Flávio, Caiado e Zema buscam apoio de líderes evangélicos, que cobram vaga ao Senado

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O avanço de Flávio Bolsonaro (PL) sobre lideranças evangélicas nas últimas semanas forçou uma reação de adversários e intensificou a disputa com Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) por um dos segmentos mais estratégicos da pré-campanha presidencial.A movimentação, que combina agendas em igrejas, encontros reservados e articulação com líderes religiosos, passou a ditar a agenda dos nomes que buscam representar forças políticas à direita. Com 26,9% da população brasileira declarada evangélica, segundo o último Censo, esse estrato se consolidou como um das principais fatias do eleitorado para a busca de votos.Leia tambémLula só será eleito se forem construídas alianças nos Estados, diz presidente do PTEdinho Silva afirmou que o partido ampliará os apoios nos Estados para que seja construída uma aliança nacional de sustentação a LulaLula sofre com desgaste que a política vive por causa da corrupção, diz Edinho SilvaPresidente do PT admite impacto de escândalos na imagem do governo enquanto avaliação positiva recua para 29% e apoio no Nordeste atinge mínima históricaPrincipal adversário de Luiz Inácio Lula da Silva, segundo as pesquisas eleitorais, Flávio passou por dificuldades nas últimas semanas para dialogar com líderes evangélicos. Parte dos nomes que orbitam o bolsonarismo o acusaram de descumprir um acordo político relevante. O motivo é a não indicação de um nome ligado ao grupo ao Senado em São Paulo.Segundo relatos feitos ao GLOBO, o entendimento havia sido firmado com o ex-presidente Jair Bolsonaro e envolvia a indicação de um nome com ligações com as igrejas, como os deputados Cezinha de Madureira e Marco Feliciano, ambos do PL. Cezinha se filiou à legenda durante a janela partidária.Tensão internaO acordo não se concretizou. A vaga passou a ser disputada por diferentes alas do PL e se transformou em um dos principais pontos de tensão interna do partido. O presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, defende o nome do presidente da Alesp, André do Prado, enquanto o deputado Eduardo Bolsonaro atua para emplacar aliados próximos, como Mário Frias.Na prática, o movimento esvaziou o espaço que havia sido negociado com lideranças evangélicas.A reação veio em diferentes frentes. Publicamente, o deputado Marco Feliciano cobrou Flávio durante visita à Assembleia de Deus Ministério do Belém, na última segunda-feira, em São Paulo:— Quando é que você e sua família passarão a tratar os evangélicos com a reciprocidade que a gente merece, em vez de uma relação de via única?Nos bastidores, o episódio é lido como parte de um incômodo mais amplo. Interlocutores do segmento afirmam que o grupo se considera preterido após sucessivas negociações frustradas. Um dos episódios citados é a disputa ao Senado em 2022, quando Feliciano esperava ser o candidato, mas acabou substituído pelo então ministro Marcos Pontes.O desgaste abriu espaço para movimentações paralelas. Parte dessas lideranças passou a buscar alternativas dentro do próprio campo da direita, movimento que favorece a entrada de Ronaldo Caiado na corrida.Sem presença consolidada entre os evangélicos, o ex-governador de Goiás intensificou a aproximação com operadores religiosos e passou a oferecer espaço político em sua estrutura.O movimento incluiu o aceno de lideranças ligadas à Assembleia de Deus Ministério Madureira. Da denominação de Cezinha de Madureira e Marco Feliciano, o bispo Samuel Ferreira formalizou apoio ao goiano após ganhar espaço na articulação local, com a indicação do senador Vanderlan Cardoso (PSD) na chapa de seu sucessor, Daniel Vilela (MDB).Procurado, o bispo Samuel Ferreira afirmou:— Tenho respeito pelo governador Caiado e por sua trajetória pública. Mais do que apoio pessoal, o que norteia minha posição é o compromisso com princípios.A avaliação entre aliados é que o episódio pode afetar a capacidade de mobilização da campanha de Flávio em parte das principais redes evangélicas, especialmente em São Paulo. Integrantes do PL, por sua vez, minimizam o impacto e afirmam que a interlocução segue ativa.Púlpitos e intermediáriosApesar do desentendimento, Flávio segue um roteiro estruturado para se aproximar dos