Nesta quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chefe do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, revelaram um incômodo com os juros cobrados do consumidor e com o endividamento das famílias brasileiras, num momento em que o governo discute medidas para tentar estimular linhas de financiamento mais baratas do que o cartão e o crédito pessoal.Por que a situação preocupa o governo?O quadro preocupa o governo com a proximidade das eleições e fez o presidente Lula chamar uma reunião com vários integrantes da equipe econômica, além de estrategistas políticos, para cobrar medidas.O que Lula disse?Ontem, Lula afirmou ter solicitado ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, a formulação de medidas contra o endividamento das famílias. Em evento no interior de Goiás, ele disse que as dívidas feitas para formar um patrimônio são boas.O problema, segundo o presidente, são aquelas que surgem por causa de compras feitas de vários produtos baratos pela internet, que, ao fim do mês, resultam em uma soma que compromete o orçamento.Leia tambémLula diz que pediu para que Durigan tente resolver ‘problema da dívida das pessoas’Para Lula, a dívida das famílias brasileiras é “um problema” que acaba ofuscando o avanço da economia do paísGalípolo: impacto de petróleo no PIB precisa de análise, pois não é via demandaA declaração foi realizada durante entrevista coletiva sobre o Relatório de Política Monetária (RPM) do 1º trimestre de 2026— Aí a gente começa a ficar zangado: Pô, trabalhei o mês inteiro, peguei meu salário e não sobrou nada. Aí quem que você xinga? O governo. É lógico. Porque o mundo é assim. Sabe, primeiro é Deus, porque tudo que dá errado ou dá certo é culpa de Deus também. E no governo é só o que dá errado. Eu sei que a cabeça das pessoas funciona assim – afirmou o presidente.O que dizem os númerosO estoque de financiamentos com cartão de crédito, por exemplo, cresceu 16,1% nos últimos 12 meses, ritmo similar ao do crédito pessoal não consignado.Só no rotativo, subiu 31% no período.Esse movimento ocorreu no mesmo período em que operações bem mais baratas, como a linha de crédito com desconto em folha para aposentados do INSS, ficaram estagnadas ou perderam muito do interesse, como a antecipação do saque-aniversário.O endividamento das famílias tem crescido no último ano e o comprometimento da renda com pagamento de dívidas bancárias saltou de 27,5% para 29,2% no intervalo de um ano.Dados apresentados pelo presidente do BC mostram que há 101 milhões de clientes de cartão de crédito no país. Desses, 40 milhões estão no rotativo, sujeitos a taxas de 424,5% ao ano, em média, o juro mais caro no mercado.Na modalidade de parcelamento pela instituição financeira, cuja taxa média é de 194,9% ao ano, há 37 milhões de pessoas. O BC esclarece que tem sobreposição nesses números — uma mesma pessoa pode estar em mais de uma modalidade.Galípolo também destrinchou o número de pessoas que acessam as outras modalidades de crédito. O acesso ao consignado é de quase 30 milhões de pessoas, com taxas que variam, em média, de 22% (público) a 51% (privado). Já 49 milhões de pessoas acessam o não consignado, com taxas de 100%.— A grande maioria (que tem crédito) está pagando taxa acima de 100% (ao ano) nas linhas de crédito emergencial, o que envolve uma discussão estrutural desse arranjo — defendeu o presidente do BC.Qual a ideia em discussão?A ideia agora é estimular os consumidores a buscarem opções mais em conta.O consignado privado é uma delas e tem crescido depois das medidas do governo. Para esse produto, o governo planeja atuar no sentido de conter casos de taxas de juros abusivas, mas a ideia de um teto (mesmo ancorado em taxas de mercado) perdeu força.Agora, a lógica é similar à da implementada no setor de combustíveis: pressionar diretamente os casos de taxas anormais com sanções — a definição de preço anormal deve ser baseada na média do mercado.The post Entenda os dados sobre endividamento das famílias que acenderam alerta no governo appeared first on InfoMoney.
