Elétricas brasileiras aumentam uso de IA e veem ganhos na casa de centena de milhões

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SÃO PAULO, 28 Abr (Reuters) – Grandes companhias elétricas do Brasil, como ⁠Axia e Equatorial, estão ampliando o uso de inteligência artificial, aplicando novas ferramentas em atividades que ⁠vão desde a operação de grandes infraestruturas até processos administrativos, com ganhos anuais percebidos que alcançam a casa de centena ‌de milhões de reais, disseram executivos à Reuters.Mas essa ainda não é uma realidade disseminada para todo o setor elétrico brasileiro, ponderam especialistas, que apontam usos ainda imaturos de modo geral, além de menor grau de especialização dos profissionais do setor para emprego da IA.Leia tambémAções ligadas à OpenAI caem com notícia de metas frustradas de vendasSoftBank, Oracle e CoreWeave caem após sinal de perda de fôlego da demanda por IAMaior companhia ‌de energia da América Latina, a Axia (ex-Eletrobras) implementou diversas soluções baseadas em IA nos últimos anos, mirando principalmente ganhar eficiência e aumentar a resiliência de sua enorme base de ativos, que inclui dezenas de hidrelétricas e 74 mil km de linhas de transmissão.As aplicações de IA na Axia envolvem, por exemplo, modelos climáticos que avaliam riscos associados a queimadas e ventos extremos, visando ações preventivas para evitar desligamentos de linhas de transmissão de energia e outras interrupções. Também alcançam funções administrativas, como auditoria de contratos e cálculos de passivos judiciais.Todo esse trabalho já produz um impacto positivo anual ⁠de ‌R$100 milhões para a Axia, considerando novas receitas, custos menores ou evitados, disse à Reuters o vice-presidente de Tecnologia e Inovação da companhia, Juliano ⁠Dantas.Parte dessas soluções desenvolvidas poderá ser comercializada no futuro para outras empresas ou agentes do setor, afirmou ele, ponderando que ainda não há clareza sobre como poderia ser feito.‘Estamos na fase de consolidar o uso interno, e é natural que essas ferramentas, principalmente aquelas que contribuem com o setor como um todo, sejam disponibilizadas para outros players.’Um passo nesse sentido já foi dado pela elétrica com a inauguração, no Rio de Janeiro, de uma ‘neocloud’, infraestrutura em nuvem que provê capacidade de computação e processamento para atividades altamente ​demandantes, como machine learning.A ‘fábrica de IA’, que a Axia diz ser a primeira da América Latina e contou com o apoio do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel), terá 96 GPUs (unidades de processamento paralelo) e pode ser acessada por terceiros, como startups.IA na distribuição de energiaUm dos usos mais transformacionais da IA para o setor elétrico está na distribuição de energia, especialmente no combate às perdas comerciais, um problema causado sobretudo por furtos (‘gatos’ de energia) que levam a perdas bilionárias de faturamento para as concessionárias, segundo a consultoria Falconi, de gestão empresarial.O grupo Equatorial, que tem uma das maiores plataformas de distribuição de energia no país, trabalha com um portfólio de mais de 40 projetos e iniciativas de inovação e está em fase de consolidar alguns usos de IA generativa, afirmou Maurício Velloso, diretor de Inovação, Clientes ‌e Serviços.As principais frentes estratégicas para a companhia na área estão ligadas justamente aos negócios de ​distribuição, com aplicações de IA tanto para gestão de ativos (monitoramento da rede, realização de manutenção preditiva), quanto para melhorar a interação com os clientes.No caso dos furtos de energia, a companhia vem empregando visão computacional e imagens de satélite para automatizar fiscalizações e identificar irregularidades, disse Velloso, afirmando que somente uma das iniciativas já identificou mais de ⁠415 mil casos de fraude em todas as áreas de ​concessão da Equatorial.Ele estimou ainda que ​as iniciativas de inovação já contribuíram para mais de R$185 milhões em benefícios financeiros diretos para a Equatorial, entre aumento de receita e redução de custos, nos últimos dois ⁠anos.Uso ainda limitadoApesar da crescente adoção de ferramentas de IA por parte das ​empresas no Brasil, grande parte delas ainda faz uma utilização ‘muito imatura’, observando ganhos de eficiência que estão na verdade muito abaixo do real potencial dessas tecnologias, segundo a vice-presidente de Operações da Falconi, Marina Borges.‘Inclusive grandes organizações, elas falam que estão adotando práticas de IA e quando a gente chega para entender o ​que está sendo feito, ainda são adoções muito básicas… Toda vez que você ainda precisa que um humano esteja intervindo em um processo, a gente vê muita oportunidade de melhoria’, destacou.Especificamente sobre o mercado de energia elétrica, ela avalia que ​o uso de inteligência artificial ainda é ⁠menos maduro do que em outros setores, como o financeiro, e que as empresas têm tido dificuldades para capturar reduções reais de custos, transformando resultados iniciais em recorrentes.Isso também é reflexo ⁠de uma menor especialização dos profissionais no setor de energia para atuar com as novas ferramentas.Uma análise da Agência Internacional de Energia (IEA), feita com base em habilidades autodeclaradas por profissionais no LinkedIn, mostrou que os setores de ‘utilities’, petróleo e mineração apresentam níveis mais baixos de competências em IA do que outras atividades, como educação e serviços financeiros, em 43 países.No caso do Brasil, os profissionais de ‘utilities’ mostram menos competências ligadas a IA do que nos segmentos de manufatura, petróleo e mineração, serviços financeiros, educação e TI e mídia, segundo o relatório da IEA, publicado no ano passado.The post Elétricas brasileiras aumentam uso de IA e veem ganhos na casa de centena de milhões appeared first on InfoMoney.

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