A Suzano (SUZB3) vai reajustar para cima os preços de celulose vendida a partir de maio a clientes na Europa e nas Américas, anunciou a gigante brasileira do setor nesta sexta-feira.Os aumentos serão de US$50 em cada região, afirmou a companhia, sem informar o motivo do reajuste, embora uma série de setores da economia global estejam citando elevações de custos nas últimas semanas por conta dos impactos da guerra do Oriente Médio nos preços dos combustíveis.Após o aumento na Europa, o preço da celulose da Suzano na região será de US$1.430 por tonelada, afirmou a companhia. A empresa não informou o preço médio final da celulose nas Américas incluindo o reajuste.O aumento se segue a um aplicado este mês, também de US$50 em cada região. Na ocasião, a Suzano também elevou preços na Ásia, incluindo China, em US$20 a tonelada.A Suzano tem aumentado os preços da celulose desde o segundo semestre do ano passado. Em meados de fevereiro, a empresa afirmou que o mercado global de celulose estava mostrando sinais de força acima do esperado, por fatores que incluíam estoques baixos na China.Conforme aponta o Bradesco BBI, diferentemente dos anúncios anteriores, esse aumento mira apenas Europa e América do Norte (cerca de 50% dos volumes), o que sinaliza uma desaceleração do momentum no mercado chinês. De fato, os contatos de mercado sugerem que os produtores de celulose teriam reduzido o aumento de abril de US$ 20 a tonelada (t) para US$ 10/t, diante da crescente resistência dos compradores. Assim, o anúncio foi “agridoce”, ainda que a recuperação se mantenha. Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai e luta para manter os 190 mil pontos; VALE3 sobeBolsas dos EUA operam mistas com notícias sobre a guerra no IrãApesar das condições de oferta ainda apertadas, a resistência tem sido impulsionada pela fraca tração dos preços de papel, já que os fabricantes de papel enfrentam crescente pressão de margem. “Dito isso, vemos riscos de queda limitados neste momento, mesmo na ausência de um novo anúncio de aumento na região, dado o cenário de oferta ainda construtivo”, aponta.Em contraste, os fundamentos na Europa parecem mais favoráveis, com a oferta se apertando após recentes fechamentos de capacidade — mais notavelmente a paralisação do moinho de Joutseno da Metsä, na Finlândia, a partir do fim de março — enquanto a RISI tem indicado que novos fechamentos são prováveis no curto prazo. A demanda também parece estar se recuperando, com o consumo de celulose pelas papeleiras na região aumentando nos últimos quatro meses consecutivos, de acordo com os dados mais recentes da UTIPULP.Os fundamentos na América do Norte também parecem positivos, com várias fábricas devendo entrar em paradas programadas e paradas por razões de mercado nos próximos meses, mantendo a oferta apertada.Considerando tudo isso, o BBI reitera recomendação outperform (desempenho acima da média, equivalente à compra) para Suzano, cuja dinâmica de resultados deve melhorar nos próximos trimestres, em meio a uma combinação de preços mais altos e custos menores. Embora a atual apreciação do real pese sobre o sentimento no curto prazo, destaca que a companhia está amplamente protegida (hedge) para 2026 e 2027 — ao câmbio spot, estimando um impacto de caixa positivo em derivativos de R$ 1,5 bilhão em 2026 e R$ 3,6 bilhões em 2027.“Dito isso, vemos a recente correção das ações como uma oportunidade de compra”, destaca o BBI, com o papel sendo negociado a um atrativo dividend yield (dividendo sobre o preço da ação) de FCF (fluxo de caixa livre) de 13% em 2026 (ex-growth, celulose a US$ 590/t), subindo para acima de 20% em 2027. O preço-alvo para SUZB3 é de R$ 73.(com Reuters) The post Suzano elevará celulose na Europa e Américas em maio; anúncio é “agridoce”, diz BBI appeared first on InfoMoney.
