O PT já passou a discutir internamente um “plano B” para a disputa ao governo de Minas Gerais diante de sinais crescentes de que o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) não deve entrar na corrida em 2026. A avaliação é compartilhada tanto por dirigentes do partido quanto por aliados do próprio parlamentar, embora, publicamente, ele mantenha a indefinição.Procurado, Pacheco não se manifestou. A interlocutores, o senador tem dito que ainda não há decisão tomada sobre seu futuro eleitoral. Entre aliados, porém, o diagnóstico é mais direto: ele não deve ser candidato.Segundo esses relatos, o próprio Pacheco já teria sinalizado, em conversas reservadas, que não pretende disputar o governo de Minas.Leia tambémDurigan diz que BRB é um problema do governo do Distrito Federal“Se não tiver risco sistêmico, se for um banco que está com dificuldade, existem os mecanismos para lidar com isso”, afirmou ministroLula viaja para os EUA para reunião com Trump em Washington na quinta (7)Reunião na Casa Branca busca destravar tarifas e recompor relação bilateralAliados também mencionam outros possíveis destinos para o senador, como uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU) ou outros tribunais superiores, já que o Lula tem sinalizado que não pretende indicá-lo ao STF. Em último caso, ele pode se afastar completamente da vida pública.As conversas se intensificaram desde o final da semana passada, após a derrota de Messias, que ampliou, nos bastidores, a desconfiança em relação à atuação de Pacheco.Interlocutores do governo passaram a questionar o grau de proximidade do senador com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), apontado como o principal articulador da rejeição.A avaliação entre esses aliados é de que, apesar dos gestos públicos de apoio ao indicado, Pacheco pode ter tido conhecimento prévio da movimentação, o que alimentou suspeitas de um possível “jogo duplo” e reforçou a pressão interna por alternativas em Minas.No PT, a leitura vai além do episódio recente envolvendo a rejeição da indicação. Dirigentes afirmam que o senador nunca demonstrou disposição plena para a disputa e que a percepção de recuo já vinha se consolidando antes mesmo da crise no Senado.Diante desse cenário, o partido começou a estruturar alternativas. O nome mais citado nas conversas internas é o do empresário Josué Alencar, recém-filiado ao PSB e visto como um nome com trânsito em diferentes setores políticos. Procurado, Alencar não se manifestou. Presidente do PT em Belo Horizonte, Guima Jardim afirma que o empresário hoje reúne apoio da militância.— A escolha da nossa militância é Josué Alencar. Esteve conosco nos piores momentos. Não seria nenhum desconforto tê-lo conosco, muito pelo contrário: fiel, sereno e dialogador — disse.Ex-presidente da Fiesp e filho do ex-vice-presidente José Alencar, Josué é descrito por petistas como um aliado histórico, com capacidade de diálogo e interlocução ampla — atributo considerado central em um estado estratégico para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.A construção em torno de alternativas já começou a ser desenhada nos bastidores, mas esbarra, por ora, na posição pública de parte da direção petista, que ainda sustenta Rodrigo Pacheco como candidato. É o caso do deputado Rogério Correia (PT-MG), que rejeita a ideia de substituição e afirma que o senador segue à frente da estratégia do partido em Minas.— Pacheco segue nosso candidato. Tem a confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT e da bancada mineira do governo. Está articulando uma coligação mais ampla, com MDB, União Brasil, PP e PDT.Dirigentes do PT já tratam a articulação de alianças em paralelo à discussão de um plano alternativo, diante da avaliação crescente de que o senador pode não entrar na disputa.O tema ainda divide o partido. Uma ala ligada à ex-prefeita de Contagem Marília Campos e ao deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) resiste a abandonar a aposta em Pacheco e defende que o PSB acelere a definição.— Estou defendendo Pacheco por acreditar que ele não tem domínio sobre o que aconteceu no Senado e tem lealdade ao presidente Lula. Acho que ele é o nosso candidato e pedi ao PSB que agilize o processo. Estou pensando em plano B, claro, mas não quero antecipar porque ainda aposto minhas fichas no senador — afirmou Marília.Nos bastidores, porém, até mesmo entre integrantes desse grupo há dúvidas sobre a viabilidade das alternativas em discussão. Interlocutores reconhecem que o nome de Josué passou a ser citado com frequência, mas avaliam que sua construção eleitoral seria mais difícil, diante do afastamento recente de disputas e da falta de uma base consolidada.O diagnóstico leva em conta o fato de que Josué disputou o Senado em 2014, quando ficou em segundo lugar, mas não voltou a concorrer desde então. Para esse grupo, o tempo até as eleições seria insuficiente para viabilizar sua candidatura.Nesse campo, a preferência recai sobre o ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT), visto como um nome mais testado nas urnas. Pesa contra ele, porém, o rompimento com Lula após as eleições de 2022, quando foi derrotado pelo ex-governador Romeu Zema (Novo).Sem uma definição de Rodrigo Pacheco, o PT mantém o discurso de apoio ao senador, enquanto amplia, nos bastidores, o leque de alternativas para o governo de Minas.Além de Josué Alencar, outros nomes passaram a circular nas discussões internas, como Marília Campos, Reginaldo Lopes e o ex-procurador Jarbas Soares, que também se filiou recentemente ao PSB.The post PT discute ‘plano B’ em Minas após derrota de Messias e recuo de Rodrigo Pacheco appeared first on InfoMoney.
