Da fábrica ao mercado: como funciona o seguro por trás dos ovos de Páscoa?

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Nos corredores de supermercados tomados por fileiras de ovos de Páscoa pendurados nesta época do ano, uma questão passa despercebida pela maioria dos consumidores: como produtos tão frágeis conseguem chegar intactos até ali?O transporte desses ovos de chocolate envolve uma engrenagem logística complexa e cara. Entre riscos de quebra, derretimento e roubo de carga, o seguro se tornou fundamental para proteger milhões de reais que circulam em poucas semanas.De acordo com Denis Teixeira, vice-presidente sênior de logística e transportes da Alper Seguros, o desafio começa na própria natureza do produto.“O seguro de transporte precisa olhar para dois pontos principais: a fragilidade física e a sensibilidade térmica”, explica o especialista. O chocolate, além de altamente suscetível a avarias no manuseio, pode perder completamente o valor comercial com pequenas variações de temperatura.Na prática, isso significa que o seguro tradicional nem sempre é suficiente. Em casos de falha no sistema de refrigeração do caminhão que transporta os produtos, a cobertura básica pode não garantir indenização. “O ideal é que a apólice [contrato de seguro] tenha cláusula específica para deterioração de carga ou variação de temperatura”, diz Teixeira. Sem essa previsão, há risco de negativa da indenização (valor pago pela seguradora ao segurado).Do transporte à gôndolaA malha rodoviária brasileira adiciona outra camada de risco. Trepidações excessivas, buracos e acidentes podem comprometer a integridade dos ovos, conhecidos pela estrutura oca e delicada. Nesses casos, o processo de indenização depende de comprovação rigorosa. Além da fragilidade, o alto valor agregado transforma o chocolate em alvo frequente de roubos de carga, especialmente no período que antecede a Páscoa. O aumento no volume de transportes concentrados em uma janela curta intensifica o problema. Para mitigar perdas, empresas têm ampliado o uso de tecnologias de rastreamento, monitoramento em tempo real e até escolta armada, dependendo da rota e do valor embarcado.Leia mais: Do set ao Oscar: como funciona o seguro por trás de produções como ‘O Agente Secreto’Esse cenário impacta diretamente o custo do seguro. Isso porque o preço da apólice leva em conta variáveis como:tipo e valor da mercadoriasensibilidade térmicaembalagemtrajetohistórico de sinistros (ocorrência do risco previsto no contrato, como roubo)nível de gerenciamento de risco da operaçãoA sazonalidade também pesa: quanto maior a concentração de embarques em pouco tempo, maior a exposição ao risco — e, consequentemente, maior também fica o prêmio (valores que os clientes pagam ao comprar o seguro).No fim, essa conta pode chegar ao consumidor. Segundo Teixeira, possibilidade de roubos, avarias ou falhas operacionais, pressionam fretes, seguros e investimentos em prevenção. “Parte desse custo pode ser repassada ao preço final do produto”, diz. Em anos mais críticos, o impacto pode ser percebido diretamente nas gôndolas.Quer saber mais sobre seguros? Inscreva-se na Segura Essa: a newsletter de Seguros do InfoMoneyEm uma data como a Páscoa, perder a mercadoria na semana decisiva pode significar um prejuízo ainda maior para quem produz e/ou vende, já que não há tempo hábil para reposição e venda.Mais do que indenizar prejuízos, o papel das seguradoras tem evoluído para a prevenção. A atuação inclui análise de rotas, revisão de processos, recomendação de embalagens e definição de estratégias de gerenciamento de risco. “A lógica não é apenas reagir ao sinistro, mas evitar que ele aconteça”, afirma Teixeira.Tem alguma dúvida sobre o tema? Envie para leitor.seguros@infomoney.com.br que buscamos um especialista para responder para você!The post Da fábrica ao mercado: como funciona o seguro por trás dos ovos de Páscoa? appeared first on InfoMoney.

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