O mês de abril foi marcado por altos e baixos para o Ibovespa. O índice chegou muito perto dos “proféticos” 200 mil pontos e bateu 18 recordes apenas em 2026 até o dia 14 de abril, mas não chegou ao simbólico patamar. Depois disso, acumulou perdas de mais de mais de 10 mil pontos nas seguintes duas semanas, ainda que conseguindo fechar o mês perto do zero (leve baixa de 0,08%), a 187.318 pontos.O benchmark da Bolsa estabeleceu novos recordes no dia 14, atingindo uma máxima histórica de 199.354,81 pontos intradia e marcando 198.657,33 pontos no fechamento, acumulando até então ganhos de 6% no mês e de mais de 23% no ano. Alguns fatores se apresentaram para essa forte disparada, sendo o principal deles a continuidade de entrada de capital estrangeiro. Em meio a um cenário de crescente incerteza nos Estados Unidos e um dólar mais fraco, houve uma migração de recursos para mercados emergentes, como o Brasil, em busca de melhores oportunidades. Apenas no primeiro trimestre, de acordo com dados da Elos Ayta, houve entrada líquida de R$ 53,83 bilhões, considerando operações de IPOs e follow-ons — o melhor resultado desde o primeiro trimestre de 2022, quando o saldo havia alcançado R$ 69,02 bilhões. E o fluxo se estendeu fortemente até meados de abril.O Brasil acabou por se sobressair por ter baixa participação de tecnologia, grande exposição a commodities e um dos maiores diferenciais de juros do mundo, o que sustenta o fluxo de capital.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa sobe e volta aos 187 mil pontos; VALE3 sobe 2%Bolsas dos EUA operam com ganhos em meio a balanços, PIB e guerra Além disso, muitas empresas brasileiras passaram a ser negociadas a múltiplos abaixo da média histórica, mas com fundamentos microeconômicos robustos, o que despertou o interesse dos investidores.O país também aparecia como duplamente beneficiado pela alta do petróleo em meio ao conflito no Irã, tanto do ponto de vista macroeconômico quanto para o mercado acionário. Além disso, o país está distante dos principais focos de tensão global e possui uma economia relativamente fechada, com baixa participação das exportações no PIB, o que reduz sua vulnerabilidade a choques externos. O cenário de queda de juros, ainda que de forma lenta, também aparece como um dos fatores para ânimo do mercado.…mas o ânimo perdeu forçaPorém, a partir do dia 14, o índice passou por uma reversão, inclusive de fluxo estrangeiro, que apoiava os recordes sucessivos do Ibovespa. Nos últimos 5 pregões até dia 27 de abril, houve uma saída de capital gringo de R$ 4,5 bilhões após 5 semanas de entradas de capital, ainda que no acumulado do mês houvesse uma entrada de cerca de R$ 10 bilhões. Para o Santander, o movimento recente de baixa do mercado brasileiro foi provocado principalmente por rotação global de fluxo, e não por deterioração dos fundamentos domésticos.Os estrategistas avaliam que o movimento de queda da Bolsa brasileira coincidiu com forte valorização de bolsas asiáticas ligadas à tecnologia, como Taiwan e Coreia do Sul.O movimento é impulsionado pelo renovado otimismo com inteligência artificial e semicondutores, e não uma reavaliação negativa dos fundamentos brasileiros, ressaltou. A casa destaca que o sell-off ocorreu mesmo em um contexto de forte alta do petróleo, variável que tradicionalmente sustenta mercados emergentes exportadores de commodities como o Brasil.Esse descolamento entre o desempenho das commodities e o comportamento da bolsa brasileira sugere, na avaliação do banco, que parte relevante do mercado global passou a precificar uma normalização mais rápida dos riscos geopolíticos no Oriente Médio. Com isso, o petróleo teria se beneficiado de fatores de oferta no curto prazo, enquanto os ativos de risco migraram para teses estruturais de crescimento, especialmente no setor de tecnologia.Leia mais: Mercado eleva projeções para o Ibovespa, mas não vê mais “pechincha”; o que fazer?O JPMorgan destaca que a queda recente do mercado brasileiro coincidiu com o forte retorno das “7 Magníficas” (ações de techs negociadas nos EUA) às máximas históricas, movimento que, após a correção prévia, permitiu alguma retomada dos fluxos para emergentes. Olhando para frente, em termos de posicionamento, o Brasil continua sendo o maior overweight dentro de emergentes para o banco, posição que inclusive aumentou após a guerra no Irã. Apesar disso, os estrategistas do banco avaliam que ainda não é o momento de “comprar a queda” recente de forma agressiva, uma vez que o ambiente doméstico no Brasil segue marcado por volatilidade política e menor impulso vindo do ciclo de resultados das empresas.Recentemente, o Bank of America fez uma revisão para cima no benchmark da Bolsa, que passou de 180 mil pontos para 210 mil pontos. Contudo, o banco observa que as ações brasileiras já não estão baratas e trabalha com múltiplos ligeiramente abaixo dos níveis atuais, incorporando riscos ligados a lucros e à volatilidade eleitoral. “As ações brasileiras já não estão baratas em termos de valuation, e nosso múltiplo-alvo está ligeiramente abaixo dos níveis atuais para refletir esse risco para os lucros e a volatilidade eleitoral, que acreditamos que vai aumentar nos próximos meses”, ressaltou. The post Os 2 mundos do Ibovespa em abril: dos quase 200 mil à queda para fechar mês “no zero” appeared first on InfoMoney.
