OMC sofre novo golpe após tentativa de reforma fracassar em reunião em Camarões

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YAOUNDÉ, 30 Mar (Reuters) – As negociações da Organização Mundial do ⁠Comércio se encerraram nesta segunda-feira sem qualquer acordo sobre um plano de reforma ou mesmo sobre ⁠a extensão de uma moratória sobre o comércio eletrônico, aumentando a pressão sobre o órgão comercial que se vê ‌cada vez mais marginalizado pelo nacionalismo econômico.As conversações ministeriais de quatro dias em Yaoundé, capital de Camarões, terminaram na madrugada com o Brasil bloqueando uma proposta dos EUA e de outros países para prolongar uma moratória sobre as taxas alfandegárias para transmissões eletrônicas, ‌como downloads digitais e streaming.‘Isso marca mais uma rachadura nos alicerces do sistema da OMC’, disse Andrew Wilson, secretário-geral adjunto da Câmara de Comércio Internacional, pedindo aos delegados que renovem a moratória antes que os estados imponham novas taxas aos serviços digitais.As expectativas de progresso eram baixas antes das negociações, mas havia esperanças de que a moratória — que vem sendo renovada regularmente desde 1998 — fosse pelo menos estendida.No final das contas, isso se mostrou impossível. Os ministros do comércio não conseguiram concordar em estendê-la por mais de dois anos, o que não ⁠foi ‌suficiente para os Estados Unidos, disseram diplomatas.Autoridades norte-americanas e grupos empresariais expressaram frustração, e o secretário de Negócios e Comércio da Reino Unido, ⁠Peter Kyle, chamou o fracasso em chegar a um consenso de ‘grande retrocesso para o comércio global’.Leia tambémNegociação na OMC tem impasse após Brasil bloquear acordo sobre tarifas do e-commerceBrasil bloqueou uma proposta dos Estados Unidos e de ‌outros países para prorrogar uma moratória sobre as taxas alfandegárias para transmissões eletrônicasAs negociações eram vistas como um teste para a relevância da OMC após um ano de grande turbulência comercial e interrupções mais recentes devido à guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.Ainda assim, um subconjunto de 66 membros concordou em contornar obstáculos anteriores para dar início ao primeiro acordo de base do mundo sobre regras de comércio digital entre os participantes.‘TIGELA DE ESPAGUETE’Os esforços para reconstruir ​os termos comerciais previsíveis da OMC estão criando ‘uma tigela de espaguete de acordos de livre comércio, iniciativas bilaterais e plurilaterais’, disse Dmitry Grozoubinski, diretor executivo do think tank Geneva Trade Platform.Concordar com uma moratória para o comércio eletrônico era considerado fundamental para ​garantir o apoio dos EUA à OMC, que, sob o comando do presidente Donald Trump, se afastou dos órgãos multilaterais globais.A diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, disse que o órgão comercial esperava que a moratória pudesse ser restaurada e que o Brasil e os EUA estavam tentando chegar a um acordo sobre isso.A OMC disse que houve progresso em um roteiro de reforma, e espera-se que as discussões sobre questões como a reformulação de suas regras para tornar o uso de subsídios mais transparente e facilitar a tomada ‌de decisões continuem em Genebra.Os EUA e a União Europeia argumentam que a China, em ​particular, tem se aproveitado das regras atuais.RESPOSTA DOS EUAOs diplomatas trabalharam durante todo o domingo para fechar a lacuna entre a proposta inicial de dois anos do Brasil sobre a moratória e a dos EUA, que queriam uma prorrogação permanente, elaborando um plano para uma prorrogação de quatro anos com um período de ⁠transição de um ano .Em seguida, o Brasil ofereceu uma ​prorrogação de quatro anos com uma ​cláusula de revisão intermediária, mas não obteve apoio suficiente.Os países em desenvolvimento que se opõem a uma prorrogação longa argumentam que a moratória lhes nega uma possível receita ⁠tributária.Uma autoridade dos EUA disse que o Brasil havia se oposto a ​um ‘documento quase consensual’, afirmando que ‘não são os EUA contra o Brasil. É o Brasil e a Turquia contra 164 membros’. Um diplomata brasileiro disse que ‘os EUA queriam o céu’ e que não era prudente buscar uma extensão mais longa, dada a rápida evolução do comércio digital.Outro diplomata disse que o ​representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, deixou os delegados ‘desconfortáveis’ ao sugerir que haveria ‘consequências naturais’ se uma extensão da moratória de longo prazo não fosse acordada.Uma autoridade dos EUA disse que Greer explicou que a OMC se tornaria ​menos relevante sem esse acordo e que as ⁠discussões sobre comércio digital ocorreriam fora da organização.Keith Rockwell, analista de comércio da Hinrich Foundation e ex-diretor da OMC, disse que os esforços do Brasil para alavancar o comércio ⁠eletrônico em busca de concessões na agricultura fracassaram porque os EUA não estavam mais tão empenhados na OMC.‘Antigamente, por se sentirem responsáveis pelo sistema, os norte-americanos teriam tido que engolir a seco e sofrido um golpe’, disse ele. ‘Mas agora eles não farão mais isso.’Ele disse que o impasse impulsionaria estruturas alternativas como o Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífico, um acordo comercial que engloba 12 países, incluindo Japão, Reino Unido, Canadá, México e Austrália — mas não os EUA.‘Agora o que você verá é muito mais energia e impulso em coisas como o CPTPP’, disse ​Rockwell.The post OMC sofre novo golpe após tentativa de reforma fracassar em reunião em Camarões appeared first on InfoMoney.

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