Imposto de Renda para idosos: organização financeira evita erros e malha fina

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Com o aumento da longevidade no Brasil e a diversificação das fontes de renda ao longo da vida, idosos têm enfrentado novos desafios na hora de prestar contas ao leão. A declaração do Imposto de Renda deixou de ser um processo simples, restrito à aposentadoria, e passou a envolver rendimentos de diferentes origens, o que exige organização, atenção e planejamento ao longo de todo o ano.Especialistas ouvidos pelo InfoMoney apontam que o principal erro ainda começa muito antes do prazo de entrega: a falta de organização financeira.De acordo com Janaína Gimael, educadora financeira e especialista em desenvolvimento humano do Instituto de Longevidade MAG, tentar organizar tudo apenas no período da declaração é um dos principais equívocos e pode custar caro.Leia mais: PGBL pode gerar economia de até R$ 4,3 bilhões no Imposto de Renda em 2026“O ideal é um acompanhamento contínuo. Quem organiza as finanças de forma contínua consegue ganhar transparência no que acontece com o bolso e declara o IR de forma muito mais ágil e sem risco”, diz.Segundo Gimael, entre os erros mais comuns que levam idosos à malha fina estão:omissão de rendimentos; divergência de valores declarados; inclusão de despesas não dedutíveis, como medicamentos; tentativa de declarar gastos com pessoas que não são dependentes legais.Para ajudar esse momento a se tornar um hábito para todo o ano, Gimael recomenda:Separar os documentos: Seja em pastas digitais ou físicas, vale manter os documentos como recibos médicos e comprovantes de pagamento, além de documentos relacionados a seguros e propriedades, em um local separado. Isso auxilia o momento de recolher esses dados para a prestação de contas. Registros de rendimentos, aposentadoria e outras fontes de renda também entram nessa lista. Manter somente os documentos que sejam realmente necessários: Sempre que possível, descarte aqueles papéis em excesso para manter o foco na organização. Quanto menos acúmulo, melhor.  Organizar as despesas dedutíveis: Gastos com dependentes legais, saúde (pagamento a planos de saúde, consultas, exames, terapias e internações), despesas com educação, contribuições à previdência privada e pensão alimentícia podem ser considerados despesas dedutíveis. Saiba quais se encaixam no seu caso. Ter uma maior atenção com os gastos: Saber como suas despesas diárias, semanais ou mensais funcionam pode colaborar positivamente para o momento de realizar a declaração. Leia também: Aposentadoria ou herança? Imposto pode mudar sua estratégia na previdência privadaMais fontes de renda, mais atenção na declaraçãoSe antes a aposentadoria era, para muitos, a única fonte de renda na terceira idade, hoje o cenário mudou. Atualmente é comum que idosos acumulem ganhos provenientes de aluguéis, investimentos, previdência privada e até atividades profissionais pontuais, o que torna a declaração mais complexa e sujeita a erros.“As fontes de renda a serem declaradas no IR que mais geram dúvidas estão ligadas a recebimentos de aluguéis, dividendos, resgates de fundos e planos de previdência, aposentadorias e pensões, por serem os resultados naturais da fase de usufruto”, explica Amâncio Paladino, diretor da XP Vida e Previdência.Leia mais: Longevidade em foco: como mulheres podem chegar aos 80 sem aperto financeiroExiste idade para parar de declarar?Não há uma idade limite que dispense automaticamente o contribuinte de declarar o Imposto de Renda. Segundo o advogado tributarista Guilherme Pedrozo, sócio do João Ernani Rodrigues da Silva & Advogados Associados, a obrigatoriedade está ligada aos critérios de renda, patrimônio e movimentações financeiras — e não à idade.Na prática, isso significa que tanto um idoso quanto um jovem estarão sujeitos às mesmas regras: se ultrapassarem os limites definidos pela Receita, precisam declarar.“Uma pessoa de 80 anos pode ser isenta de declarar se estiver dentro dos limites de renda e patrimônio. Já uma pessoa de 20 anos, se ultrapassar os limites, terá que declarar. Ou seja, a regra é mesma para todos, independentemente de aposentadoria ou idade.”— Guilherme Pedrozo, advogado tributaristaEntre os principais critérios de obrigatoriedade estão:rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584 no ano;patrimônio superior a R$ 800 mil;rendimentos isentos acima de R$ 200 mil;ganhos de capital, como venda de imóveis ou investimentos.No caso dos aposentados, o ponto de atenção costuma ser a soma da aposentadoria com outras fontes de renda, como aluguel ou aplicações financeiras.Leia também: Como a reforma tributária pode impactar a transferência de bens?Idosos têm isenção no Imposto de Renda?“Não há dispensa formal apenas por ‘ser idoso’”, ressalta Pedrozo.Há um benefício específico para quem tem 65 anos ou mais: uma parcela da aposentadoria ou pensão é isenta de imposto até um limite anual (cerca de R$ 24,7 mil, conforme valores de referência). Esse valor reduz a base de cálculo do imposto, mas não elimina, por si só, a obrigação de declarar.Outro ponto importante é que essa isenção não dispensa o envio da declaração. O contribuinte precisa preencher normalmente os dados — e o próprio programa da Receita faz a separação da parcela isenta.E quem vive apenas do INSS?Mesmo quem recebe exclusivamente aposentadoria do INSS pode ser obrigado a declarar, dependendo de alguns fatores:se a renda anual ultrapassar o limite de rendimentos tributáveis;se possuir bens acima de R$ 800 mil;se tiver rendimentos isentos elevados;se realizar operações como venda de imóveis ou investimentos com ganho de capital.Na prática, um idoso que vive apenas do INSS e está dentro dos limites de renda e patrimônio geralmente está dispensado. Mas basta se enquadrar em um dos critérios acima para que a obrigação exista — independentemente da idade.Tem alguma dúvida sobre o tema? Envie para leitor.seguros@infomoney.com.br que buscamos a resposta para você!The post Imposto de Renda para idosos: organização financeira evita erros e malha fina appeared first on InfoMoney.

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