‘Bessias’, caso Master e Lula: o que a oposição deve explorar na sabatina de Messias

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A sabatina de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), marcada para o próximo dia 29, deve se transformar em um dos principais campos de disputa política no Senado, com a oposição preparando uma ofensiva concentrada em três frentes: sua proximidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, episódios de sua trajetória — como o apelido “Bessias” — e o avanço das investigações envolvendo o Banco Master.Nos bastidores, senadores relatam que o objetivo não será apenas discutir o currículo jurídico do indicado, mas submetê-lo a um teste político sobre independência e atuação institucional, em linha com o papel que deverá exercer na Corte.Leia tambémSabatina de Messias para o STF deve ocorrer no dia 29, diz relator na CCJ do SenadoVotação da indicação deve ocorrer no mesmo dia tanto no colegiado quanto no plenário da casa, segundo o parlamentarSenador Weverton Rocha é oficializado relator da indicação de Jorge Messias ao STFRelatório deve ser lido no dia 15, e sabatina na CCJ está prevista para o dia 29; indicado de Lula precisa de ao menos 41 votos no plenário do Senado‘Bessias’ e o histórico políticoUm dos pontos que deve ser resgatado durante a sabatina é a citação de Messias em conversa entre Lula e a então presidente Dilma Rousseff, interceptada pela Polícia Federal em 2016, no contexto da Operação Lava-Jato. No diálogo, Dilma menciona o envio de um documento por meio de “Bessias”, apelido que passou a acompanhar o atual chefe da AGU.O episódio ganhou repercussão nacional à época e foi amplamente explorado no debate político e jurídico sobre a tentativa de nomeação de Lula para a Casa Civil.Interlocutores da oposição afirmam que a estratégia será resgatar o caso para sustentar a tese de que Messias construiu sua trajetória mais no campo político do que técnico.Proximidade com Lula e dilemas na AGUA relação direta com o presidente também deve ser um dos eixos centrais da sabatina. Como advogado-geral da União, Messias atua como principal responsável pela defesa jurídica do Executivo — posição que o coloca, na prática, no centro de disputas institucionais sensíveis e com potencial de desgaste político no Senado e no próprio Supremo.Nos bastidores, senadores avaliam que esse histórico recente abre uma frente adicional de questionamentos sobre sua capacidade de atuar com independência na Corte.À frente da AGU, Messias tem sido chamado a se posicionar em temas que tensionam simultaneamente Congresso e STF.Um dos focos de desgaste é sua atuação na agenda de transparência das emendas parlamentares. Sob sua gestão, a AGU criou um grupo de trabalho para tratar sobre irregularidades na execução desses recursos, em cumprimento a decisões do Supremo. A medida, no entanto, gerou incômodo entre senadores, que viram o movimento como alinhado a uma agenda de maior controle sobre o Legislativo.Em outra frente, durante a reação do Congresso a uma liminar do ministro Gilmar Mendes sobre regras para pedidos de impeachment de integrantes da Corte, Messias optou por pedir a revisão da decisão.Nos bastidores, o gesto foi interpretado como uma tentativa de acomodar o conflito com o Senado, sem romper com o Supremo.Esse conjunto de episódios alimenta, entre parlamentares, a avaliação de que o indicado chega ao STF carregando posições recentes em disputas entre os Poderes. Senadores pretendem explorar esse histórico para questioná-lo diretamente sobre como pretende se comportar em casos que envolvam o Executivo, o Congresso e o próprio STF.Caso Master entra no radarO caso do Banco Master, que ganhou tração recente no Congresso e no Supremo, deve funcionar como outro eixo de pressão. A investigação passou a mobilizar diferentes frentes — incluindo CPIs no Senado — e levantou questionamentos sobre relações entre instituições financeiras, autoridades públicas e decisões judiciais.Senadores afirmam que o tema será usado para testar a posição de Messias sobre transparência, governança e controle institucional, além de sua disposição em lidar com investigações de alto impacto político e econômico.Interlocutores avaliam que o episódio pode servir como porta de entrada para questionamentos mais amplos sobre como o indicado se posicionaria em casos envolvendo integrantes do próprio Judiciário.Para parlamentares, a sabatina deve assumir o formato de um “teste de autonomia”, no qual Messias será cobrado não apenas por posições jurídicas, mas por sua capacidade de se desvincular de sua trajetória no Executivo.O desenho da sabatina, segundo esses relatos, tende a se organizar entre os temas de independência em relação ao governo, relação com outros Poderes — especialmente o próprio STF —, e atuação em momentos de crise institucional.Embora aliados do governo avaliem que o indicado chega com apoio suficiente para avançar, reconhecem que o ambiente tende a ser mais político do que técnico.A expectativa é de uma sessão longa, com forte carga de exposição pública e tentativa de marcação de posição por parte da oposição. A sabatina ocorre na manhã da quarta-feira (29) e, caso seja aprovado na CCJ, será avalizado pelo plenário no mesmo dia.The post ‘Bessias’, caso Master e Lula: o que a oposição deve explorar na sabatina de Messias appeared first on InfoMoney.

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