A notícia de que a petroleira colombiana Ecopetrol pretende assumir o controle da Brava Energia (BRAV3) movimentou o mercado e gerou uma dúvida entre os acionistas: o que acontece com as minhas ações agora?O movimento desenhado pela Ecopetrol é uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) parcial. A empresa já garantiu a compra de cerca de 26% do capital da Brava via acordo privado com grandes acionistas. Para chegar aos 51% e obter o controle majoritário, a estatal colombiana fará uma oferta voluntária no mercado pagando R$ 23,00 por ação.Para o investidor que já possui o papel na carteira, o cenário impõe escolhas que vão desde a participação na OPA até a permanência em uma empresa que mudará de perfil.Leia tambémPor que oferta da Ecopetrol por controle da Brava não animou – e o que esperar agoraApesar do prêmio na OPA, investidores veem preço baixo, risco de execução e incertezas sobre a estratégia da Brava sob controle da estatal colombianaA Brava vai sair da Bolsa?A primeira preocupação de muitos investidores é se a empresa terá o capital fechado, forçando a venda das ações. A resposta, ao menos para este momento, é não. Como a Ecopetrol busca atingir 51% de participação, a Brava continuará listada na B3, apenas com um novo controlador majoritário.Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, esclarece a dinâmica prática desse processo para o investidor: “nem toda OPA serve para tirar a empresa da Bolsa; muitas vezes, ela é usada só para aumentar participação e assumir o controle. É uma questão de regras e procedimentos que envolve a própria CVM. No caso da Ecopetrol, o movimento parece ser mais de ganhar controle da Brava do que fechar o capital agora”. O especialista esclarece que a empresa precisaria comprar praticamente todas as ações disponíveis e ainda convencer os minoritários com um preço mais alto para sair da Bolsa, “o que nem sempre acontece de imediato”. Para ele, então, o mais provável é que a empresa continue listada na B3, mas com um novo controlador por trás e se houver saída da Bolsa, este tende a ser um “segundo passo”. O investidor terá direito ao Tag Along?Outra questão fundamental para o investidor da Brava é o tag along, mecanismo que garante aos minoritários o direito de vender suas ações pelo mesmo preço pago aos controladores em caso de venda do controle da empresa.A estruturação atual do negócio tenta contornar essa obrigatoriedade. Como a Brava é uma empresa sem um grupo controlador definido, a interpretação jurídica das empresas é de que a Ecopetrol está criando um controle, e não o transferindo.“O entendimento legal da empresa é de que não há necessidade de uma oferta pública por 100% das ações, pois a transação não resulta em mudança de controle, mas sim na introdução de um novo acionista controlador”, destaca o Bradesco BBI em relatório.O Morgan Stanley também reforça essa visão, mas alerta que isto pode virar tema de disputa judicial: “não descartamos que acionistas minoritários possam tentar abrir uma reclamação junto à entidade reguladora do mercado de ações brasileiro”.O limite de R$ 23Caso a OPA avance, o investidor poderá manifestar via corretora o interesse de vender suas ações por R$ 23,00. Contudo, como a oferta é parcial (limitada às ações necessárias para chegar aos 51%), se houver uma adesão em massa dos minoritários, haverá um rateio. Na prática, o investidor pode conseguir vender apenas uma fração de suas ações por esse valor, ficando com o restante na carteira.Além disso, o teto da oferta já afeta o desempenho da ação. O Morgan Stanley explica a mecânica limitadora: “acreditamos que o preço de oferta de R$ 23 por ação provavelmente atuará como uma âncora de curto prazo para a ação, limitando o potencial de alta.*Decidi manter a ação: o que muda?Para quem decidir não aderir à oferta – ou para aqueles que ficarem com sobras após um eventual rateio –, o papel na carteira passará a representar uma empresa com perfil completamente diferente.Por um lado, a nova controladora tem um bolso maior, o que resolve preocupações de financiamento. “O custo de dívida da Ecopetrol é muito menor que o da Brava, o que poderia trazer sinergias imediatas ao custo da dívida”, aponta o BBI. Para o Banco Safra, “essa transação traz incertezas no curto prazo, mas também potencial de valorização no médio e longo prazo para os acionistas da Brava. As incertezas incluem o cumprimento das condições para a concretização da oferta, o cronograma de sua conclusão e o conhecimento da estratégia da Ecopetrol para a Brava, bem como as mudanças na equipe de gestão.”Por outro lado, o risco de governança aumenta significativamente, já que a Ecopetrol é uma estatal colombiana sujeita aos ciclos políticos do país vizinho. “Acredito que a entrada da Ecopetrol pode mudar um pouco o perfil de risco e governança da Brava, porque deixa de ser uma tese mais independente e passa a ser uma tese de controle, com potencial de integração operacional e ganho de escala, mas também com menor previsibilidade estratégica no curto prazo”, resume Lima.A ação da Brava cai mais de 4% nesta sexta-feira (24), acompanhando petroleiras em mais um dia negativo para o Ibovespa.The post Ficar ou vender? O que muda para o acionista da Brava com a oferta da Ecopetrol appeared first on InfoMoney.
