Presidente interino do Cade deixa autarquia e será substituído por outro provisório

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O conselheiro Gustavo Augusto Freitas de Lima deixa o comando do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) nesta semana, após nove meses como presidente interino, ainda sem substituto indicado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na ausência de sinais de definição do novo titular pelo Palácio do Planalto, Gustavo Augusto será substituído, a partir do dia 12 de abril, por outro interino – o conselheiro Diogo Thomson, que se tornará o mais antigo -, até que o governo indique um nome para presidir o órgão.Com o mandato de conselheiro se encerrando no próximo dia 11, Gustavo deixará a autarquia e, nesta quarta-feira, 8, conduz sua última sessão de julgamento no tribunal. Antes da sessão, ocorreu sua despedida, com a presença, entre outras autoridades, do ex-presidente do Cade Alexandre Cordeiro, seu antecessor direto no posto, e do ex-advogado-geral da União Bruno Bianco.Leia também: Pressão por denúncia de “gun jumping” faz Azul e American notificarem o Cade“Ao longo de todos esses anos, você foi surpreendendo a todos nós. E foi evoluindo bastante desde o primeiro dia que você entrou aqui, até sentar nessa cadeira de presidente”, disse Cordeiro em homenagem a Gustavo. “Poucas vezes eu passei por várias formações, mas eu vi um conselheiro tão dedicado ao seu trabalho. Isso é uma coisa incontestável, é a sua dedicação enquanto você trabalhou no Cade”, elogiou.O Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) apurou que as indicações ao Cade seguem emperradas e dependem da aprovação de outras indicações que precisam passar pelo Senado Federal. A principal delas é a do atual ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Enquanto isso, o Cade seguirá operando no limite, com quatro conselheiros.Leia também: Cade reprova duas potenciais compradoras apresentadas pela Bimbo para marca NutrellaA interinidade de Gustavo Augusto – iniciada em meados de julho de 2025, após a saída de Cordeiro – foi marcada por uma divisão dentro do tribunal, com Augusto pertencendo à ala minoritária. Ele se opôs aos conselheiros José Levi Mello do Amaral Júnior, Camila Cabral, Diogo Thomson e ao agora ex-conselheiro Victor Fernandes, ficando vencido junto com o conselheiro Carlos Jacques.Em algumas sessões, o clima esquentou nas sessões públicas do tribunal, que ocorrem às quartas-feiras, com trocas de farpas entre os conselheiros. Em meio aos embates, a gestão de Gustavo Augusto foi marcada pela aprovação de fusões de grande repercussão, como as varejistas Petz e Cobasi e as empresas alimentícias BRF e Marfrig, além de julgamentos sobre operações envolvendo empresas aéreas e big techs.O conselheiro Carlos Jacques, amigo pessoal de Gustavo Augusto há décadas, desde o Colégio Naval, em Angra dos Reis (RJ), fez um discurso emocionado, no qual destacou a trajetória pessoal e profissional do colega. “Conduzir um colegiado não é tarefa fácil, exige boa vontade, dedicação e vocação. E sua postura sempre nos incentivou ao permanente aprendizado profissional, o qual também se concretiza em um desenvolvimento coletivo”, disse.Leia também: Secretaria-Geral do Cade abre investigação sobre 99Food a pedido da KeetaPor sua vez, o superintendente-geral, Alexandre Barreto, sustentou que Gustavo Augusto sempre esteve aberto ao diálogo, defendendo de maneira firme seu ponto de vista. “Você, Gustavo, jamais teve receio de expor as suas ideias, com muita coragem. Por vezes, ideias que num primeiro momento não agregavam a unanimidade, mas sempre muito firme na defesa das suas convicções. E essa é uma característica imprescindível para um julgador. Ele tem coragem de defender seu ponto de vista e coragem de tomar as suas decisões”, destacou.“Tenha a convicção que você termina o seu mandato tendo contribuído decisivamente para o engrandecimento do Cade. Hoje, definitivamente, queremos o Cade como um ator importante nas grandes discussões nacionais. Você jamais se furtou a fazer parte dessas discussões”, acrescentou Barreto.O Cade está no centro do projeto de lei do Poder Executivo que regula a concorrência entre plataformas de internet. Isso porque o projeto cria a Superintendência de Mercados Digitais (SMD), no âmbito da autarquia, e dá novas atribuições ao órgão, como a designação de agentes econômicos de relevância sistêmica em mercados digitais.Leia também: Cade aprova compra da participação da Votorantim na CBA por Chinalco e Rio TintoTambém passa a ser função do conselho decidir e fiscalizar sobre as obrigações especiais desses agentes e julgar processos e sanções administrativas em caso de descumprimento. Em meados de março, o projeto teve urgência aprovada pelo plenário da Câmara dos Deputados, instrumento que acelera a tramitação do texto, criticado pelas big techs, que pedem mais tempo para análise.Outro tema sensível em que a autarquia vem sendo chamada pelo governo a atuar mais intensamente é o mercado de combustíveis, em meio ao aumento de preços decorrente da guerra no Irã. Nesta terça-feira, 7, a pedido do Ministério da Justiça, a Superintendência-Geral do Cade instaurou um inquérito administrativo para investigar a conduta de dirigentes dos sindicatos de revendedores de combustíveis dos Estados da Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul.Leia também: Superintendência-geral do Cade aprova entrada da IG4 como acionista da BraskemQuórum no tribunalCom a saída de Gustavo Augusto, o órgão de defesa da concorrência ficará com quatro membros – Diogo Thomson, Carlos Jacques, Camila Cabral e José Levi -, o mínimo necessário para a votação de atos de concentração. O presidente também vota nos processos, inclusive na condição de relator.Em março, José Levi havia indicado a colegas a possibilidade de renunciar ao mandato, que se estenderia até janeiro de 2028. Contudo, a informação atualizada é de que ele não deverá deixar o órgão neste momento.O conselheiro e futuro presidente interino Diogo Thomson já foi superintendente-geral adjunto, o que o leva a se declarar impedido em alguns casos sob apreciação do tribunal, limitando ainda mais o quórum.Segundo advogados e economistas que atuam no Cade, com quatro conselheiros, não deverá se repetir o cenário de 2019 e 2023, quando os prazos chegaram a ser interrompidos. Sem quórum, as empresas ficam impedidas de concluir suas operações até que se restabeleça o número mínimo de conselheiros para os julgamentos.Leia também: Tecnisa aceita proposta do BTG para comprar 26% da Windsor por R$ 260,9 miO nome mais cotado para presidir o Cade de maneira efetiva, isto é, com a indicação do Poder Executivo, é o do conselheiro Carlos Jacques, ligado ao ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG).Outros nomes são ventilados nos bastidores, incluindo advogados com atuação no órgão, mas ainda não há sinais de que o governo tenha se acertado com o Senado para definir as indicações.The post Presidente interino do Cade deixa autarquia e será substituído por outro provisório appeared first on InfoMoney.

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