O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou nesta segunda-feira o sinal de “cautela” na condução da política de juros, ao fazer discurso em evento na sede da Fundação Getulio Vargas (FGV).– No BC, usei a palavra “cautela” mais vezes do que usei em toda a minha vida. Cautela acompanhada de serenidade – disse Galípolo, que falou sem acompanhar discurso escrito.Segundo o banqueiro central, a menção à serenidade deve-se ao fato de que a cautela serve para “entender melhor” o cenário e tomar decisões “mais seguras”.Leia tambémBanco Central impõe sigilo de 8 anos a documentos da liquidação do Master, diz TVInstituição alega risco à estabilidade e investigações em cursoPara Galípolo, o momento atual da política de juros se beneficia da “cautela”, porque “medidas mais cautelosas nos permitiram enfrentar” o que chamou de mais um “choque de oferta”, de 2020 para cá, “de forma mais confortável”. Segundo Galípolo, essa forma mais confortável inclui crescimento econômico “mais próximo do potencial” e taxa de câmbio comportada.– De outro lado, o mercado de trabalho segue apertado e as expectativas de inflação já estavam desancoradas – completou o presidente do BC.Na semana passada, Galípolo já havia afirmado que o BC tem mantido uma posição conservadora na condução da política de juros. A guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, iniciada na virada de fevereiro para março, atingiu em cheio a rota já traçada pelo BC.Isso porque o encarecimento dos combustíveis, diante da escalada nas cotações do petróleo decorrente do conflito, pode espalhar aumentos de custos pela economia, pressão inflacionária que não estava no cenário.Em janeiro, o BC havia sinalizado que começaria a cortar a Taxa Selic (a taxa básica de juros, hoje em 14,75% ao ano) na reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom). Os juros estão nos maiores níveis em duas décadas e contribuíram para estagnar a economia no segundo semestre do ano passado.Com o início da nova guerra, economistas e investidores passaram a duvidar das condições para seguir com o plano anunciado em janeiro. Os preços dos combustíveis dispararam logo no início de março.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa oscila com alta de PETR4 e bancos e queda de VALE3Bolsas dos EUA têm altas curtas antes do prazo-limite dado por Trump para um acordo com o IrãMesmo assim, o Copom decidiu cortar a Selic, embora o corte tenha vindo menor: antes da guerra, esperava-se uma redução inicial de 0,5 ponto, mas o BC cortou a taxa básica em apenas 0,25 ponto.A reviravolta também mudou as projeções para o ciclo de baixa como um todo. Antes da guerra, economistas estimavam que a Selic chegaria ao fim do ano em 12%, segundo o Boletim Focus, pesquisa sobre projeções que o BC faz com analistas de mercado. A edição mais recente do Focus, divulgada nesta segunda-feira, já aponta para uma Selic em 12,5% no fim do ano.Em parte, como reação ao aumento das projeções para o IPCA, o principal índice de inflação do país, calculado pelo IBGE. Antes da guerra, as projeções apontavam para uma alta de 3,91% no índice este ano, pouco acima da meta perseguida pelo BC, de 3,5% no acumulado em 12 meses.No Focus divulgado nesta segunda-feira, as projeções para o IPCA de 2026 já estão em 4,36%, já perto do teto da meta, que é de 4,5%, considerando a margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menor. The post Galípolo reforça “cautela e serenidade” e denota BC mais contido nos cortes de juros appeared first on InfoMoney.
