Com ganhos acumulados de cerca de 20% em 2026, as ações da Vivo (VIVT3) e da TIM (TIMS3) tiveram sua recomendação cortada de compra para neutra pelo Bradesco BBI, que destacou que os papéis passaram a negociar próximos ao valor justo. Ao mesmo tempo, os analistas veem sinais de intensificação competitiva reduzem a probabilidade de surpresas positivas, tornando assim o “céu já não tão azul” para os ativos.Por outro lado, o preço alvo da Vivo foi elevado de R$ 38 para R$ 45 e o da TIM de R$ 27 para R$ 29, principalmente em função de uma redução de 1 ponto percentual (p.p.) no custo de capital próprio, refletindo a menor aversão a risco implícita no mercado, além de ajustes marginais em receitas e margens após resultados fortes no quarto trimestre. “Ainda assim, os valuations já parecem equilibrados”, avaliam os analistas, uma vez que a Vivo negocia a 15,4 vezes (x) o múltiplo de preço sobre lucro (P/L) para 2026, com yield de FCFE (rendimento do fluxo de caixa livre ao acionista) de 8,3%, enquanto a TIM negocia a 13,4x o múltiplo P/L para 2026, com yield de FCFE de 10,0%, níveis alinhados às médias históricas relativas ao Ibovespa.Leia tambémGerdau, Sabesp, Vale, Petrobras, Brava e mais ações para acompanhar hojeConfira os principais destaques do noticiário corporativo desta terça-feiraEm termos relativos, o BBI segue preferindo Vivo pela maior resiliência em adições líquidas e portabilidade, apesar do valuation mais elevado. No ambiente competitivo, o banco vê mais “nuvens” no céu com o crescimento desigual nas portabilidades líquidas, atraso nos reajustes de preços de novas ofertas (front book), declarações da AMX indicando que a Claro não pretende elevar preços no curto prazo e aumento relevante da portabilidade bruta, que cresceu cerca de 15% no comparativo anual no primeiro trimestre e 25% em março. Para o 1T26, a expectativa é de que as receitas móveis sigam resilientes, mas com desaceleração sequencial após um quarto trimestre muito forte. O banco estima crescimento da receita de serviços móveis da Vivo de 6,8% no comparativo anual e da TIM de 5,7%, com expansão de margens mais moderada. Isso, na visão do BBI, reduz o potencial de o trimestre atuar como gatilho positivo para o setor.“Embora o setor de telecomunicações no Brasil continue sustentado por fundamentos estruturais favoráveis — mercado mais concentrado, menor intensidade de investimentos, ganhos de eficiência via digitalização e IA —, entendemos que o balanço de riscos piorou na margem”, avalia.Assim, o cenário de “paraíso” observado após a consolidação (aquisição da Oi) começa a dar sinais de desgaste, com competição mais agressiva podendo pressionar preços, churn (cancelamento) e ARPU (Receita Média por Usuário) adiante. “Não esperamos uma deterioração abrupta de resultados nem vemos espaço para uma correção baseada apenas em valuation, mas, com as ações próximas ao valor justo e com consenso já construtivo, a probabilidade de decepções passou a superar a de surpresas positivas”, avalia. Para voltar a uma visão mais construtiva para o setor, seria necessário para o BBI observar um arrefecimento desses sinais competitivos ou pontos de entrada mais atrativos em preço.The post “O céu já não é tão azul”: BBI rebaixa ações de TIM e Vivo por pressão competitiva appeared first on InfoMoney.
