A eleição presidencial de 2026 começa a ser tratada no mercado menos como uma disputa previsível e mais como um evento de risco. Diante de um cenário polarizado, com poucas definições e alta incerteza, uma recomendação ganha força entre analistas. “Mais importante do que acertar o resultado é preparar a carteira para diferentes cenários”. Essa foi a avaliação do analista de política da XP, Victor Scalet, em participação no Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, que foi ao ar nesta sexta-feira (27). O analista também pontuou que experiências anteriores de ciclos eleitorais mostram que os investidores têm algum tipo de aversão a risco. A partir dessa premissa, a estratégia tende a mudar. Em vez de apostar em um único desfecho eleitoral, o foco passa a ser a construção de proteção contra oscilações.Eleição como evento de riscoA incerteza não é apenas política, ela se traduz em volatilidade potencial nos ativos. Com candidatos ainda pouco definidos em termos de agenda econômica e um ambiente de campanha que evita propostas mais duras, o mercado deve reagir mais a sinais do que a planos concretos.Nesse contexto, tentar antecipar o resultado pode ser menos eficiente do que estruturar a carteira para diferentes possibilidades. “Você tem que fazer estratégia na sua carteira para tentar mitigar esse risco”, destacou o analista.A leitura é que a eleição funciona como um evento binário, com impacto relevante dependendo do desfecho, e com baixa previsibilidade neste estágio. “Pode ser um evento binário, de quase jogar uma moedinha para cima”, afirmou.Mais proteção, menos apostaDiante desse cenário, a diversificação e o uso de ativos com comportamentos distintos ganham protagonismo. A ideia é reduzir a exposição a movimentos bruscos e equilibrar a carteira independentemente do resultado eleitoral.Os especialistas destacam que há diferentes caminhos possíveis, dependendo do perfil de risco do investidor. “Você pode ter ativos domésticos menos correlacionados, pode ir para ativos lá fora, pode ter ativos que pagam de forma assimétrica para uma candidatura ou para outra”, explicou Scalet.Esse tipo de abordagem permite montar estruturas que não dependem de um único cenário político, reduzindo a vulnerabilidade a surpresas ao longo da campanha.Convicção tem custoPara investidores com maior tolerância ao risco, ainda há espaço para apostas direcionais. Mas mesmo nesses casos, o custo do erro tende a ser elevado, especialmente em um ambiente de alta volatilidade.“Se a pessoa tiver muita convicção, pode tomar a decisão de ir para um lado ou para o outro”, disse o analista.A diferença é que, neste ciclo, a margem para erro pode ser menor. Com pesquisas instáveis, indefinição de candidaturas e ausência de propostas detalhadas, a eleição tende a produzir movimentos rápidos e, em alguns casos, difíceis de antecipar.Para o investidor, mais do que tentar acertar o resultado, o desafio está em atravessar o processo com o menor risco possível, e, se possível, capturar oportunidades no caminho.O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 5h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.The post Investidor deve para de tentar prever resultado eleitoral e se proteger, diz analista appeared first on InfoMoney.
