Analista pega lancha e vai a Ormuz — e traz visão nada animadora para o petróleo

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Enquanto gestores de Wall Street admitiam não ter informação melhor do que a de qualquer telespectador de TV sobre o Estreito de Ormuz, a Citrini Research tomou uma decisão incomum: mandou um analista para lá.O profissional, identificado pela firma apenas como Analista #3 para preservar sua segurança, é quadrilíngue, fala árabe e não é americano. Partiu de Nova York com US$ 15 mil (R$ 77 mil) em espécie, charutos cubanos, um estojo Pelican com câmera de 150x de zoom e um gimbal. O destino era a Península de Musandam, no norte de Omã, a poucos quilômetros do litoral iraniano.Leia tambémNova crise do petróleo é pior do que as de 1973, 1979 e 2022 juntas, diz chefe da IEAFatih Birol classifica bloqueio no Estreito de Ormuz pelo Irã como interrupção de magnitude inédita; países em desenvolvimento são os mais vulneráveis à inflação de combustíveis e alimentosIrã ameaça atacar alvos energéticos e privar região de petróleo e gás por anosPaís disse que ter atingido “bases e interesses dos EUA no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz, além de centros militares e de comando em territórios palestinos ocupados”“O Morgan Stanley não está mandando analistas de investimento para Fujairah”, disse James van Geelen, fundador da Citrini, em entrevista ao à revista New York Magazine. “O hotel está praticamente vazio, exceto por seis caras de terno.”O analista navegou pelo estreito em uma lancha sem GPS, a 18 milhas da costa do Irã, enquanto drones Shahed sobrevoavam a área e embarcações da Guarda Revolucionária Iraniana faziam patrulha. Foi interceptado pela Guarda Costeira de Omã, detido e teve o celular confiscado.O que ele encontrou contradiz a narrativa dominante nos mercados de que o estreito está efetivamente fechado.Segundo o relatório da Citrini, o tráfego de navios está se recuperando, com aproximadamente 15 embarcações por dia nos momentos de maior fluxo. O número está bem abaixo do normal, mas indica uma disrupção parcial, não absoluta. Parte significativa dos navios transita pelo Canal de Qeshm, um corredor menos visível próximo a uma ilha iraniana, e com os transponders AIS desligados, o que faz com que não apareçam nos sistemas públicos de rastreamento.“Tanques passando quatro ou cinco por dia, completamente invisíveis no AIS. O volume é maior do que os dados sugerem, e tem acelerado nos últimos dias pelo canal de Qeshm”, diz trecho do relatório.A maioria das embarcações observadas era de bandeira chinesa, em navios que, segundo fontes ouvidas pelo analista, pagaram ao Irã pelo direito de passagem. O quadro descrito é de controle seletivo pelo Irã de quem atravessa o estreito.Van Geelen disse à New York Magazine que as fontes consultadas pelo analista, entre capitães de petroleiros, corretores marítimos, pescadores locais, contrabandistas e oficiais omanis, relataram um volume de ataques iranianos a embarcações maior do que o noticiado. “De tudo o que pudemos apurar, houve muito mais ataques de mísseis do que qualquer pessoa realmente sabe”, afirmou.O fundador da Citrini descreveu o ambiente local como de forte antecipação de escalada. “Parece que cada pessoa com quem conversamos está se preparando para um conflito de meses, no mínimo”, disse.A tese de investimento da firma decorre diretamente dessa leitura de campo. A Citrini afirma que a interrupção deve ser mais prolongada do que o mercado precifica, criando um prêmio de risco permanente no petróleo. A preferência da firma é por contratos de WTI com vencimento em dezembro de 2026, em vez dos contratos do mês mais próximo.“Não vejo muito risco precificado de que isso seja um conflito prolongado e complexo”, disse van Geelen. “Eu estava realmente esperando ir lá e descobrir que tudo estava bem, mas até agora não foi o caso.”Com o petróleo em torno de US$ 110 por barril, o fundador da Citrini avaliou os limites de tolerância da economia americana: preços médios de US$ 90 por barril por seis meses seriam administráveis, mas US$ 120, combinados com trigo e fertilizantes 50% mais caros, “podem levar a algumas coisas desagradáveis”.A Citrini ganhou visibilidade em fevereiro, quando um relatório seu sobre os efeitos econômicos da inteligência artificial provocou queda de US$ 200 bilhões em valor de mercado de empresas de tecnologia. A casa é pequena, mas administra atualmente o maior blog de finanças do Substack, com mais de 204 mil assinantes.The post Analista pega lancha e vai a Ormuz — e traz visão nada animadora para o petróleo appeared first on InfoMoney.

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