O que parecia apenas mais uma tarefa burocrática de RH virou o estalo para criar uma das startups mais relevantes do mercado de benefícios corporativos no Brasil. Ao tentar oferecer vale-refeição e vale-alimentação aos funcionários da própria agência, Pedro Lane encontrou um sistema cheio de distorções, baixa eficiência e pouca inovação. Dali nasceu a ideia que daria origem à Flash.“Quando você tá num laboratório, que é a tua própria empresa, as dores estão postas lá no dia a dia, você acaba vendo oportunidades enormes passarem pela tua frente. Uma delas foi justamente o mercado de benefícios”, revela Lane.A virada começou quando ele decidiu entender como os colaboradores usavam o benefício. A resposta expôs uma realidade inesperada. “Você atravessa a avenida e fala com o tiqueteiro. Você espeta teu cartão lá. Na época a gente pagava 500 reais por mês de vale-refeição e ele te devolve 400.”Na prática, trabalhadores aceitavam perder parte do valor para transformar o benefício em dinheiro e conseguir comprar comida onde realmente precisavam. Para Lane, aquilo mostrava que havia algo profundamente errado no modelo.“Eu fiquei inculcado com isso. Se o produto não tá quebrado, com essa máxima, alguma coisa tá acontecendo. O trabalhador fica mais feliz com uma nota de 80 do que uma nota de 100″, diz Pedro Lane, cofundador Flash, em entrevista para o Do Zero ao Topo.Um mercado gigante e parado no tempoAo investigar o setor, o empreendedor enxergou um mercado concentrado, com poucas empresas dominando quase toda a operação e sem incentivos claros para inovar. Segundo ele, esse ambiente explicava a experiência ruim tanto para empresas quanto para funcionários e estabelecimentos. “Então tinha uma arbitragem de dinheiro típica de um produto caduco no mercado, parado no tempo. Eles tinham 95% de market share à época, não tem incentivo à inovação. Realmente tinha alguma oportunidade. Algum elo dessa cadeia tava quebrada”.A partir dali, a proposta da Flash foi redesenhar a experiência do benefício corporativo. Em vez de múltiplos cartões e baixa aceitação, a empresa apostou em tecnologia e em uma rede ampla de uso.“Na Flash é você quem escolhe onde você vai comer e como você vai comer. A gente sempre acredita que a gente ia ganhar o jogo com o melhor produto e o melhor serviço”, diz o fundador.A startup começou a ser construída no fim de 2018 e foi lançada oficialmente em julho de 2019, já com clientes. O foco inicial esteve nas pequenas e médias empresas, segmento que, segundo Lane, era negligenciado pelos grandes players do setor.Desde o início, a tese da companhia era vencer pela entrega. Sem competir por incentivos financeiros ao RH, a Flash buscou diferenciação em produto e atendimento.“Quando tá todo mundo disputando os grandes empregadores, uma fatia enorme desse mercado nunca foi prioridade”, afirma Lane.A estratégia ajudou a empresa a crescer mês após mês. Para companhia o benefício corporativo não deveria ser só obrigação legal, mas ferramenta real de valor para empresas e colaboradores. Hoje, a empresa atua em milhares de municípios brasileiros e transformou um problema operacional em um negócio de escala nacional. “Se beneficia alguém, deveria beneficiar antes de qualquer outro dos dois clientes, o trabalhador”, conclui Pedro. Para saber mais detalhes sobre a criação e estratégia da Flash veja o episódio completo no Do Zero ao Topo. O programa está disponível em vídeo no YouTube e em sua versão de podcast nas principais plataformas de streaming como ApplePodcasts, Spotify, Deezer, Spreaker, Castbox e Amazon Music.Sobre o Do Zero ao TopoO podcast Do Zero ao Topo é uma produção do InfoMoney e traz, a cada semana, a história de mulheres e homens de destaque no mercado brasileiro para contar a sua história, compartilhando os maiores desafios enfrentados ao longo do caminho e as principais estratégias usadas na construção do negócio.The post Como um “problema de RH” virou uma empresa milionária appeared first on InfoMoney.
