O anúncio de saída dos Emirados Árabes Unidos da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e também da Opep+, aliança que reúne membros do cartel e aliados como a Rússia, tem impactos distintos a depender do horizonte de tempo analisado.A Genial Investimentos considera que o anúncio tem impacto zero no curto prazo, uma vez que o evento tem impacto imediato limitado para os preços do petróleo, dado que as restrições logísticas no Estreito de Hormuz ainda limitam a capacidade efetiva de expansão de oferta da região. Acompanhar resultados é o primeiro passo. O segundo é este: Baixe grátis a Planilha Viva de RendaNo entanto, o movimento ganha relevância em um segundo momento, ao sinalizar desgaste no mecanismo de coordenação do cartel justamente em um período de elevada sensibilidade geopolítica.A corretora destaca que os Emirados são um produtor de baixo custo, com reservas expressivas, cerca de 17 vezes maiores que a do Brasil, e capacidade relevante de crescimento. Dessa forma, sua saída reduz a coesão interna do grupo e pode enfraquecer, ao longo do tempo, a capacidade da Opep+ de calibrar a oferta e sustentar preços em níveis elevados.Leia tambémOpep: o que é, por que existe e qual o impacto da saída dos Emirados Árabes?O grupo de países produtores de petróleo fornecia mais de 25% do petróleo mundial antes da guerra no Irã. Seus membros vêm influenciando os mercados de energia ao longo dos anosNa avaliação da Genial, “o principal efeito desta decisão não está no barril de hoje, mas na realidade em um mundo razoavelmente “normalizado” onde um player relevante sairá das “amarras” da Opep (que manteve a sua produção estável em ~34 milhões de barris/dia nas últimas décadas) e vai ter amplo espaço para inundar o mercado com a sua nova produção”. Sendo assim, a Genial avalia que evento constrói um ponto a mais para um cenário de sobre-oferta assim que a crise energética atual for superada.Na mesma linha que a Genial, a Ativa Investimentos comenta que o barril de petróleo deve seguir mais sensível ao prêmio geopolítico do que à nova configuração institucional da OPEP no curto prazo, uma vez que a dinâmica de preços continua dominada pelas restrições logísticas no Golfo e pela disrupção no Estreito de Ormuz. No médio prazo, porém, a decisão tende a ser baixista para os preços do petróleo, ao elevar a probabilidade de uma disputa por participação de mercado assim que os fluxos regionais forem normalizados.Para Ativa, o ponto central é que os Emirados figuravam entre os poucos membros com capacidade ociosa relevante, o que reduz a habilidade da OPEP de seguir atuando como estabilizador marginal da oferta global. “Esta leitura ganha força ao considerarmos o plano do país de expandir sua capacidade produtiva para 5 milhões de barris por dia até 2027, objetivo que tende a ser mais difícil de conciliar sob um regime de cotas rígidas”, destaca a Ativa.Para ações, a implicação mais relevante é que a notícia reforça a estratégia de grandes petroleiras que atuam em toda a cadeia, da exploração à distribuição, e produtores de baixo custo no horizonte mais longo. Isso porque essas empresas tendem a navegar com mais resiliência em um ambiente de maior volatilidade e menor coordenação da oferta.Em contraste, produtoras de exploração e produção (E&P) possuem maior sensibilidade direcional ao preço do barril, ou seja, seus resultados oscilam mais diretamente conforme a alta ou queda do petróleo.The post Qual o impacto da saída dos Emirados Árabes da Opep nos mercados? appeared first on InfoMoney.
