A indústria de fundos imobiliários no Brasil entra em uma nova fase em 2026, marcada não apenas pelo crescimento da base de investidores, mas por uma mudança mais profunda na dinâmica de liquidez do mercado.Dados recentes do TRX, mostram que o volume negociado mensal vem ganhando tração, com destaque para alguns dos principais nomes do índice. Entre março de 2025 e março de 2026, fundos como GARE11 (Guardian Real Estate), TRXF11 (TRX Real Estate), GGRC11 (Zagros Renda Imobiliária), HGLG11 (Patria Logistica) e HGBS11 (Hedge Brasil Shopping) lideraram o crescimento de liquidez, com altas que chegam a mais de 300% no período.Ticker % IFIX Mar/25 (R$)Mar/26 (R$)Crescimento %GARE110,84%96,0 mi415,4 mi+332%TRXF112,02%137,7 mi504,7 mi+266%GGRC111,42%53,7 mi188,1 mi+250%HGLG114,36%120,4 mi357,5 mi+197%HGBS111,69%48,5 mi140,6 mi+190%KNCR117,03%197,1 mi493,0 mi+150%VISC112,06%71,0 mi166,3 mi+134%KNIP114,80%129,4 mi277,4 mi+114%PVBI111,48%70,6 mi139,0 mi+97%BTLG113,60%141,5 mi258,8 mi+83%Fonte: TRX – Os 10 FIIs que mais crescerem percentualmente em volume mensal negociado nos últimos doze meses. Cabe ressaltar que parte do crescimento de liquidez observado em alguns FIIs pode estar associada a eventos pontuais, especialmente emissões de cotas ao longo do período. Esses movimentos tendem a ampliar o free float, atrair novos investidores e elevar o giro no mercado secundário.O movimento também não acontece de forma homogênea. Ele tende a se concentrar nos fundos com maior liquidez, maior diversificação e presença em índices internacionais, como o FTSE Russell.Leia Mais: Aposentadoria com FIIs: investidores 60+ concentram 37% do patrimônio dos fundosLiquidez vira diferencial competitivo no setorSegundo Luiz Augusto do Amaral, sócio fundador e CEO da TRX, esse movimento representa uma inflexão na indústria.“O mercado de FIIs entrou em uma nova fase de liquidez e institucionalização. Antes, o foco estava muito mais nas teses isoladas. Hoje, fatores como liquidez, free float e governança passam a ser determinantes. Isso melhora a formação de preço e aproxima o mercado brasileiro de padrões mais maduros, como os REITs”, afirmaNo entanto, esse avanço traz uma consequência de concentração de fluxo em poucos fundos. “Investidores institucionais, especialmente estrangeiros, precisam montar e desmontar posições relevantes sem impactar o preço. Isso naturalmente concentra o fluxo nos veículos maiores e mais líquidos”, acrescenta Amaral. Liquidez impactada por investidores estrangeiros no TRXF11. Foto: TRX. A presença em índices internacionais reforça essa tendência. “Esse fluxo começa muitas vezes de forma passiva, via índices e ETFs, e depois evolui para uma alocação mais ativa conforme o mercado amadurece”, explica Amaral. “Quando um fundo entra em um índice, ele passa a receber fluxo automático de ETFs que replicam esse benchmark. Isso cria uma demanda mais previsível e recorrente ao longo do tempo.”Existe espaço para investidor estrangeiro contribuir mais para liquidez Apesar da melhora, o fluxo estrangeiro ainda depende de uma combinação de fatores para ganhar escala.“Para o investidor estrangeiro, acessar ativos reais com desconto e rendimento elevado em uma economia com juros reais altos é uma combinação relevante. Se esse cenário vier acompanhado de melhora na liquidez, o fluxo tende a acelerar”, comenta Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos. Na mesma linha, Aloisio Teles, CIO da 18ib, destaca que não há um gatilho isolado. “A combinação mais favorável envolve queda da Selic, estabilidade cambial, compressão de descontos do IFIX e aumento da liquidez no mercado secundário. Esse ambiente torna os FIIs mais ‘compráveis’ para o investidor internacional”, diz Os veículos passivos também aparecem como porta de entrada, mas ainda com impacto limitado.“Eles podem ajudar, mas ainda são mais uma avenida potencial do que um canal transformacional. Para capturar fluxo relevante via ETFs, o mercado precisa de mais escala e produtos distribuídos fora do Brasil”, afirma Boragini, especialista em renda variável da Davos Investimentos.Leia Mais: Shopee x Mercado Livre: disputa de gigantes leva vacância de galpões a piso históricoThe post FIIs têm salto de até 332% em volume negociado nos últimos doze meses; veja ranking appeared first on InfoMoney.