religiosos, como o seu pai empreendeu em 2018.Essa articulação tem sido centralizada no deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), pastor licenciado da Assembleia de Deus, responsável por ordenar o acesso às diferentes denominações.A pré-candidatura montou uma fila de prioridades com base no tamanho das igrejas, sua capacidade de mobilização e presença nacional. A estratégia busca evitar desgaste em agendas prematuras e organizar a entrada nas diferentes estruturas religiosas.Após agendas com a Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), apontada como a maior do país, a campanha passou a avançar dentro do próprio universo assembleiano.A partir daí, passou a mirar outras denominações, como igrejas Quadrangular, batistas e a Congregação Cristã no Brasil. Na sequência, entram estruturas como a Assembleia de Deus Ministério Madureira, além de igrejas como Graça, Mundial, Deus é Amor, Casa da Benção e O Brasil Para Cristo.Nesse grupo, Madureira é tratada como uma das etapas centrais. A interlocução deve ser conduzida pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto.Lideranças da denominação resistiam a uma associação direta com o bolsonarismo, diante do receio de desgaste institucional. Nos bastidores, a avaliação é que o avanço só ocorreu após sinais de moderação por parte do senador..O cronograma vai começar a sair do papel. A ida de Flávio Bolsonaro à igreja do pastor Silas Malafaia, no Rio, está prevista para maio, em mais um passo na tentativa de consolidar apoio entre lideranças com influência nacional.— Falo com Flávio direto. Ele me escuta, me respeita. Tudo indica que devo apoiá-lo. Todos os meus deputados estão no PL, não tenho como apoiar outro — disse Malafaia ao GLOBO.A posição marca uma inflexão. Até recentemente, o pastor defendia os nomes de Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas (Republicanos) como alternativas dentro do campo bolsonarista.Mesmo com o avanço, parte relevante das estruturas segue fora do alcance direto da campanha. É o caso da Igreja Universal do Reino de Deus, que, embora tenha menos fiéis que as Assembleias de Deus — critério que orienta a ordem de aproximação —, concentra forte influência política e capacidade de mobilização.A denominação adota, historicamente, uma estratégia de escuta antes de qualquer definição. Na avaliação de aliados, a ausência de sinalização indica que o grupo prefere aguardar a consolidação do cenário antes de se posicionar.Além de aparecer mais adiante no cronograma, a aproximação enfrenta um obstáculo adicional: a rivalidade histórica com a Assembleia de Deus, corrente à qual Sóstenes Cavalcante é ligado.Oficializado há duas semanas, Ronaldo Caiado parte de um ponto distinto na disputa: sem presença consolidada no segmento evangélico, tenta encurtar caminho por meio de operadores com trânsito no meio religioso. Em paralelo, investe em um discurso pautado na família e em valores, em uma tentativa de atrair os religiosos não vinculados a uma liderança.Articulador da campanhaPara auxiliá-lo na empreitada, ele escalou o deputado Otoni de Paula (PSD-RJ) como articulador da campanha junto às igrejas. A missão é abrir agendas com lideranças influentes, como Edir Macedo e Robson Rodovalho. O calendário será definido na próxima terça-feira, quando se encontra com Otoni em Goiânia.— A partir desse encontro, começaremos a procurar as lideranças — afirmou.O movimento ocorre em paralelo à aproximação com grupos evangélicos insatisfeitos com o desenho das chapas no PL, a exemplo de Samuel Ferreira.Já Romeu Zema segue uma estratégia mais contida. O governador evita transformar o segmento religioso em eixo central da pré-campanha, mas tem feito movimentos pontuais para não ficar fora do radar.Nesse contexto, participou de um evento na Sara Nossa Terra, em Ribeirão Preto, em sua primeira agenda fora do governo.— É possível termos na política pessoas que querem servir — afirmou.O bispo Robson Rodovalho indicou disposição para conversar com diferentes pré-candidatos:— Este é o momento de sentar e ouvir todos. Já definimos que estamos com a direita, mas sempre podemos tomar um café.The post Flávio, Caiado e Zema buscam apoio de líderes evangélicos, que cobram vaga ao Senado appeared first on InfoMoney.

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