IA pode criar desemprego em massa? Genoa Capital aposta em ganho de produtividade

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A inteligência artificial (IA) dominou o debate econômico nos últimos meses, mas a grande dúvida que persiste entre gestores e economistas ainda não tem resposta clara: a tecnologia vai gerar riqueza ou destruir empregos em escala suficiente para travar o consumo e desacelerar a economia global? A dicotomia é real, os dados são ambíguos e as apostas, divergentes.Para André Raduan, fundador e gestor da Genoa Capital, o cenário mais provável é o otimista — mas com ressalvas importantes. O mercado de trabalho americano já apresenta sinais de retração nas contratações, movimento que pode refletir tanto o enxugamento de quadros inflados no período pós-pandemia quanto os primeiros efeitos concretos da IA sobre a demanda por mão de obra. Até agora, porém, não há demissões em massa — e essa distinção importa.Veja mais: Aftermarket: Com Hormuz fechado e caos global, um Trump sem saída assusta mercadosE também: “Juros insustentáveis vão explodir o país”, alerta CEO da BR PartnersRaduan reconhece que a substituição será desigual entre setores. O sistema financeiro está entre os mais expostos a uma troca mais imediata de funções humanas por automação. Já serviços devem passar por uma transição muito mais lenta. O ponto central do seu argumento é que, ao final do processo, a tecnologia tende a ampliar a capacidade produtiva do trabalhador, não a eliminá-lo por completo.A análise foi feita no programa Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo. Raduan debateu o tema a partir de uma perspectiva macro, conectando os impactos da IA ao comportamento dos bancos centrais, ao mercado de juros e ao posicionamento dos fundos num cenário de incerteza elevada.Gestor alerta: euforia com emergentes pode esconder risco eleitoral no BrasilTrump vai atacar Irã com mais força se Teerã não aceitar a derrota, diz Casa BrancaBolsa assusta no curto prazo, mas juros são o trade mais óbvioSe o desemprego avançar por conta da IA, a reação dos mercados no primeiro momento tende a ser negativa. “Eu acho que no primeiro momento vai assustar, a Bolsa cai, não vai conseguir ler que agora vai começar um desemprego em massa”, previu Raduan. A leitura precipitada do mercado seria de colapso — mas o gestor enxerga um caminho diferente.O raciocínio é que os bancos centrais têm historicamente calibrado sua função de reação com peso maior sobre o emprego do que sobre a inflação. Diante de um aumento estrutural de desemprego, a resposta natural seria cortar juros — e quem tiver espaço para isso, como os Estados Unidos, poderá reestimular a economia com relativa eficiência. A Europa, com taxas já mais baixas, teria menos margem de manobra.Leia tambémTrump vai atacar Irã com mais força se Teerã não aceitar a derrota, diz Casa Branca“O presidente Trump não blefa e está preparado para desencadear o inferno. O Irã não deve calcular mal de novo”, disse porta-vozLula lamenta ausência de Tarcísio em evento e critica governador por Casa PaulistaEm evento, Lula defendeu que governador de São Paulo criou programa para suprimir o nome do ‘Minha Casa, Minha Vida’ mesmo utilizando verbas federaisPor isso, o trade mais atrativo nesse cenário seria em juros, não em renda variável. A lógica é direta: com bancos centrais prontos para reagir ao desemprego via cortes, a curva de juros oferece uma simetria mais favorável do que a bolsa, que carrega “decor para todos os lados”, nas palavras do gestor. Risco controlado, assimetria positiva.A expectativa de Raduan, no entanto, é que o processo seja mais lento e gradual do que o debate atual sugere. Menos contratações, não demissões em massa. Uma readaptação setorial, não uma ruptura abrupta. “A gente vai ter no final das contas um ganho de produtividade”, apostou — com a ressalva de que o caminho até lá pode ter solavancos.The post IA pode criar desemprego em massa? Genoa Capital aposta em ganho de produtividade appeared first on InfoMoney.

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