A aprovação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado segue um padrão de confirmação, mas o nível de resistência às indicações aumentou nos últimos anos. O número de votos contrários nas sabatinas se consolidou como um indicador do ambiente político e da dificuldade enfrentada pelos indicados.Entre os atuais integrantes da Corte, André Mendonça é o que enfrentou maior oposição no plenário.Indicado em 2021, Mendonça recebeu 32 votos contrários, o maior número registrado entre os ministros em exercício. O resultado ocorreu após meses de impasse até a realização da sabatina e em meio a forte mobilização política em torno do nome escolhido pelo então presidente Jair Bolsonaro.Na sequência, aparecem Flávio Dino, aprovado em 2023 com 31 votos contra, e Edson Fachin, que enfrentou 27 votos contrários em 2015. A votação refletiu a pressão política sobre o nome escolhido pela então presidente Dilma Rousseff e antecipou um padrão que se intensificaria nos anos seguintes.Leia tambémDemocracia começa pela ética dos juízes, diz Messias em sabatina no SenadoNo discurso de abertura, Jorge Messias defendeu também a autocontenção do Supremo e o aperfeiçoamento constante de membros da CorteSenado aprovou todas as indicações ao STF desde 1988; cenário favorece MessiasHistórico reduz risco de rejeição, mas votos contrários cresceram nas últimas sabatinasResistência não impediu aprovaçãoApesar da elevação dos votos contrários, o resultado final não foi alterado. Todos os indicados foram aprovados, mantendo o padrão histórico do Senado de confirmar nomes para o STF. Ainda assim, a margem de apoio se tornou mais estreita em alguns casos, exigindo maior articulação política do Executivo.Alexandre de Moraes, indicado em 2017, também enfrentou um ambiente mais tensionado, com 13 votos contrários. Gilmar Mendes, em 2002, teve 15 votos contra, número relevante para o período, mas inferior ao observado nas indicações mais recentes.Outros nomes enfrentaram menor resistência. Luís Roberto Barroso, por exemplo, recebeu seis votos contrários em 2013, enquanto Rosa Weber teve 14 em 2011. Em votações mais tranquilas, como a de Luiz Fux, apenas dois senadores votaram contra.Termômetro políticoO crescimento da rejeição acompanha o aumento da polarização no Congresso e a maior exposição pública das indicações ao STF. O volume de votos contrários passou a ser interpretado como sinal de desgaste político, mesmo quando não ameaça a aprovação do nome.Esse padrão também se reflete nas sabatinas mais longas e nos questionamentos mais amplos aos indicados, que passaram a tratar de temas além da trajetória jurídica, incluindo posicionamentos ideológicos e decisões passadas.Na prática, o Senado mantém a tradição de aprovar os indicados, mas o processo se tornou mais disputado. O número de votos contrários funciona hoje como medida da resistência política e da capacidade de articulação do governo no momento da indicação.Veja o ranking dos ministros que enfrentaram maior resistência:André Mendonça (2021): 32 votos contráriosFlávio Dino (2023): 31 votos contráriosEdson Fachin (2015): 27 votos contráriosGilmar Mendes (2002): 15 votos contráriosRosa Weber (2011): 14 votos contráriosAlexandre de Moraes (2017): 13 votos contráriosNunes Marques (2020): 10 votos contráriosDias Toffoli (2009): 9 votos contráriosLuís Roberto Barroso (2013): 6 votos contráriosTeori Zavascki (2012): 4 votos contráriosThe post STF: veja quais ministros enfrentaram mais votos contrários no Senado appeared first on InfoMoney.
