Brasil tem “arma secreta” contra crise do petróleo, aponta The Economist

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A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã disparou o preço do petróleo e pegou a maior parte do mundo de surpresa. Para a revista The Economist, porém, o Brasil estava melhor preparado, amparado por uma das indústrias de biocombustíveis “mais sofisticadas do planeta”.A reportagem cita o papel da Petrobras na absorção de custos, mas ressalta que a competitividade dos biocombustíveis foi essencial para reduzir os impactos negativos da guerra sobre a economia do país.Leia tambémGoldman: Petrobras pode perder competitividade no curto prazo por alta no petróleoRelatório do banco estrangeiro destaca que ausência de repasse nos preços de combustíveis poderia compensar ganhos da petroleira com alta da commodity Petróleo sobe e brent supera US$ 110 o barril com expectativa por guerra prolongadaTrump afirmou em uma publicação nas redes sociais na quinta-feira que as negociações com o Irã estavam “indo muito bem”A publicação lembra que o Brasil é o segundo maior produtor de etanol do mundo e o terceiro maior de biodiesel. A The Economist também destaca que cerca de três quartos dos veículos leves brasileiros são flex, ou seja, funcionam com álcool ou gasolina. “Isso reduz a dependência do Brasil em relação aos combustíveis fósseis estrangeiros e protege contra mercados inflamados”, diz o texto.Embora o Brasil tenha registrado aumento no preço dos combustíveis desde o início da guerra, a revista aponta que a alta foi menor do que a observada em outros países. No Brasil, os preços subiram entre 10% e 20%, contra 30% a 40% nos Estados Unidos.Ainda que em menor intensidade, o Brasil já sente os efeitos da alta global dos combustíveis. O avanço do diesel, por exemplo, chegou a alimentar a expectativa de uma eventual greve de caminhoneiros, hoje descartada. Como a maior parte do transporte de cargas no país é feita por caminhões, o aumento do diesel pode gerar um efeito dominó sobre os preços de outros produtos.Biocombustíveis protegem o paísÀ The Economist, Evandro Gussi, da Unica, associação comercial do setor de etanol, afirmou que “esta não é a primeira vez que os biocombustíveis protegem o Brasil”. Ele destacou que, para reforçar a independência energética, o país investiu no desenvolvimento desse tipo de combustível, especialmente com a criação do Proálcool, após a crise do petróleo em 1973, e com o lançamento dos primeiros carros flex, em 2003.A revista britânica também aponta o presidente Lula como um entusiasta dos biocombustíveis. Segundo a publicação, ele vê o setor como uma forma de fortalecer a soberania do país — que ainda importa petróleo —, reduzir as emissões de gases poluentes e apoiar produtores rurais.“Os biocombustíveis não conseguem eliminar os custos impostos pela alta dos preços do petróleo. Se o etanol ficar mais barato que a gasolina e os brasileiros começarem a consumi-lo mais, o preço do etanol poderá subir. Os altos preços do gás natural levam a altos preços dos fertilizantes, o que também pode prejudicar os biocombustíveis”, explicou Mário Campos, da Bioenergia Brasil, à The Economist. “Mas os produtores de biocombustíveis têm muito a ganhar com o caos no Oriente Médio”, completou.The post Brasil tem “arma secreta” contra crise do petróleo, aponta The Economist appeared first on InfoMoney.

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