realff, que também não está envolvido com a Aircapture.A Aircapture tenta enfrentar alguns desses desafios ao criar um sistema ágil e modular, que pode ser ampliado “não tornando-o maior, mas produzindo mais unidades”, disse Realff. “Essa é uma abordagem bastante singular, com potencial para ser implantada com relativa facilidade ao redor do mundo.”A Aircapture conseguiu evitar a dependência de financiamento federal, créditos de carbono ou incentivos fiscais ao apostar no mercado de US$ 20 bilhões de dióxido de carbono comercial.“A economia global funciona com dióxido de carbono”, disse Matt Atwood, fundador e CEO da empresa. “Ele está na cadeia alimentar, na cadeia do frio, no ambiente construído, na agricultura, nas bebidas. Está em toda parte.”Ainda assim, ao redor do mundo, o mercado de dióxido de carbono vem se tornando mais volátil. Para empresários como Fagan, garantir o fornecimento do gás é uma fonte constante de estresse. “É algo que você usa todos os dias, que é caro, cada vez mais difícil de obter e prejudicial ao meio ambiente”, disse.A maior parte do dióxido de carbono destinado ao mercado comercial é capturada como subproduto de outras indústrias, incluindo combustíveis fósseis. Mas essa dependência torna o fornecimento vulnerável a oscilações nos preços de petróleo e gás, além do fechamento de plantas.Em alguns casos, empresas que produzem dióxido de carbono como subproduto estão optando por não vendê-lo e, em vez disso, capturá-lo e armazená-lo no subsolo, processo conhecido como sequestro de carbono, por causa de incentivos ou exigências governamentais. Usinas de etanol, por exemplo, respondem por cerca de 35% do fornecimento de dióxido de carbono na América do Norte. Mas, por causa de créditos tributários, armazenar o gás no subsolo agora rende a essas instalações “várias vezes mais receita do que vender CO2 para empresas de gás”, disse Atwood. Isso está criando uma lacuna crescente entre oferta e demanda.A indústria de dióxido de carbono comercial também tem uma alta pegada de carbono. Para cada tonelada desse gás recebida por um cliente, a produção por trás desse CO2 pode estar liberando 2 ou mais toneladas na atmosfera, disse Atwood. Além disso, produtos comerciais costumam ser transportados por longas distâncias.A Aircapture pretende oferecer uma alternativa, disse Atwood. Suas máquinas capturam de 100 a 1.000 toneladas de dióxido de carbono por ano, dependendo do tamanho, e podem ser produzidas em massa como carros, permitindo que a empresa responda rapidamente à demanda.A Aircapture se recusou a divulgar detalhes sobre o consumo de energia de sua máquina na Almanac. Mas uma avaliação independente de ciclo de vida conduzida para um projeto do Departamento de Energia dos EUA constatou que a pegada de carbono do sistema é inferior a 10% do que ele captura, disse Atwood.A Almanac atualmente produz 20% de sua cerveja com captura de ar no local, e Fagan disse esperar chegar a 100% dentro de um ano.Além de resolver problemas de confiabilidade, a nova tecnologia está gerando economia para a cervejaria. Em vez de comprar as máquinas de captura de carbono da Aircapture, clientes como a Almanac compram o dióxido de carbono que essas máquinas produzem. Atwood comparou o arranjo ao modelo usado por hospitais ao adquirir oxigênio industrial de plantas instaladas no local, pertencentes a outras empresas.O dióxido de carbono líquido adquirido por meio da Aircapture é de 15% a 20% mais barato do que produtos comerciais convencionais. Isso representa dezenas de milhares de dólares em economia ao longo do ano, disse Fagan. “Somos um pequeno negócio local”, afirmou, “e isso já está causando um impacto real.”“O fato de isso ser melhor para o meio ambiente é um ótimo benefício adicional”, disse.c.2026 The New York Times CompanyThe post Sua cerveja artesanal da happy hour pode ajudar a combater mudanças climáticas appeared first on InfoMoney.

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